Mercado reage ao anúncio do novo arcabouço fiscal

Mercado reage ao anúncio do novo arcabouço fiscal

Bolsa volta a fechar em queda

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou a proposta do novo arcabouço fiscal, que substituirá o teto de gastos, nesta quinta-feira (30). Apesar de o mercado ter reagido bem à proposta, tendo o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores de São Paulo, a B3, fechado em forte alta, 1,89%, o próprio ministro assumiu que a nova regra fiscal, caso aprovada pela Câmara e Senado, não será “uma bala de prata que resolverá tudo”. Nesta sexta-feira o Ibovespa voltou a cair e fechou com baixa de 1,74%.

As novas regras substituirão o teto de gastos, o que irá limitar o crescimento de boa parte das despesas da União à inflação, evitando que o Brasil tenha um endividamento acima dos 75% do PIB (Produto Interno Bruto), o que pode representar um alto risco para os investidores.

Risco de calote

Luciano Bravo, CEO da Inteligência Comercial e Country Manager da Savel Capital Partners, especialista em captação de recursos internacionais para empresas brasileiras, explica que “quanto maior a porcentagem de comprometimento do PIB, maior a chance de inadimplência, por não haver condições de pagar as dívidas. Esse risco de ‘calote’ retrai os investidores, fazendo com que o mercado perca força, impactando em toda a economia nacional”.

Para o especialista, o novo arcabouço fiscal chega em boa hora, já que o endividamento, atualmente, já representa 73% do PIB, bem próximo aos temidos 75%.

“O controle dos gastos permitirá que o mercado tenha o mínimo de previsibilidade. Isto significa, na prática, que os investidores sabem, a partir do anúncio das novas regras, como o Governo pretende lidar com as questões fiscais do país. Assim, o investidor não fica no ‘escuro’, e consegue alocar seus investimentos com um pouco mais de segurança e se sentindo mais confortável para continuar investindo.”, pontua Luciano Bravo.

Apesar de o anúncio ter levado a curva de juros para baixo, Luciano Bravo aponta para o fato de que o crédito no Brasil não vislumbra nenhuma melhora significativa. Isso porque, segundo ele, parafraseando uma fala do próprio ministro da fazenda de semanas atrás, “O Brasil não possui um sistema de crédito.”

“Basta vermos o que houve, por exemplo, semanas atrás com o corte do empréstimo consignado. O governo reduziu as taxas de juros, antes altíssimas, para beneficiar o cidadão. O que os bancos fizeram? Suspenderam a oferta de crédito! Os bancos brasileiros não gostam de juros baixos, afinal, eles ganham sobre esses juros. Portanto, qualquer ação do Governo para beneficiar o cidadão, será sempre boicotada pelos bancos brasileiros. E isso não é diferente com o crédito para empresas, não!”, pontua Luciano Bravo, especialista em captar investimentos internacionais para serem injetados em empresas brasileiras.

Caso a proposta seja aprovada pela Câmara e Senado, prevê as seguintes metas: zerar o déficit público primário da União no próximo ano; superávit primário de 0,5% do PIB em 2025 e superávit primário de 1% do PIB em 2026.

Com o novo arcabouço, de acordo com o governo, a dívida pública da União poderá ser estabilizada em 2026, a no máximo 77,3% do PIB, ano, inclusive, que será o último do mandato do presidente Lula. Apesar de a dívida pública ser um objetivo do governo, e não uma meta imposta pela nova regra fiscal.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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