Aprenda a negociar o reajuste do valor do aluguel

Aprenda a negociar o reajuste do valor do aluguel

Entenda como é feito o cálculo e como fechar um bom acordo com o locatário do imóvel

Quem paga aluguel sabe que o reajuste anual pode comprometer o orçamento familiar. Nesse cenário, é importante saber que há maneiras de amenizar este possível acréscimo e, assim, manter o compromisso de pagamento em dia, sem precisar ter que se mudar de imóvel ou passar por apuros.

Para ajudar você a saber tudo sobre o reajuste de aluguel, Suellen Ventura, Gerente Jurídico da Recovery, empresa do Grupo Itaú e líder na gestão de créditos inadimplentes no Brasil, detalha como negociar essa taxa de aluguel.

Entenda como funciona o reajuste de aluguel

De acordo com a Lei 8.245/91, também conhecida como Lei do Inquilinato, esse reajuste pode acontecer anualmente na data em que o contrato de locação foi assinado (que pode ser diferente do dia fixado para pagamento do aluguel). É importante que inquilinos e proprietários estejam cientes desta informação, além de entender bem como funciona esse reajuste.

O reajuste deve ser feito com base no índice que foi acordado no contrato de locação. Em geral, é realizado com base em índices de inflação como o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) ou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que são divulgados todos os meses pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Conheça o cálculo do reajuste do aluguel

O cálculo do reajuste de aluguel é simples e deve ser realizado com base no percentual do índice previsto no contrato, como o IGP-M ou IPCA. Para explicar como deve ser feito o cálculo vamos a um exemplo na prática: suponhamos que o seu aluguel tenha o valor de R$ 1.500,00, o aniversário do contrato seja em fevereiro de 2025 e o IGP-M desse mês seja 3,79%.

Para fazer o cálculo, é necessário converter o índice acumulado em número decimal (0,0379) e somá-lo a 1.  E, depois, o valor atual do aluguel deve ser multiplicado pelo resultado dessa soma. Veja:

R$1.500,00 × (1 + 0,0379) = R$1.556,85

Feito isso, temos o valor reajustado de R$1.556,85, que deverá ser praticado todos os meses até o próximo reajuste, daqui a um ano. Vale reforçar que esse é um cálculo praticado com frequência pelo mercado.

Argumentos para negociar reajuste de aluguel

Quem paga aluguel sabe bem que esse é um dinheiro que precisa ser administrado com bastante atenção, não é mesmo? Para isso, a melhor alternativa é manter sempre o compromisso em dia, assim possibilitando uma melhor negociação com o proprietário do imóvel ou com a imobiliária que administra o bem.

No cenário ideal, é importante buscar um equilíbrio que seja favorável para ambas as partes do contrato. Dessa forma, não há prejuízo para o proprietário, que mantém seu imóvel alugado, e nem para o locatário, que ainda paga um preço que cabe no seu bolso. Afinal, para o proprietário, é melhor manter um inquilino que paga em dia e conserva o imóvel, do que mantê-lo fechado, não é mesmo?

Caso locador e locatário queiram acordar pela isenção do reajuste do aluguel ou pela negociação em periodicidade maior e/ou taxas menores, isso é permitido por lei, mas é importante que sempre seja formalizado, em especial se forem condições diversas do contrato assinado.

Considere o IPCA como aliado para o reajuste do aluguel

Popularmente conhecido como “inflação do aluguel”, o IGP-M foi por muitos anos usado para reajustar os aluguéis. Mas, por ter apresentado altas expressivas ao longo dos anos, alguns locatários e inquilinos passaram a utilizar o IPCA como aliado.

Para você ter uma ideia, a partir do segundo semestre de 2020, o IGP-M começou a crescer de forma exponencial. Esse índice chegou a alcançar 37% em maio de 2021. Já o IPCA apresentou um crescimento moderado e mais estável durante esse período. Mas, para quem mora de aluguel, é preciso ficar sempre atento, pois em setembro de 2021, por exemplo, o IPCA ultrapassou o patamar de 10% nos últimos 12 meses pela primeira vez.  Logo, negociar a aplicação do menor índice é fundamental para economizar no reajuste do aluguel.

“Caso não consiga um bom acordo, cabe a você buscar um imóvel que se encaixe melhor no seu orçamento. Também é importante manter o diálogo constante com o proprietário e a imobiliária, isso os ajuda a entender melhor a sua situação e, sendo um bom pagador, fica mais fácil negociar”, conclui Suellen, da Recovery.

Crédito da foto: ShutterStock

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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