Novo Marco Legal das Garantias tem potencial para dobrar mercado de crédito brasileiro

Novo Marco Legal das Garantias tem potencial para dobrar mercado de crédito brasileiro

Medida prevê que um bem pode ser dado como garantia em mais de uma operação de crédito

Mesmo com o recente programa de governo que incentivou a redução dos preços dos carros populares, os brasileiros ainda encontram dificuldades na hora da compra. Isso porque a grande maioria dos consumidores depende de financiamento para comprar um veículo e as taxas de juros seguem altas. A boa notícia é que o projeto de lei 4.188/2021, conhecido como Novo Marco Legal das Garantias, traz perspectivas positivas para a economia ao promover a simplificação e ampliação da concessão de crédito com garantias. Aprovado pela Câmara dos Deputados em junho de 2022 e aguardando análise do Senado.  Caso sancionado, o novo marco tem o potencial de reduzir as taxas de juros e aumentar significativamente a quantidade de empréstimos e financiamentos no país.

A proposta busca estabelecer novas regras que simplificam o processo de concessão de empréstimos, além de agilizar a execução extrajudicial de dívidas. Atualmente, os financiadores podem levar anos para recuperar o dinheiro emprestado ou o bem alienado. Com a nova legislação, esse prazo pode ser reduzido para menos de um mês. Quanto mais garantias forem oferecidas, menores serão as taxas de juros. A expectativa é que a nova legislação contribua para a redução dessas taxas, impulsionando ainda mais o mercado de crédito no país. Além disso, o Cadastro Positivo, mecanismo já implementado, será combinado com a análise das garantias e da capacidade do consumidor de honrar suas dívidas.

O mercado como um todo será beneficiado com essa simplificação da concessão de crédito com garantia, diz Marcelo Ciscato, CEO da Alias Tecnologia, empresa que fornece soluções para agilizar processos eletrônicos no segmento de financiamento de veículos. “O novo marco proporciona mais segurança para quem está concedendo o crédito, o empréstimo com base em garantias, e um processamento de execução muito mais ágil do que seria hoje através de processos judiciais, de forma extrajudicial junto aos cartórios. Com isso, os juros tendem a cair consideravelmente para todos os financiamentos, facilitando, principalmente, a compra de automóveis e motocicletas”, explica.

Um dos principais benefícios do Novo Marco Legal das Garantias é a possibilidade de se utilizar um bem como garantia para mais de uma operação de crédito, até atingir o valor total de venda do bem. Essa flexibilidade ampliará o acesso dos brasileiros a empréstimos e financiamentos, beneficiando tanto as pessoas físicas, especialmente das classes C e D, como as empresas de todos os portes que buscam expandir seus negócios.

Segundo Ciscato, essa é a chave para ampliar o acesso dos brasileiros a empréstimos e financiamentos. “As medidas podem ajudar a dobrar o mercado de crédito no país. Hoje a carteira de empréstimos equivale a pouco mais de 53% do Produto Interno Bruto (PIB), e pode passar de 100%, como ocorre em economias mais desenvolvidas”, ressalta.

Entre as medidas previstas no projeto, está a criação da figura da Instituição Gestora de Garantias (IGG), um marco legal para que o próprio setor financeiro se organize e monte as gestoras. As instituições serão pessoas jurídicas de direito privado responsáveis pela constituição, utilização, gestão e pelo compartilhamento de garantias nas operações de crédito pactuadas entre o devedor e as instituições financeiras. O funcionamento delas será regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com supervisão do Banco Central.

De acordo com Ciscato, o projeto cria novos mecanismos para simplificar as garantias para a concessão de empréstimos e reduz os caminhos e custos de execução de dívidas. “Atualmente, o financiador pode levar anos para reaver o dinheiro emprestado, prazo que deve diminuir para menos de um mês com a nova legislação. A proposta vai facilitar o processo de recuperação de bens em caso de inadimplência, por meio de busca extrajudicial, já adotada no financiamento imobiliário. Com a IGG, os consumidores poderão dar garantias para novos financiamentos, desde que cumpram os requisitos legais.”

O CEO da Alias Tecnologia revela que a expectativa é de que o projeto seja sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e entre em vigor a partir de 2024, permitindo que os benefícios do Novo Marco Legal das Garantias sejam alcançados. “Atualmente, os brasileiros só conseguem ter acesso a um bom financiamento se derem um bem como garantia, que se limita basicamente a um imóvel próprio (quando há) ou um automóvel, que muitas vezes está alienado a um banco ou financeira. Pelas regras atuais, um empréstimo ou financiamento acaba comprometendo o bem inteiro como garantia, mesmo que o valor do crédito seja bem menor.”

Como funciona da prática

Se o bem vale R$ 100 mil e o consumidor deu R$ 50 mil de entrada e financiou o restante, a   Instituição Gestora de Garantias (IGG) segura aos bancos o financiamento. “Quando o banco calcula as taxas de juros, ele considera diferentes variáveis, como ganho, custos e perdas. Quanto maior a perda, maior a taxa de juro. Tirando a dificuldade de reaver o bem, a taxa de juro cai e a procura por financiamento aumenta. Acontece um efeito cascata que é bom para toda a economia”, explica Marcelo Ciscato.

Atualmente, quando o bem é a garantia do financiamento, ele fica bloqueado até o fim da dívida. Com a IGG isso muda, pois um novo financiamento pode ser feito em cima do mesmo bem, desde que se cumpram os requisitos legais, respeitando o saldo devedor. “Há anos se discute esse cenário sobre refinanciar uma cota já paga com outra gestora de crédito, fazendo uma segunda averbação. O consumidor terá a prerrogativa de escolher  financiar pelo banco ou pelas gestoras de garantia. Isso traz vantagens para todos”, completa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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