Veja como emitir nota fiscal para receber salários internacionais

Veja como emitir nota fiscal para receber salários internacionais

Especialista orienta sobre as regras para exportação de serviços e aponta dicas para evitar erros no processo

Em 2024, a contratação de talentos brasileiros por empresas estrangeiras cresceu 53%, colocando o Brasil na 5ª posição mundial em número de profissionais empregados por companhias internacionais, segundo levantamento da Deel. Impulsionado pelo trabalho remoto e pela remuneração em moedas mais fortes, esse movimento deve se intensificar nos próximos anos. Mas, junto com as oportunidades, surgem também desafios burocráticos.

De acordo com Eduardo Garay, CEO da TechFX, plataforma de câmbio especializada em profissionais brasileiros que recebem do exterior, a emissão correta de notas fiscais é determinante para garantir o recebimento sem surpresas: “O contratante estrangeiro dificilmente vai orientar o profissional sobre suas obrigações no Brasil. Cabe ao PJ entender como funciona a nota fiscal de exportação de serviços. Um erro nesse processo pode comprometer parte do ganho que parecia vantajoso”, alerta Garay.

Como funciona a nota fiscal de exportação de serviços

Sempre que um serviço é prestado, a nota fiscal deve ser emitida, mesmo quando o contratante está fora do país. Nesses casos, a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) deve ser registrada como exportação de serviços, operação geralmente isenta de ISS, PIS e Cofins.

A emissão costuma ocorrer após o pagamento, e bancos ou plataformas de câmbio pedem documentos que comprovem a transação, como contrato de prestação de serviços ou invoice. Isso garante a regularidade fiscal e a comprovação da receita no Brasil.

“O PJ precisa estar preparado para apresentar esses documentos. Só assim o recebimento internacional é aprovado pela instituição financeira e pelo Banco Central, evitando atrasos ou bloqueios”, reforça Garay.

Profissionais que recebem como pessoa física entram na tabela do Imposto de Renda, com alíquotas de até 27,5%. Já no caso de pessoas jurídicas, a carga tributária costuma ser menor. No regime de Lucro Presumido, por exemplo, exportadores de serviços pagam entre 11% e 16% sobre o faturamento. Como a operação é isenta de ISS, PIS e Cofins, a tributação efetiva pode cair quase pela metade, tornando-se mais vantajosa que a de pessoa física.

Garay lembra ainda que não há limite fixo de valor ou frequência para essas operações, mas transações muito altas ou fora do padrão, como bonificações e prêmios, podem exigir comprovação extra.

O passo a passo para emitir nota fiscal para o exterior

Emitir nota fiscal para serviços internacionais é simples, mas exige atenção a alguns pontos:

Natureza da operação: selecionar a opção de exportação de serviços (o nome pode variar conforme o sistema da prefeitura).

Tomador de serviço: como o contratante está fora do Brasil, campos como CNPJ e inscrição municipal ficam em branco. Algumas prefeituras aceitam “Exterior” como local de prestação do serviço.

Descrição: incluir a descrição do serviço em português e, de preferência, também em inglês.

Valor: a nota deve ser emitida em reais (BRL), considerando a cotação do dia da contratação ou da prestação. A conversão deve estar prevista em contrato ou documento de apoio.

Fintechs como aliadas no processo

Nos últimos anos, o Banco Central modernizou as regras de câmbio e autorizou fintechs a operar nesse mercado, ampliando a concorrência e reduzindo custos. Hoje, plataformas digitais oferecem acompanhamento em tempo real, transparência na taxa de câmbio e liquidação mais rápida do que bancos tradicionais.

Essa evolução traz previsibilidade e segurança para profissionais que recebem mensalmente do exterior. Soluções como a própria TechFX simplificam o processo, cuidando da burocracia do câmbio.

“Nosso objetivo é tornar o recebimento internacional tão simples quanto receber o salário de uma empresa nacional”, conclui Garay.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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