Reforma Tributária: ‘apagão fiscal’ ameaça 72% das empresas

Reforma Tributária: ‘apagão fiscal’ ameaça 72% das empresas

Pesquisa revela que maioria das companhias não está preparada para mudanças que entram em vigor em menos de dois meses, criando cenário de “caos tributário”

A menos de dois meses para o início da transição da Reforma Tributária, pesquisa V360 revela um dado alarmante: 72% das médias e grandes empresas do país não estão preparadas para as mudanças que entram em vigor em janeiro de 2026. Para especialistas, o cenário não é apenas preocupante, é um prenúncio de caos operacional que pode travar o faturamento e comprometer as operações das companhias.

O principal risco, segundo especialista em TI e CSMO da Logithink Fernando Brolo, não está onde a maioria das empresas está focando. Enquanto a atenção se volta para a capacidade de emitir a nova Nota Fiscal Eletrônica, o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” está no processo de entrada de documentos. “As empresas estão subestimando a complexidade de receber e processar as notas de seus fornecedores, que virão com cerca de 200 novos campos. Se o sistema de gestão (ERP) não souber ler e validar essas informações, o processo simplesmente para”, alerta Brolo. Ele detalha que as consequências práticas desse gargalo vão desde a mercadoria parada na portaria e a incapacidade do contas a pagar em liquidar a fatura até, o mais grave, a empresa não aproveitar os créditos tributários, gerando um impacto direto no fluxo de caixa.

A pesquisa, que ouviu 355 companhias de setores como varejo, indústria e agronegócio, expõe que 33,2% das empresas sequer discutiram internamente os impactos da reforma. Para Brolo, isso se deve a uma perigosa percepção equivocada sobre os prazos. “Muitos gestores olham para a data final de 2033 e criam uma falsa sensação de segurança. Isso é um erro estratégico fatal”, afirma. A verdade é que a “alíquota de teste” de 2026 já exige que todo o sistema esteja 100% funcional, operando em regime duplo com os tributos antigos e os novos.

“A virada de chave não é em 2033, é em janeiro de 2026”, reforça o Head de Consultoria e especialista em tributação da Logithink, André Lay. O estudo da V360 corrobora a análise, apontando que apenas 28,1% das companhias possuem um plano de adaptação estruturado, enquanto a maioria (47,9%) ainda opera com processos fiscais pouco automatizados.

Diante da iminência dos prazos, os especialistas da Logithink traçam um roteiro de ações emergenciais para os gestores que se encontram entre os 72% despreparados. Eles recomendam a criação imediata de um comitê de urgência que reúna líderes das áreas de TI, Fiscal, Financeira e de Suprimentos, pois a responsabilidade é multidepartamental. A partir daí, é preciso conduzir um diagnóstico para avaliar o nível de aderência dos sistemas e processos atuais, identificando os gaps e o tamanho do esforço necessário. O ponto mais crítico, segundo Brolo, é o replanejamento do orçamento de 2025, já que muitas empresas não provisionaram o projeto.

“Quando a urgência bater à porta, encontrarão um mercado com demanda altíssima, poucos profissionais qualificados e custos inflacionados. Este não é um custo, é um investimento na continuidade do negócio”, enfatiza.

A contagem regressiva não aponta apenas para um abismo de riscos, mas para uma bifurcação estratégica, como ressalta Brolo. De um lado, ficarão as empresas que, por inércia, enfrentarão o “apagão fiscal” e suas consequências operacionais. Do outro, estarão aquelas que enxergarem além da obrigação. Para estas, o investimento se converterá em uma vantagem competitiva duradoura, pavimentando o caminho para um negócio mais eficiente, automatizado e com uma governança de dados muito superior à dos seus concorrentes. No novo cenário tributário, a conformidade deixará de ser um custo para se tornar o próprio motor da competitividade.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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