Brasileiro estima gastar R$ 1.073,98, por mês em supermercados e divide as compras em até 4 redes

Pesquisa mostra que famílias fragmentam as compras de varejo alimentar entre supermercados, atacarejos e comércio local
A necessidade de equilibrar as contas de casa diante de uma inflação que ainda pressiona os alimentos tem moldado o comportamento do consumidor brasileiro. De acordo com a 5ª edição do Ranking de Preferência do Consumidor (RPI) 2026, estudo proprietário da Dunnhumby, empresa global de ciência de dados focada no varejo, as famílias brasileiras possuem um orçamento mensal médio de R$ 1.073,98 dedicado exclusivamente às compras de varejo alimentar.
Para garantir tudo o que precisam na despensa, os consumidores abriram mão da fidelidade a uma única bandeira. O levantamento mostra que o brasileiro visita, em média, 3,6 (quase 4) redes diferentes todos os meses. Na hora de escolher onde gastar, 74% dos consumidores frequentam supermercados tradicionais, enquanto 63% recorrem ao atacarejo na busca por preços mais agressivos.
O comportamento prático é reflexo de um bolso pressionado, uma vez que, segundo o retrato demográfico do estudo, 42% dos compradores possuem renda familiar de até R$ 3.499. Com a margem apertada, a tecnologia virou aliada da economia: o consumidor realiza uma média de 4 visitas mensais, somando lojas físicas e online, sendo que 61% daqueles que fazem compras online utilizam ativamente os aplicativos das próprias redes varejistas, uma tática comum para monitorar ofertas e resgatar descontos.
“O consumidor brasileiro precisa fazer um verdadeiro malabarismo para que a alimentação seja acomodada no orçamento familiar, que atende uma média de 3 pessoas. Estamos falando de um cenário econômico inflacionado e que sofre com tensões políticas nacionais e externas. O preço do feijão-carioca acumula uma alta de quase 53%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Todo esse contexto resulta na diversificação de redes de compras e procura por promoções”, avalia Alessandra Shima, Diretora de Desenvolvimento de Negócios da dunnhumby.
A redescoberta e a força do comércio local
Dentro dessa jornada de fragmentação de compras, o chamado comércio local – que engloba feiras, hortifrútis, açougues e padarias de bairro – assumiu um papel estratégico na mesa do brasileiro. Frequentado mensalmente por 36% dos consumidores, o comércio da vizinhança está, inclusive, capturando uma fatia maior do orçamento: 45% dos entrevistados afirmam gastar mais nestes estabelecimentos em comparação ao ano passado.
Essa migração de gastos tem uma justificativa atrelada à percepção de frescor e especialização. O comércio local é o destino favorito e líder absoluto quando o assunto são itens perecíveis: 73% dos consumidores escolhem o canal para a compra de frutas, legumes e vegetais (FLV) e 56% o priorizam para a compra de carnes.
Carrinho fragmentado: cada canal cumpre uma “missão”
A pesquisa da dunnhumby comprova que o brasileiro entendeu que nenhuma rede oferece tudo o que ele precisa pelo menor preço, dividindo suas compras por missões claras.
Enquanto o comércio local domina os produtos frescos, o atacarejo se consolidou como o local de abastecimento “pesado” do mês, liderando a penetração de categorias de volume como mercearia (66%) e produtos de limpeza (66%). Já os supermercados convencionais mantêm seu forte apelo na rotina diária e conveniência, liderando categorias como padaria (55%).
Por outro lado, canais 100% digitais (pure players) não são o destino principal para alimentos, mas ganham destaque expressivo em categorias de não-alimentos (roupas, eletrônicos), dominando a preferência de 62% dos compradores. Na ponta oposta da disputa pelo bolso, as lojas de conveniência são as que mais sofrem com a pressão no orçamento, sendo o canal com o maior encolhimento nos gastos: 44% dos consumidores afirmam estar gastando menos nestes locais hoje do que há um ano.
“Num cenário econômico restrito, o preço age como um ‘porteiro’: ele é o fator que define qual loja vai ganhar a visita inicial do cliente. Contudo, para realmente fazer o consumidor voltar e deixar uma fatia maior da sua renda, o varejo precisa ir além da guerra de preços e entregar diferenciais claros em sortimento, marcas próprias e disponibilidade”, finaliza Shima.








