Suspensão da Americanas do segmento Novo Mercado fortalece tese dos minoritários na arbitragem

Suspensão da Americanas do segmento Novo Mercado fortalece tese dos minoritários na arbitragem

Instituto Empresa defende que investidores que adquiram o papel com base em dados falsos merecem indenização por esta diferença

A decisão da B3 nesta quarta-feira, dia 8 de novembro, de suspender as Americanas do segmento diferenciado de listagem da Bolsa brasileira conhecido como “Novo Mercado”, que reúne as empresas brasileiras com melhor grau de governança corporativa e, portanto, proteção aos acionistas minoritários, reforça o pleito dos minoritários no processo de arbitragem que tramita na própria bolsa.

No seu parecer, a B3 reconhece que os fatos relacionados ao escândalo contábil revelado em janeiro deste ano não podem ser atribuídos, como a Americanas pretendeu, a alguns Diretores. Para Eduardo Silva, Presidente do Instituto Empresa, que promove demanda para responsabilização dos controladores da Americanas, ficou claro que os atos que distorceram a contabilidade, registros e mesmo contratos, são atos da Companhia, por seus órgãos sociais, e não de algumas pessoas.

“A B3 responsabilizou o Comitê de Auditoria, o Conselho Fiscal e mesmo o Conselho de Administração, revelando que as estruturas de controle da Companhia estavam todas comprometidas”, afirma Silva. “Ainda que integrado por pessoas, os órgãos devem ser funcionais e eficientes. O Comitê de Auditoria sequer atas de suas reuniões possuía, a revelar que, na prática, não atuava”.

Segundo Adilson Bolico, um dos advogados que representa o Instituto Empresa na única demanda que requer a responsabilização dos controladores por meio de Arbitragem, também na B3, a tese se vê muito fortalecida. “Todos os órgãos estavam sob mando e critério dos controladores. São eles que além de escolher os Diretores, apontam os membros dos Conselhos imputados e do Comitê de Auditoria. Alguns deles foram, aliás, pessoalmente, responsabilizados pela B3.

Rafael Mortari, outro advogado do Instituto, afirma que tem sido errônea a expressão “acionistas de referência” quando se refere a Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. “O termo não existe em qualquer lugar da legislação brasileira” e serve apenas para tentar tirar dos três controladores a condição de majoritários, tentando nivelá-los aos demais acionistas.

A Arbitragem na B3, que tramita desde janeiro, também busca a responsabilização da Americanas com relação aos investidores que adquiram o papel com base em dados falsos e, portanto, com valores inflados, merecendo indenização por esta diferença.

Sobre o caso

O anúncio de “inconsistências contábeis” na Lojas Americanas no início deste ano desencadeou uma grave crise financeira da varejista, agravada por uma fraude de mais de R$ 20 bilhões e dívidas declaradas de R$ 42,5 bilhões, o que levou a companhia a um programa de recuperação judicial. Conhecido como um dos maiores grupos empresariais, o 3G Capital tem no seu guarda-chuva marcas como AmBev, Kraft Heinz e Burger King.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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