8 ações que o Open Finance realiza e você provavelmente desconhecia

8 ações que o Open Finance realiza e você provavelmente desconhecia

Sistema do Banco Central já reúne mais de 62 milhões de consentimentos ativos, mas 55% dos brasileiros ainda desconhecem seus benefícios completos

O Open Finance, sistema implementado pelo Banco Central do Brasil em 2021, ainda é, para muitos brasileiros, apenas uma evolução do PIX. Mas ele vai muito além disso. Trata-se de um ecossistema capaz de transformar profundamente a vida financeira dos consumidores, oferecendo soluções inovadoras que, muitas vezes, passam despercebidas.

Em janeiro de 2025, o sistema já registrava mais de 62 milhões de consentimentos ativos — um crescimento de 44% em relação aos 43 milhões contabilizados em janeiro de 2024, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Ainda assim, 55% dos brasileiros afirmam não conhecer em detalhes o funcionamento do Open Finance, de acordo com o Datafolha, mesmo quando já se beneficiam indiretamente das suas funcionalidades.

Para Murilo Rabusky, diretor de negócios da Lina Open X, a evolução é apenas o começo: “A confiança no ecossistema e a educação financeira são desafios importantes, mas que tendem a ser superados conforme o modelo avança. Os números são a prova disso: os 57,6 milhões de consentimentos ativos em 2024 mostram um crescimento consistente. A expectativa é de que o sistema alcance uma parcela ainda maior da população em 2025, desde que sejam feitas campanhas de conscientização eficazes e criados modelos de negócios que convertam o compartilhamento de dados em benefícios práticos para o consumidor”, afirma.

Protagonismo nacional e internacional

O avanço do Open Finance brasileiro tem atraído atenção global. O Banco Central, em parceria com fintechs e grandes bancos, colocou o país no centro do debate sobre inovação financeira, com participação em fóruns como o G20 TechSprint, onde apresentou soluções voltadas para a inclusão financeira, uma das principais promessas desse novo modelo.

“Produtos como microsseguros e linhas de crédito direcionadas, que chegam a populações historicamente excluídas, são exemplos do potencial do Open Finance para tornar o mercado financeiro mais dinâmico, inclusivo e centrado no cliente”, completa Rabusky.

Benefícios práticos do Open Finance que quase ninguém conhece

  1. Combate ao endividamento com visão financeira completa

O Open Finance permite que aplicativos e plataformas de gestão financeira tenham acesso completo aos dados bancários do usuário (com sua autorização), criando um panorama real de receitas, gastos e dívidas. Muitas pessoas se endividam porque não têm controle sobre suas finanças espalhadas em diferentes bancos. O Open Finance centraliza essas informações, facilitando o planejamento.

  1. Acesso a crédito mais barato e personalizado

O compartilhamento de dados elimina a assimetria de informações entre instituições, permitindo análises mais precisas do perfil de risco. Com isso, quem tem bom histórico pode ter acesso a juros menores e condições mais vantajosas, não apenas em grandes bancos, mas também em fintechs e instituições regionais.

  1. Renegociação de dívidas mais eficiente

Plataformas especializadas conseguem criar propostas de renegociação mais realistas, baseadas na capacidade de pagamento real do consumidor. Isso evita acordos inviáveis que podem levar a novos inadimplementos.

  1. Comparação automática de produtos financeiros

Graças ao Open Finance, comparadores online podem apresentar, em tempo real, as melhores opções de conta corrente, cartão de crédito, investimentos e empréstimos, considerando o perfil específico de cada pessoa. Isso democratiza uma informação que, até pouco tempo atrás, era restrita a clientes premium.

  1. Portabilidade instantânea de relacionamento bancário

Mudar de banco ou instituição financeira deixou de ser um processo burocrático. Hoje, todo o histórico financeiro pode ser transferido em minutos, incluindo investimentos, seguros e planos de previdência, facilitando a busca por serviços mais vantajosos.

  1. Prevenção contra fraudes e golpes financeiros

Com o acesso autorizado aos dados, sistemas de segurança conseguem monitorar transações em tempo real e detectar padrões suspeitos, alertando imediatamente o usuário e reduzindo o risco de fraudes.

  1. Investimentos mais inteligentes e personalizados

Em vez de se basear apenas em questionários de perfil de investidor, o Open Finance permite analisar o comportamento financeiro real do usuário, oferecendo recomendações alinhadas à sua capacidade de poupança e aos seus objetivos de vida.

  1. Maior segurança no compartilhamento de dados

Todos os processos seguem padrões rigorosos de segurança definidos pelo Banco Central, utilizando criptografia de ponta. O consumidor tem controle total sobre quais instituições podem acessar seus dados e por quanto tempo, reduzindo significativamente os riscos de exposição indevida.

Convertendo desafios em oportunidades

Apesar dos avanços, um dos principais desafios do Open Finance é demonstrar valor imediato aos consumidores. Muitos ainda desconhecem os benefícios práticos do compartilhamento de dados financeiros, enquanto outros temem riscos como vazamentos de informações.

Segundo Rabusky, superar essas barreiras requer esforços direcionados para criar casos de uso que evidenciem os benefícios de forma clara, como a personalização de produtos, o aprimoramento da experiência dos clientes e a simplificação de processos. “Investir em casos de uso é essencial para que os consumidores percebam como o Open Finance pode proporcionar serviços mais vantajosos e adequados às suas necessidades”, explica.

A expectativa é que, até o final de 2025, a integração do Open Finance com outras áreas, como seguros e previdência, amplie ainda mais as possibilidades de personalização e inovação no mercado financeiro. “Mais do que uma revolução tecnológica, o Open Finance é um divisor de águas no acesso e na gestão de recursos, posicionando o Brasil como referência global no futuro do sistema financeiro”, finaliza Murilo Rabusky.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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