Reforma Tributária pode gerar impactos negativos para as startups

Reforma Tributária pode gerar impactos negativos para as startups

Especialista aponta cenários que podem aumentar a carga tributária e atrapalhar o mercado

Enquanto a Reforma Tributária segue como uma das principais pautas do momento, especialistas analisam as diversas propostas do projeto e seus impactos nos diferentes setores da economia. Um dos mais dinâmicos e com grande influência no mercado e na sociedade como um todo é o das startups, que, por sua natureza inovadora e escalável, encontra algumas particularidades no que diz respeito a legislações e tributações.

Fernando Moura, contador, economista e sócio da Quality Tax, empresa de consultoria tributária e contábil que integra o grupo CorpServices, notou uma escassez do tema “startups” nos debates sobre a Reforma Tributária. Segundo ele, a razão pode ser o fato de que boa parte dessas empresas se enquadrem no chamado Simples Nacional, um benefício fiscal no qual os negócios com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões são tributadas a uma alíquota fixa sobre o faturamento — e a reforma manterá esse benefício intacto.

Contudo, como é de esperar para empresas de rápido crescimento, assim que o limite de faturamento é atingido, as startups passam a adotar o Lucro Presumido. “No Lucro Presumido, as empresas do setor de serviços pagam uma alíquota efetiva média entre 16,53% e 19,53%, dependendo do município em que estão estabelecidas”, explica o economista. “Nesse regime, os insumos utilizados na prestação de serviços não dão direito a creditamento para fins de PIS/COFINS”.

Como auxílio para as empresas enquadradas nessa faixa, uma das novidades da Reforma Tributária é a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), onde a tributação deixa de incidir diretamente sobre as receitas (tributação em cascata) e passa a incidir sobre o “valor adicionado” na prestação do serviço. Ou seja, os insumos passarão a gerar direito a creditamento, desde que tenham sido tributados na etapa anterior.

“A grande questão é que, no caso das startups, o ‘insumo’ mais relevante em muitas situações é o capital humano, que se materializa no custo com a folha de pagamentos. E os salários não serão tributados pela CBS, ou seja, não darão direito a créditos”, explica Moura.

Assim, é provável que muitos prestadores de serviços enfrentem um aumento na carga tributária, uma vez que o principal “insumo” não vai gerar créditos. E isso pode acontecer independentemente da alíquota a ser praticada pela CBS — que ainda será definida por lei complementar.

Caso esse cenário se materialize, o mercado pode enfrentar diversas consequências prejudiciais, como aumento de preços nos serviços, “pejotização” de mão de obra ou fracionamento de negócios em diferentes empresas menores.

Uma maneira de impedir esse desenvolvimento, segundo o especialista, é com a desoneração da folha de pagamentos, para neutralizar, mesmo que em parte, o aumento na carga tributária.

“É preciso que os legisladores analisem bem essa questão e a coloquem na balança. A Reforma Tributária é vital para a melhora do ambiente de negócios no país, mas ainda carece de discussões e análises mais profundas, sob o risco de impactar negativamente esse conjunto de empresas tão importantes no processo de dinamização tecnológica da nossa economia”, conclui Moura.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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