Para financiar imóvel de R$ 500 mil é preciso renda mínima mensal de R$ 15 mil

Para financiar imóvel de R$ 500 mil é preciso renda mínima mensal de R$ 15 mil

Com taxas de juros mais caras há também maior rigor na concessão de crédito

A manutenção da taxa Selic em 13,75% segue impactando o custo do financiamento imobiliário. Como resultado dos recentes aumentos nas taxas de juros praticadas pelos bancos e a falta de recursos de algumas instituições financeiras para concessão de crédito, o cenário para quem deseja fechar um contrato de financiamento tem sido marcado por maior restrição e demora no processo de aprovação. A avaliação é da Melhortaxa, maior plataforma digital de crédito imobiliário do país.

De acordo com dados da fintech, a taxa média de financiamento atingiu 10,07% ao ano em maio de 2023. Ainda que as taxas de juros praticadas pelos quatro maiores bancos do país venham aumentando de forma mais lenta, a taxa média alcançou os dois dígitos em fevereiro deste ano.

Segundo Julien Desvergnes, cofundador da Melhortaxa, para financiar um imóvel a renda mensal deve ser compatível com o valor das parcelas, pois é um compromisso que o cliente assume de longo prazo, e o banco está atento a isso. “A instituição financeira irá avaliar se a pessoa é capaz de arcar com as prestações, sem atrasos. Isso é importante para liberação de crédito”, explica.

A fintech simulou a renda mínima familiar necessária para financiar imóveis em três faixas de preço, no prazo de 360 meses (30 anos). Para um imóvel no valor de R$ 500 mil, por exemplo, é preciso uma renda mensal a partir de R$ 15 mil. A parcela inicial ficará em torno de R$ 4.500.

No caso de um imóvel que vale R$ 750 mil, a renda mínima é de aproximadamente R$ 22,5 mil, com a primeira parcela sendo de R$ 6,7 mil. Em setembro de 2021, quando a Selic estava em 6,25%, era necessária uma renda familiar de R$ 20.960 para financiar um imóvel do mesmo valor.

Por fim, para um imóvel de R$ 1 milhão, a família deve ganhar pelo menos R$ 29,9 mil e pagar uma prestação mensal de cerca de R$ 9 mil.

Dicas para obtenção de crédito

Neste contexto de juros elevados e maior rigor no crédito, ainda vale a pena comprar um imóvel? Para Julien, tudo indica que, a médio prazo, as taxas de crédito imobiliário voltarão a cair, seguindo o movimento da Selic. “Com a perspectiva de controlar a inflação, o Banco Central terá que diminuir a Selic para voltar a acompanhar o crescimento do mercado imobiliário. Porém, nada indica que os preços dos imóveis seguirão essa baixa de uma maneira significativa. Para quem está pronto para realizar o sonho da casa própria a orientação é aproveitar a oportunidade e já se antecipar, solicitando a aprovação de crédito”, destaca.

“Quando as taxas voltarem a cair, o consumidor poderá optar pela portabilidade, que é um direito seu, e direcionar o seu contrato para o banco que oferecer melhores condições”, complementa.

Para aumentar as chances de obtenção de crédito, a fintech enumerou alguns pontos de atenção com dicas práticas, baseadas no contato constante que seus especialistas mantêm com as instituições, observando as condições impostas pelos bancos desde o processo de pré-aprovação até a emissão.

1 – Score de crédito

O score é o principal indicador considerado pelo banco na hora de pré-aprovar o crédito. Hoje o banco analisa todo o comportamento do cliente no mercado, o que abastece as informações no cadastro positivo.

2 – Comprovação de Renda

O banco sempre utilizará a renda formal como principal fonte de comprovação. No caso de renda informal, poderão ser utilizados a movimentação bancária + Imposto de Renda.

3 – Segmentação junto ao banco

Os bancos segmentam as contas de acordo com a renda e movimentação mensal. Em alguns casos, a defesa pode ser feita com base no segmento escolhido para a conta, argumenta Julien.

4 – Entrada do imóvel

A entrada do imóvel pode ser feita com recurso próprio ou com FGTS, e o banco libera até 90% do valor. “Geralmente, é liberado 80% do valor do imóvel, de acordo com a renda. Mas há algumas exceções, dependendo do perfil do cliente, que podem chegar até 90%”, explica.

“É importante contar ainda com a ajuda de fintechs. A equipe de especialistas pode auxiliar na análise e verificação de toda a documentação solicitada pelos grandes bancos, tornando o processo de financiamento mais claro, ágil e provável de ser aprovado”, finaliza o cofundador da Melhortaxa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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