Entenda como a experiência do candidato à vaga pode impactar a reputação das empresas

Entenda como a experiência do candidato à vaga pode impactar a reputação das empresas
Nadjane Oliveira.

No mercado corporativo e em grandes eventos de Recursos Humanos, o que tem se notado é um crescente debate sobre como o propósito de uma empresa pode influenciar os candidatos à uma vaga, fazendo com que eles priorizem sua candidatura à uma companhia em detrimento de outra.

Uma pesquisa da Carhartt, empresa de vestuário, realizada com mais de mil jovens das gerações Millennial e Z, mostra que 48% dos entrevistados dizem ter incertezas sobre o futuro de suas carreiras, enquanto 44% relataram que o principal desafio do mercado de trabalho atual tem sido encontrar um emprego que se alinhe com seus valores. Ainda de acordo com um estudo da CareerArc Social Recruiting, empresa de software de recrutamento social com sede em Burbank, na Califórnia, 82% dos candidatos consideram a marca e a reputação de uma empresa antes de se candidatar a uma vaga.

Essa tem sido a realidade atual, principalmente com a crescente lacuna global de habilidades e as mudanças nas expectativas dos funcionários, o que aumentou a guerra pelos melhores talentos disponíveis no mercado. Frente a isso, os especialistas recomendam que as empresas foquem esforços em trabalhar suas marcas empregadoras, e esse processo passa, inevitavelmente, pela experiência que os candidatos têm durante os processos seletivos.

A experiência do candidato é a percepção dele sobre uma determinada organização que pode ser um possível empregador, baseada nas interações que acontecem durante o processo de recrutamento e que incluem todas as etapas dessa jornada, desde o anúncio da vaga, processos de inscrição, triagem, atração até as entrevistas e o processo de integração. As principais métricas incluem tempo de resposta do recrutador, tempo de oferta, taxa de aceitação da oferta, entre outros.

Muitas organizações perceberam que a forma como os candidatos são tratados desde o primeiro contato até o desfecho da seleção não é apenas um aspecto secundário do recrutamento, mas sim um fator decisivo para o sucesso na conquista de novos talentos para suas equipes.

Segundo um estudo da Glassdoor – considerado um dos maiores sites de vagas e recrutamento do mundo, que tem cerca de 49 milhões de conteúdos, incluindo opiniões de funcionários, informações salariais e relatos de entrevistas de emprego –, 70% das empresas que desenvolvem uma experiência positiva de contratação relatam uma melhoria de até 70% na qualidade do processo. Já os dados de uma pesquisa realizada pelo LinkedIn apontam que 83% dos candidatos se sentem desencorajados a continuar em um processo seletivo após uma má experiência na entrevista, enquanto 87% mudaram de opinião sobre uma função ou empresa depois de terem uma experiência positiva.

Nesse sentido, entender as cinco principais causas da má experiência do candidato e saber como corrigi-las tornou-se uma estratégia indispensável para quem almeja ter os melhores profissionais do mercado. Também é indispensável aprofundar a compreensão sobre a importância de priorizar a experiência do candidato no ambiente corporativo. Para isso, a psicóloga e gerente de Operações do Grupo Soulan, Nadjane Oliveira, lista reflexões que podem inspirar líderes e profissionais de RH a promover mudanças significativas em suas práticas de seleção, visando construir uma relação mais empática e benéfica tanto para a empresa quanto para os talentos que querem fazer parte dela.

  1. VALORES DESALINHADOS – Dada a ligação do alinhamento de valores para a experiência do candidato, divulgar o progresso em relação aos objetivos de responsabilidade social corporativa pode ser um diferencial crucial para sua marca aos olhos dos principais talentos. Uma avaliação comportamental é uma maneira rápida e precisa de determinar o grau em que os valores de um candidato se alinham com os de sua organização. A avaliação indica a probabilidade de um indivíduo ter sucesso na função e fornece informações sobre como ele gerencia o estresse, aborda o risco e qual seu nível de competitividade e preferência por novidades.
  2. FALTA DE INCLUSÃO – A Geração Z procura ativamente empresas que valorizam a diversidade, com 77% dos entrevistados buscando evidências de diversidade em possíveis empregadores logo no início do processo de inscrição, segundo a BuiltIn, companhia americana de recrutamento para área de tecnologia. A ciência pode ajudar uma empresa a contratar candidatos diversos que sejam altamente capazes em requisitos específicos, ao mesmo tempo que demonstra seu compromisso como empregador, com processos de contratação justos, que facilitam a diversidade. As avaliações psicométricas fornecem informações sobre as motivações subjacentes, a velocidade cognitiva e os traços comportamentais de possíveis funcionários, o que pode ajudar a neutralizar qualquer tipo de viés.
  3. FALHAS DE COMUNICAÇÃO – A comunicação é crucial para manter o engajamento durante todo o processo de recrutamento. Pesquisa da CareerBuilder, empresa de recrutamento dos EUA, mostra que 81% dos candidatos dizem que atualizações sobre o status dos processos são altamente benéficas para a experiência deles. Personalizar a comunicação no processo de recrutamento não apenas melhora a experiência dos candidatos, mas também ajudará a garantir a contratação de pessoas que possam se destacar em sua organização. É possível fazer isso através do uso de avaliações psicométricas, que contribuem para que sua empresa crie um relacionamento rápido com os candidatos.
  4. ENTREVISTAS INEFICIENTES – Os gerentes de contratação conduzem uma média de seis entrevistas para cada vaga – dessa forma, as entrevistas em vídeo economizam um tempo significativo para o candidato e para a empresa. O uso da psicometria no início do processo de contratação pode garantir que os recrutadores entrevistem apenas os candidatos adequados para o trabalho, melhorando a experiência deles. Usando as percepções fornecidas por testes psicométricos, como aptidão, avaliações de personalidade e comportamentais, os entrevistadores podem investigar as características superficiais dos candidatos, abrindo discussões mais profundas e avaliações mais rigorosas das tendências de uma pessoa em relação à função.
  5. FALTA DE FEEDBACK – O feedback é fundamental tanto para o processo de recrutamento quanto para otimizar a experiência do candidato. Fornecer um retorno aos candidatos sobre os resultados das avaliações psicométricas cria um valor duradouro e aprimora a experiência, independentemente de eles virem a trabalhar para você posteriormente. Os insights obtidos por meio de avaliações comportamentais fornecerão aos candidatos o tipo de feedback que eles entenderão e com o qual se envolverão. Isso ajuda a estabelecer uma relação de trabalho positiva com gerentes e equipes, acelerando a integração.

“Em resumo, desvendar as principais causas da má experiência do candidato não é apenas uma questão ética e humanitária, mas também um investimento estratégico com impactos significativos no sucesso futuro da empresa. Uma boa experiência pode gerar uma imagem positiva da organização, mesmo que o candidato não seja selecionado, enquanto uma experiência negativa pode resultar em consequências adversas, afastando profissionais valiosos e até mesmo influenciando negativamente a reputação da marca empregadora”. conclui Nadjane Oliveira.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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