Bom conhecimento em finanças e baixo índice de planejamento são um dos retratos da alta renda brasileira

Bom conhecimento em finanças e baixo índice de planejamento são um dos retratos da alta renda brasileira

Levantamento do Itaú Personnalité mostra que 9 em cada 10 brasileiros consideram que estão se preparando financeiramente para o futuro

A maioria dos brasileiros de alta renda (89%) acredita que está se preparando adequadamente para o futuro e 93% afirmam ter objetivos financeiros de curto, médio e longo prazos (para a realização de viagens, construção de patrimônio e de reserva financeira para a aposentadoria e emergências, entre outras prioridades). Mas poucos se organizam efetivamente para isso. Apenas 20% situam-se no patamar considerado de alto planejamento financeiro e, entre os que declaram ter conhecimento avançado ou se consideram especialistas em finanças, 41% ainda mantêm investimento em poupança.

Este é um dos retratos da alta renda brasileira segundo a pesquisa Itaú Personnalité: Brasileiros e a alta renda, realizada pelo Instituto Locomotiva, nacionalmente, no último trimestre de 2023. O levantamento ouviu mais de mil pessoas com renda individual mensal a partir de R$ 10 mil, com o objetivo de compreender a relação desse público com o dinheiro e quais são as suas principais preocupações no que se refere ao bem-estar financeiro, investimentos e planejamento para o futuro.’

Representando 3% da população adulta com renda no país e responsável por movimentar cerca de R$ 970 bilhões em renda própria anualmente, a chamada alta renda brasileira vive alguns paradoxos em relação ao dinheiro: 80% se dizem otimistas com a própria situação financeira – percentual é maior entre os jovens (94%) do que entre os 50+ (70%), mas o medo de perder renda e/ou patrimônio também é grande, seja com crises econômicas (68%), golpes na internet (71%) ou investimentos equivocados (59%).

Da mesma forma, 77% afirmam ter conhecimento suficiente (médio ou avançado) para tomar decisões sobre o futuro financeiro. No entanto, a poupança ainda é uma alternativa expressiva para boa parte deles e 27% entre os que se consideram investidores arrojados.

A pesquisa revela uma lacuna entre conhecimento e prática. “As pessoas estão mais interessadas na gestão e planejamento de suas vidas financeiras, mas ainda não conseguem organizar todas as informações que recebem para transformá-las em decisões. Por isso, ainda vemos uma participação da poupança relevante nas opções de investimento, mesmos entre os que se descrevem como arrojados. Já nas carteiras do Itaú Personnalité, essa proporção é significativamente menor. Isso é reflexo do trabalho de consultoria dos nossos especialistas em investimentos, que consideram um planejamento financeiro eficaz, considerando histórico, perfil, momento de vida e prioridades para o futuro de cada cliente”, comenta Adriana dos Santos, diretora do Itaú Personnalité.

Para aprofundar a compreensão de como o público de alta renda se organiza financeiramente, foi criado um índice agregado de planejamento na pesquisa e que avalia e pontua comportamentos recomendáveis. Dentre os listados, estão, por exemplo, estabelecer metas de longo prazo e esforçar-se para alcançá-las, controlar ganhos e despesas, formar reserva para emergências e aposentadoria e não estar inadimplente.

“O que observamos é que apenas 20% das pessoas ouvidas declaram ter toda essa disciplina na prática. Isso pode ter a ver com o histórico de baixo índice de educação financeira ao qual o brasileiro foi exposto ao longo da vida. Os resultados mostram interesse crescente no tema, busca ativa por informações na internet e nas redes sociais, mas clara insegurança em relação à tomada de decisão”, completa o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.

A aparente contradição entre o autodeclarado nível de conhecimento dos entrevistados sobre finanças, o receio de errar nos investimentos e a prática financeira se evidencia também em escolhas mais conservadoras: entre investidores, 51% preferem renda fixa enquanto 39% declaram ter dinheiro em poupança

Jornada solitária

Quando o recorte é feito por gênero, as mulheres demonstram maior interesse em aprender mais sobre finanças e investimentos: 43% versus 34% do público masculino. O comportamento dos dois gêneros coincide em um aspecto: metade das pessoas admitem que conversar sobre dinheiro com companheiros ou familiares ainda gera desconforto e estresse. “Falar sobre finanças ainda é tabu. Por isso, é preciso simplificar a linguagem e trazer o tema para o dia a dia. Planejamento de vida e de futuro não precisa ser solitário, ao contrário, a construção em conjunto, dentro das famílias, levará a um retorno mais sustentável para todos”, esclarece Adriana.

Para ela, o papel do banco na vida das pessoas mudou. “Aqui no Itaú Personnalité, ao longo dos anos, nos especializamos em desempenhar uma posição de consultoria financeira, planejamento e apoio. É uma relação de longo prazo, mais próxima, humanizada e que entende que o nosso sucesso depende da prosperidade do nosso cliente. Temos buscado ir além da consultoria, mas também proporcionado eventos de experiência em nossos Investment Centers, com intuito de apoiarmos em temas para grupos e interesses específicos”, destaca a executiva.

Poupar x desfrutar

A pesquisa contou com duas fases: a primeira, qualitativa, para estabelecer a coerência dos temas abordados e, a segunda, quantitativa, com a fotografia do comportamento financeiro da alta renda. Na fase quali, o tema ‘qualidade de vida pós-pandemia’ surgiu de forma espontânea e recorrente entre os participantes e dominou boa parte das conversas de investigação com os grupos. Devido à sua relevância, foi incorporado na fase quanti.

Sobre o tema, 65% dos brasileiros de alta renda afirmam ter passado a valorizar muito mais a qualidade de vida após a Covid-19, sendo que 66% dizem dar mais valor à família e 70% escolheriam ter mais tempo em vez de uma renda maior. “Observamos o crescimento da tensão entre poupar e gastar. A pandemia trouxe uma reflexão profunda sobre trabalhar arduamente e construir patrimônio em detrimento de ter uma qualidade de vida melhor, com mais tempo dedicado a família, amigos, hobbies.  O levantamento aponta como esse público está em busca de viver melhor, reconfigurando a sua relação com o trabalho, tempo e dinheiro”, conta o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles. Para Adriana, o paradoxo deve ser visto como oportunidade.

“Precisamos aprender e escolher formas de fazer o dinheiro trabalhar por nós. Um bom planejamento financeiro, que compreende visão de futuro, sonhos, expectativa de gastos, investimentos, aposentadoria, por exemplo, pode ajudar a ter mais tempo de qualidade, sem comprometer a renda”, diz Adriana.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *