Caso Americanas influenciará nos balanços de 2023?

Caso Americanas influenciará nos balanços de 2023?

Balanços de bancos já demonstram impacto

O início de 2023 trouxe uma surpresa negativa para o mercado financeiro. Um comunicado de “inconsistências contábeis” na varejista Americanas não só afetou a companhia como também balanços de bancos que, por sua vez, podem pagar menos dividendos aos seus acionistas no decorrer de 2023.

Ao longo de 2022, a bolsa brasileira registrou um total de R$301 bilhões em pagamentos de dividendos, segundo levantamento feito pela plataforma TradeMap. O número, atrelado a bons balanços e alta confiabilidade, mesmo em um ano eleitoral, animou as perspectivas para a bolsa no ano de 2023, porém, o rombo das Americanas mudou o panorama para o mercado, uma vez que o acesso ao crédito deve ser afetado temporariamente, o que prejudica empresas e, consequentemente, os resultados das mesmas.

Além dos dividendos, o preço das ações e o valor de mercado da empresa ficaram em cheque diante de fraudes fiscais. No dia de divulgação das “inconsistências contábeis”, a cotação das ações AMER3 caiu vertiginosamente, e seguiu caindo nos dias seguintes (de R$12 para R$0,80).

As debêntures, que antes marcavam rating triplo A, tornaram-se em rating D (Default), ou seja, um valor patrimonial de R$0. Investidores detentores desses papéis viram seu patrimônio ruir; no jargão de mercado as ações “viraram pó”.

Nesse sentido, muitos investidores se perguntaram: os dividendos cobririam o rombo fiscal da Americanas? Para Roberto Aminger, sócio da iHUB Investimentos e especialista em reestruturação de empresas, consultoria tributária e consultoria contábil, a resposta é simples: “Dificilmente os dividendos recebidos pelos acionistas cobririam esse rombo. Esse assunto é complexo, pois o mercado e os acionistas, pelo que os fatos indicam, não sabiam dos problemas no balanço da empresa, indicando ser correto o pagamento de dividendos à época”, comenta.

Empresas em recuperação judicial devem continuar pagando dividendos?

De acordo com a Lei 11.101/2005, a empresa até pode pagar dividendos depois de homologada a recuperação judicial, porém, dada a visibilidade e a relevância em valores, de um escândalo contábil como o da varejista, não seria correto o pagamento de dividendos enquanto os credores da recuperação judicial estão sendo pagos.

“A empresa pode adiar, após deliberado pelo conselho fiscal, o pagamento de dividendos, mas o sequestro do valor não pode acontecer, está previsto em lei o pagamento dos mesmos. Petrobras e BR Distribuidora, por exemplo, adiaram o pagamento para salvaguardar no curto prazo a saúde financeira da empresa no início da crise da Covid-19”, comenta Aminger.

É possível uma reviravolta financeira de empresas conturbadas?

“Se o balanço de uma empresa está sadio e com a empresa gerando lucros, os investidores (sejam minoritários, ou institucionais) sentem-se atraídos para comprar ações e  debêntures. Se a empresa não está dando lucro, dificilmente atrai a atenção de investidores. quanto mais gente interessada numa empresa listada em bolsa, maior fica o valor de sua ação”, explica.

Ainda de acordo Roberto, é possível uma reviravolta em casos como o da Americanas, principalmente com a recuperação judicial acontecendo, no entanto, essa virada pode durar anos, desde que todo processo seja finalizado corretamente, a companhia consiga voltar a gerar lucro, se valorizar e pagar os proventos aos acionistas.

Um exemplo de empresa com balanço conturbado, e que mesmo assim realizou o pagamento de muitos dividendos aos seus controladores foi da fintech Nubank, contudo, os proventos foram pagos com ações da própria empresa. Um outro cenário, como de insolvência fiscal, é caracterizado pelo ocorrido com a empresa de telefonia carioca Oi.

“A questão principal com a Americanas é que o valor em dívidas é muito alto; qualquer reclassificação ou ajuste no balanço vai fazer com que o patrimônio líquido da empresa fique ‘virado’. Sem uma injeção de capital dos maiores acionistas, além da recuperação judicial, é muito mais difícil a sobrevivência da empresa no mercado de varejo”, finaliza o especialista.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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