CLT volta a crescer e supera ritmo de vagas PJ em 2025

CLT volta a crescer e supera ritmo de vagas PJ em 2025

Levantamento revela aumento de 16% nas vagas CLT e de 8,7% nas oportunidades PJ na comparação entre 2024 e 2025

O movimento de retorno dos brasileiros ao regime CLT tem se intensificado e o mercado confirma essa tendência. Dados exclusivos do Infojobs, site e aplicativo de empregos mais usado no Brasil, mostram que as vagas formais cresceram mais do que o dobro em número de oportunidades em comparação à modalidade PJ, entre 2024 e 2025. Enquanto as posições CLT avançaram 16% no período, as vagas para prestadores de serviço registraram alta de 8,7%.

O estudo foi realizado após o resultado da pesquisa da Central Única dos Trabalhadores (CUT), mostrar que 56% dos brasileiros que abriram o próprio negócio desejam voltar ao regime CLT. Os motivos que levaram muitos profissionais ao trabalho autônomo, como flexibilidade de horário, autonomia e a ideia de empreender, não se confirmaram na prática diante de baixa remuneração, alta competitividade e jornadas extensas.

De acordo com o levantamento, as oportunidades CLT passaram de 460 mil vagas em 2024 para mais de 530 mil em 2025, evidenciando um cenário de maior estabilidade, sobretudo em setores que retomaram contratações formais. Já as vagas para prestadores de serviço (PJ) subiram de 29 mil para 32 mil no mesmo período.No recorte salarial, os dados mostram diferenças importantes entre os regimes. Em 2024, a média salarial de posições CLT foi de R$ 2.401, enquanto para PJ chegou a R$ 3.980. Já em 2025, a tendência se manteve, com média salarial CLT de R$ 2.511 ante R$ 4.612 para contratos PJ. Ainda assim, a remuneração mais alta não tem sido suficiente para reter trabalhadores na modalidade autônoma.

“Quando olhamos para o avanço das vagas formais, vemos um movimento que vai além das escolhas dos profissionais. As empresas estão se reorganizando e retomando contratações efetivas porque entendem que os trabalhadores procuram segurança, benefícios e um horizonte mais estável. Esse retorno ao vínculo formal mostra uma maturação da gestão de pessoas, que passa a alinhar expectativas e criar ambientes mais sustentáveis para todos”, afirma Ana Paula Prado, CEO da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs.

Outro fator que impulsiona o retorno ao regime tradicional é a competição salarial. Apesar de mais altos, os valores PJ frequentemente não incluem benefícios como plano de saúde, vale-alimentação e férias remuneradas, o que reduz a atratividade no cálculo final. Para muitos profissionais, a conta não fecha, especialmente em um cenário de custos elevados e demanda instável.

Oportunidades por região

O Infojobs mapeou também a distribuição de oportunidades por região e São Paulo se destaca como o principal motor do mercado formal, com mais de 290 mil vagas CLT abertas em 2025, seguido por Rio Grande do Sul (47 mil), Minas Gerais (37 mil) e Paraná (31 mil).

Estados como Rio de Janeiro, Goiás e Espírito Santo também se destacam pela recuperação consistente, ampliando o volume de vagas em comparação com o ano anterior.

Para os trabalhos PJ, a concentração regional permanece elevada, mas com movimento de interiorização. Em 2025, São Paulo registrou 15 mil oportunidades para prestadores de serviços, seguido por Santa Catarina (1,7 mil), Rio Grande do Sul (2,5 mil) e Minas Gerais (1,7 mil).

Apesar de menores em volume absoluto, estados como Goiás, Bahia e Ceará vêm ganhando espaço nesse modelo, impulsionados por demandas crescentes em tecnologia, serviços especializados e consultorias. O Infojobs destaca que, embora o modelo PJ cresça em determinadas regiões, o ritmo é mais moderado quando comparado à expansão das vagas CLT.

Além disso, o site de empregos aponta que o mercado formal cresceu de forma mais distribuída no país em 2025 do que em 2024, refletindo movimentos de reabertura de vagas, reorganização empresarial e maior confiança na retomada econômica. Esse ambiente tem favorecido a criação de posições permanentes, especialmente em empresas de médio porte e em segmentos que dependem de estrutura interna e processos contínuos.

A pesquisa reforça a mudança de expectativa do trabalhador brasileiro, que volta a priorizar previsibilidade financeira e carga horária mais equilibrada. As empresas, por sua vez, devem priorizar a retenção de talentos cada vez mais ligada à oferta de vínculos formais, benefícios competitivos e planos de carreira.

“O que temos observado no Infojobs é que a tendência é de continuidade no crescimento das vagas CLT no próximo ano, especialmente em setores que dependem de equipes internas bem estruturadas, como serviços, varejo, logística, saúde e áreas administrativas. São segmentos que precisam de estabilidade para operar e, por isso, devem seguir impulsionando esse movimento”, afirma Ana Paula Prado.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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