Iniciada contagem regressiva para o Esocial Trabalhista

Iniciada contagem regressiva para o Esocial Trabalhista

Faltam menos de 30 dias para entrada em vigor do eSocial Trabalhista. Apesar de o prazo ter sido prorrogado duas vezes, até o momento, não há indicativos de nova postergação.

A contagem regressiva foi iniciada, mas a maioria das empresas ainda estão enfrentando dificuldades para operacionalizar essa mudança nos procedimentos, seja pela complexidade da obrigação, seja por não ter familiaridade com a prática processual trabalhista.

O fato é que, estando as empresas preparadas ou não, a partir de 1º de julho de 2023, o recolhimento das contribuições previdenciárias e sociais originárias das Reclamações Trabalhistas deixará de ser realizado por GPS- Guia da Previdência Socia e passará a ser recolhido via DARF – Documento de Arrecadação de Receitas Federais, emitida através da DCTFWeb, que é Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos e à confissão de tributos federais devidos e créditos para cada tributo, que são informados à Receita Federal. Ela é gerada, depois da transmissão dos formulários que são chamados de S-2500 e S-2501 no eSocial.

O manual do eSocial estabelece que o prazo para envio desses formulários é o dia 15 do mês subsequente: e tem data para informar a sentença do judiciário, e outra para data de pagamento.

Impacto nas rotinas empresariais

E essa mudança vai impactar consideravelmente as rotinas empresariais, porque é grande a complexidade de cumprimento dessa obrigação junto ao eSocial para geração da DARF. Para se ter uma ideia, somente em um deles são 118 campos a serem preenchidos a depender do teor da decisão judicial. Já o o outro formulário pressupõe que a informação sobre os valores pagos na reclamação ou acordo firmado, seja realizada de forma detalhada, competência a competência, conforme a natureza (remuneratória ou indenizatória) de cada uma das parcelas deferidas na ação.

Além da complexidade, haverá ainda situações em que, para transmissão formulários será necessária a retificação de informações previamente prestadas em outros momentos como, por exemplo, nos pertencentes ao Módulo Geral do eSocial. Tendo os casos que envolvem responsabilidade subsidiária, onde será necessário realizar o cadastro do reclamante/terceiro, fornecendo dados gerais dele e de seus dependentes.

“A maior dificuldade das empresas, é que os softwares jurídicos e de gestão de folha ainda não estão parametrizados para receber o input de dados ou para validá-los de acordo com as inúmeras regras estabelecidas no manual do desenvolvedor do eSocial. E a integração desses sistemas, com a mensageria e o próprio eSocial tem sido um grande desafio para setor de TI” – lembra Manuela Tucunduva. advogada Trabalhista, e sócia do escritório Balera, Berbel e Mitne.

Ela destaca ainda que o não cumprimento da obrigação ou o preenchimento incorreto dos formulários, vai impossibilitar a quitação das contribuições previdenciárias e o arquivamento dos processos. “Essa situação expõe ainda as empresas a diversos riscos, dentre eles: bloqueio judicial nas contas correntes, multas judiciais e administrativas, fiscalizações fiscais e trabalhistas e, até mesmo, restrições para emissão da “CND”” – salienta Manuela.

Superar esses desafios requer investimento na capacitação dos escritórios terceirizados e áreas de negócios, adaptação dos softwares e contínuo acompanhamento dos comunicados, orientações e normas técnicas dos órgãos competentes, pois é bem provável que, nos primeiros meses, surjam ajustes e correções sistêmicas. É esperado ainda que a Justiça do Trabalho também reveja algumas práticas processuais visando a melhor acomodação das suas decisões às novas regras de recolhimento das contribuições previdenciárias.

Apesar dos desafios, o eSocial Módulo Trabalhista representa um avanço significativo na modernização, simplificação e integração das obrigações trabalhistas. O fato é que maioria das empresas, vai precisar de um planejamento adequado e uma boa consultoria técnica para minimizar os impactos dessas dificuldades e cumprir as obrigações do eSocial.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *