5 ciladas financeiras cometidas por empreendedores no varejo

5 ciladas financeiras cometidas por empreendedores no varejo

Especialista aponta os principais equívocos e explica como proteger as finanças das empresas do setor

A sobrevivência e o crescimento de um negócio varejista dependem de uma gestão financeira eficiente. No entanto, muitos empreendedores ainda caem em armadilhas que poderiam ser facilmente evitadas. Uma pesquisa do Sebrae aponta que 48% das micro e pequenas empresas fecham as portas por falhas ligadas ao planejamento financeiro e à falta de controle do caixa. Outro dado alarmante do IBGE revela que cerca de 60% das empresas no Brasil encerram suas atividades em até cinco anos, evidenciando que a má gestão é um fator crítico.

O contexto macroeconômico adiciona uma camada de desafio. No início de 2025, o Brasil registrou 7,2 milhões de empresas inadimplentes, o que corresponde a 31,6% dos negócios ativos no país, com o setor de Comércio sendo o segundo mais impactado, de acordo com levantamento da FecomércioSP. Diante dessa realidade, a profissionalização da gestão deixa de ser um diferencial e se torna uma condição necessária para que os negócios sigam operando de forma sustentável.

“A paixão pelo produto e o bom atendimento são essenciais, mas sem uma visão clara dos números, o varejista opera no escuro e corre o risco de ver seu esforço ser drenado por erros básicos de gestão. Muitas dessas falhas são silenciosas e, quando os sintomas aparecem, o caixa já está comprometido. O objetivo é atuar de forma preventiva, organizando a casa antes que a tempestade possa chegar”, afirma o sócio da F360, maior plataforma de gestão financeira para franquias e redes varejistas do país, Maurício Galhardo.

Para auxiliar os lojistas a navegar neste ambiente desafiador, Galhardo aponta cinco ciladas financeiras comuns e revela como evitá-las. Confira:

  1. Misturar as finanças pessoais com as contas da empresa

Essa é uma das armadilhas mais comuns e perigosas. Quando o dinheiro do caixa é usado para pagar uma despesa pessoal ou o lucro da empresa se confunde com o salário do dono, perde-se a visibilidade sobre a real lucratividade do negócio.

“O dono da loja paga a mensalidade da escola do filho diretamente da conta da empresa. No fim do mês, o balanço não reflete a performance real do negócio, mascarando prejuízos ou uma lucratividade menor que a esperada”, exemplifica o sócio da F360.

  1. Gerenciar com base na intuição, sem registros formais

Muitos varejistas experientes confiam no “feeling” para tomar decisões. Embora a experiência seja valiosa, a falta de dados estruturados para comprovar a intuição pode levar a erros estratégicos caros.

“Integrando dados de vendas, despesas e recebíveis, e com relatórios e dashboards inteligentes que mostram em tempo real quais produtos são mais rentáveis, como está o fluxo de caixa e a projeção de faturamento, é possível tomar decisões em informações concretas”, analisa Galhardo.

  1. Centralizar todas as decisões financeiras no dono

O empreendedor que concentra todas as tarefas financeiras, do pagamento de contas à conciliação de cartões, gasta um tempo precioso que deveria ser dedicado à estratégia do negócio, como buscar novos fornecedores, treinar a equipe e pensar na expansão.

“O proprietário de uma pequena rede de lojas passa as manhãs conferindo manualmente as taxas de cartão e os extratos bancários. Automatizando a conciliação de vendas em cartão e a gestão de contas a pagar e receber, o gestor pode focar em análises estratégicas e na tomada de decisões que realmente impulsionam o crescimento”, explica o especialista.

  1. Não definir responsabilidades entre a equipe interna e terceirizada

É comum que o varejista acredite que a responsabilidade pela saúde financeira do negócio é exclusiva do contador. A falta de um escopo claro sobre as entregas e responsabilidades de cada parte gera ruídos e deixa lacunas na gestão.

O empresário precisa ter uma visão diária e em tempo real da sua operação. Se a informação fica dispersa e sem saber o que está dentro e fora da organização, os problemas podem começar a surgir, como descobrir que falta dinheiro para pagar os salários quando a data se aproxima”, analisa Galhardo.

  1. Resistir à adoção de tecnologia na gestão

Ainda hoje, muitos negócios gerenciam suas finanças em cadernos ou planilhas complexas e, portanto, suscetíveis a erros. Essa resistência à digitalização gera ineficiência, insegurança e impede uma visão estratégica do negócio.

“Uma loja que usa planilhas para o controle de caixa depende de preenchimento manual. Um simples erro de digitação em uma fórmula pode gerar uma visão distorcida do lucro, levando o gestor a fazer retiradas maiores do que deveria ou a investir com base em uma premissa falsa”, conclui o sócio da F360.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *