Aportes em startups brasileiras cai 86% no 1° trimestre

Aportes em startups brasileiras cai 86% no 1° trimestre

Relatório do Distrito contabiliza US$ 247 milhões em 91 investimentos no período

A fuga do capital de risco do mercado brasileiro mais uma vez fica evidenciada na recente edição do Inside Venture Capital Report, relatório do Distrito que monitora a atuação dos fundos de investimento em startups no Brasil. Com a consolidação dos dados de março, mês marcado pela falência do Silicon Valley Bank, o trimestre chegou ao fim com uma queda de 86% em novos aportes em companhias brasileiras na comparação com o mesmo período de 2022.

O levantamento apontou que foram realizadas 91 rodadas neste ano, o que movimentou o mercado com uma injeção de US$ 247,02 milhões. No mesmo trimestre do ano passado, o setor contabilizou 306 rodadas e US$ 1,7 bilhão em investimentos.

Na comparação setorial, destacam-se mais uma vez as FinTechs, que receberam o maior volume de recursos (aproximadamente US$ 62 milhões) e o maior número de rodadas, 20. O setor de RetailTech foi o segundo em número de rodadas, com 11 aportes, mas o terceiro em volume de captação, com US$ 15,2 milhões. Em quinto lugar em número de rounds, as HealthTechs ficaram atrás apenas das RetailTechs em volume de captação, com US$ 17,5 milhões em 6 aportes no setor.

Para Gustavo Gierun, CEO do Distrito, apesar do cenário de crise acentuada, o levantamento indica que o mercado tem buscado novos meios de captação. “Os dados agora mostram mais founders incrementando seus caixas com operações de dívida e com estruturação de M&A. Essa tendência já aparecia no fim de 2022 e continuou em expansão neste trimestre. São números que acabam mostrando a resiliência das startups em um momento de instabilidade de mercado que muitas delas não haviam vivenciado”, diz.

De acordo com o executivo, esse movimento tem pontos positivos e negativos para o mercado. Entre os benefícios para quem busca financiamento via dívida estão a ampliação dos fluxos de caixa sem diluição, manutenção do controle da companhia, além de evitar um possível down-round (quando as empresas levantam dinheiro com uma avaliação mais baixa do que as rodadas anteriores). Por outro lado, levantar capital por este meio também exige dos founders uma maior diligência financeira, fora as obrigações de pagar o montante principal do empréstimo em um período de tempo específico.

O Inside Venture Capital Report aponta que nos três primeiros meses de 2023 as transações de dívida já tinham registrado uma alta de 14% a mais em número de transações na comparação com o período equivalente de 2022 (8 no 1T23 vs 7 no 1T22). Em relação ao último trimestre de 2022, o percentual também cresceu: foram 8 no 1T23 vs 5 no 4T22, uma alta de 60%.Agora, entre janeiro e março deste ano, o levantamento mostra que este mesmo número cresceu 23% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, com deals que somam US$ 317 milhões.

“Além disso, os números deste tri foram afetados tanto pelo contexto macroeconômico global, quanto por episódios como a falência do Silicon Valley Bank e o medo de uma crise bancária em uma grandeza semelhante ao que vivemos em 2008. Tudo isso fez com o que os investidores segurassem ainda mais os seus caixas, principalmente no mês de março. De toda forma, vale ressaltar que os números volumosos que vimos em 2020 e em 2021 não devem reaparecer no horizonte, mas é importante destacar que não devemos seguir com um cenário de escassez de capital por muito tempo”, explica Gierun.

Estágios de Investimento

Já na variação entre os estágios de investimentos, o seed-stage registrou queda de 74,2% no contraste com 2022 e baixa de 19,91% em relação ao mesmo período de 2021. No early-stage, o volume de capital investido em startups apresentou variação negativa de 92,6% em relação ao ano passado e redução de 84,16% no confronto com os números de aportes do primeiro trimestre de 2021.

As rodadas voltadas para empresas mais maduras tiveram uma redução expressiva no primeiro trimestre de 2023. De acordo com os dados divulgados, o late-stage captou 99,8% a menos que no mesmo período de 2022 e 99,54% a menos que em 2021.

Enquanto isso, o ticket médio em investimentos de capital semente apresentou estabilidade na comparação ao primeiro trimestre de 2022. Já nas rodadas de investimento na série A, o ticket médio teve uma queda substancial de cerca de 61,93%, enquanto na série B a queda foi de 51,37%.

M&A

O levantamento apontou que os três primeiros meses de 2023 registraram, ao todo, 32 operações de M&A. O dado indica que entre o primeiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2023 houve uma diminuição de 55% no volume de fusões e aquisições, mas o histórico da pesquisa destaca que o 1T2022 registrou o maior número de operações de M&A, 72 ao todo, desde que o levantamento começou a ser feito – um número bem acima da média dos outros trimestres.

Neste trimestre, as startups tiveram maior representatividade no número de aquisições feitas, com 17 transações, o que compreende 53,1% do total de M&As. Os M&A’s de empresas tradicionais e de corporações contabilizaram 34,4% e os investidores institucionais completaram o perfil de compradores com 12,5%. Já na avaliação setorial, as martechs representam o setor de startups que mais foi adquirido, com 4 M&As, seguido por HealthTech, com 5.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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