Eleições dos EUA colocam infraestrutura no radar dos investidores

Relatório da Global X aponta infraestrutura como um dos temas com potencial de atravessar diferentes cenários eleitorais e destaca impactos sobre energia, inteligência artificial e tecnologia
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para novembro, podem alterar a composição do Congresso e influenciar diferentes setores da economia. Entre os temas analisados pela Global X, a infraestrutura aparece como um dos que podem encontrar apoio nos diferentes cenários eleitorais, em um momento de aumento dos investimentos em data centers e da demanda por energia.
De acordo com o relatório Inflection Points: Mapping the Midterms, recursos do Infrastructure Investment and Jobs Act (IIJA), aprovado em 2021, ainda estão destinados a diferentes projetos nos Estados Unidos. O estudo também considera que uma nova rodada de investimentos em infraestrutura pode contar com apoio dos dois partidos, enquanto a construção de data centers tende a continuar, contribuindo para a demanda por infraestrutura em 2027 e nos anos seguintes.
Para Flávio Vegas, Especialista de Produtos da Global X, a expansão da inteligência artificial amplia a necessidade de investimentos que vão além das empresas diretamente ligadas à tecnologia. “O crescimento da inteligência artificial depende de uma estrutura física capaz de suportar o aumento da capacidade computacional. A construção de data centers exige investimentos em instalações, redes e energia, o que amplia a importância da infraestrutura dentro dessa cadeia”, explica Vegas.
Energia nuclear
A demanda por eletricidade também coloca a energia nuclear entre os temas acompanhados pela gestora. O relatório indica que o setor pode encontrar espaço para avanços em diferentes cenários políticos, diante da necessidade de ampliar a geração de energia e da pressão sobre os custos de eletricidade. A construção de data centers é apresentada como um dos fatores que deve aumentar o consumo de energia.
A questão energética ganha relevância em um contexto no qual inflação e custo de vida aparecem entre as principais preocupações dos eleitores americanos. Segundo o estudo, pesquisas de 2026 apontam affordability e inflação como prioridades, em uma mudança em relação a eleições anteriores, quando a economia aparecia de forma mais ampla entre os principais temas.
“A energia passou a ter uma relação direta com a expansão dos data centers e com a capacidade de atender à demanda gerada pela inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o custo da eletricidade está relacionado à discussão sobre inflação e poder de compra. Por isso, a geração de energia, incluindo a nuclear, pode ganhar espaço nas discussões de investimento”, comenta Vegas.
Além da infraestrutura e da energia, o resultado das eleições pode afetar setores específicos. Em um eventual governo dividido entre as duas casas do Congresso, a menor atividade legislativa poderia favorecer setores como tecnologia e consumo discricionário. O relatório destaca que, em episódios anteriores de divisão do governo após eleições de meio de mandato, esses segmentos apresentaram desempenho superior.
Nesse cenário, semicondutores, inteligência artificial, comércio eletrônico e redes sociais podem encontrar um ambiente favorável. Já uma eventual manutenção do controle republicano nas duas casas pode aumentar o interesse por tecnologia de defesa e manter os investimentos em segurança nacional. Empresas financeiras e fintechs também podem ser beneficiadas por uma agenda de desregulamentação.
Diferenças de cenários
Apesar das diferenças entre os cenários, a Global X ressalta que o resultado eleitoral não deve ser analisado de forma isolada para a tomada de decisões de investimento. Historicamente, desde 1990, os mercados acionários tiveram desempenho positivo nos 12 meses seguintes a todas as eleições de meio de mandato, com retorno médio de 14% no período.
O histórico também mostra que, nos cinco episódios desde 1990 em que as eleições de meio de mandato resultaram na divisão de um governo anteriormente unificado, o S&P 500 avançou nos 12 meses seguintes, com retorno médio de 12%. Para a Global X, os dados reforçam a necessidade de diferenciar os efeitos de curto prazo do calendário eleitoral das tendências estruturais que influenciam os mercados.
Crédito da imagem – Magnific








