Fiep critica medidas compensatórias para recuo no aumento do IOF

Fiep critica medidas compensatórias para recuo no aumento do IOF

Para a entidade, governo federal segue tentando promover o ajuste das contas públicas exclusivamente pelo aumento da carga tributária do setor produtivo

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) divulgou, nesta terça-feira (10), uma nota de posicionamento em que questiona as alternativas apresentadas pela equipe econômica do governo federal para a compensação da perda de receita decorrente da reversão do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para a Fiep, trata-se de “mais uma tentativa de promover o ajuste das contas públicas única e exclusivamente através do aumento de receitas decorrente do aumento da carga tributária do setor produtivo”.

Por isso, a entidade defende a revogação das medidas em relação ao IOF, afirmando que elas devem ser compensadas por meio da redução de despesas públicas. “Chegou o momento de enfrentar esse desafio, de olhar o orçamento também pelo lado das despesas, garantindo a continuidade do desenvolvimento econômico no curto, médio e longo prazo”, conclui a Fiep.

Confira a íntegra do posicionamento:

POSICIONAMENTO – MEDIDAS COMPENSATÓRIAS PARA RECUO NO AUMENTO DO IOF

A Federação das Indústrias do Estado do Paraná, diante das manifestações da equipe econômica do Governo Federal nos últimos dias, sobre as alternativas a serem apresentadas para a compensação da perda de receita decorrente da reversão do aumento do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras, vem manifestar sua completa irresignação com mais uma tentativa de promover o ajuste das contas públicas única e exclusivamente através do aumento de receitas decorrente do aumento da carga tributária do setor produtivo.

Dentre as medidas já anunciadas pelo Governo Federal, estão (i) elevação da alíquota de Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio; (ii) fim da isenção dos rendimentos de LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e LCA (Letras de Crédito do Agronegócio); (iii) cobrança de alíquota mínima sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDIC); (iv) aumento da alíquota sobre a receita bruta empresas de apostas; e aumento da CSLL para instituições financeiras.

Mais uma vez, o que já se tornou a tônica dos últimos anos, buscam-se medidas de equilíbrio fiscal única e exclusivamente pela alternativa do incremento de receita das contas públicas, através do aumento da tributação do setor produtivo ou dos seus meios de financiamento. A recente alternativa proposta, de acabar com a isenção dos rendimentos de LCI e LCA demonstra-se absolutamente descolada da realidade do país cuja taxa básica de juros está atualmente em 14,75% ao ano.

Não há mais espaço para o Governo Federal continuar empilhando medidas de viés arrecadatório, sem considerar qualquer alternativa de redução de gastos públicos. A dívida pública brasileira vem apresentando crescimentos nos últimos anos, seja em termos nominais, seja em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o que torna a preocupação com gastos públicos ainda mais relevante.

É fundamental que sejam enfrentadas medidas estruturantes do orçamento público, de maneira honesta, corajosa e responsável, sob pena de no curto e médio prazo, não haver mais qualquer espaço para realizar o ajuste das contas públicas mediante o aumento da tributação. É urgente a revisão dos gastos públicos, antes que o mantra do “gasto é vida” implique na morte do setor produtivo brasileiro.

Nesse cenário, a urgente e necessária revogação das equivocadas e precipitadas medidas em relação ao IOF deve ser compensada através da redução de despesas, enfrentando questões sensíveis que comprometem o orçamento público e o desenvolvimento do país. Chegou o momento de enfrentar esse desafio, de olhar o orçamento também pelo lado das despesas, garantindo a continuidade do desenvolvimento econômico no curto, médio e longo prazo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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