Crédito estruturado deve liderar próximo ciclo de investimentos no Brasil em 2026

Crédito estruturado deve liderar próximo ciclo de investimentos no Brasil em 2026

Com juros estáveis, avanço regulatório e uso massivo de IA, o investidor brasileiro sai do “modo CDI” e mira ativos alternativos com lastro real

O mercado financeiro brasileiro vive um ponto de virada. Depois de anos em que a renda fixa tradicional dominou o portfólio do investidor local, o crédito estruturado emerge como protagonista do próximo ciclo de alocação. O ambiente de juros em patamar mais previsível, aliado ao avanço tecnológico e à maturação regulatória está acelerando a migração.

O investidor, antes satisfeito com retornos automáticos atrelados ao CDI, agora busca previsibilidade de fluxo, diversificação e prêmio pelo risco — e encontra nos FIDCs, ativos tokenizados lastreados em operações high yield uma nova fronteira.

Os números confirmam essa aceleração. Com crescimento exponencial, o patrimônio líquido da indústria de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) já soma R$ 820,7 bilhões, com 3.729 fundos operacionais, segundo dados da Uqbar. A perspectiva é de que o volume supere a casa de R$ 1 trilhão já em 2026. Somente até agosto de 2025, a Uqbar contabilizou a criação de 900 fundos.

No mercado primário, as emissões também apresentaram desempenho expressivo. Entre janeiro e setembro de 2025, os FIDCs que iniciaram operações nesse período movimentaram R$ 96,8 bilhões em emissões. Somente o período compreendido entre 27 de outubro e 6 de novembro de 2025 foi marcado pelo registro de 34 ofertas de cotas de FIDC, que totalizaram um volume de R$ 2,59 bilhões.

“Estamos entrando em uma fase de maturidade do mercado financeiro brasileiro e o crédito estruturado está no centro dessa transformação”, afirma Richard Ionescu, CEO da IOX, boutique de crédito especializada na originação e estruturação de teses de crédito high yield. “Depois de uma década em que o retorno era quase automático via renda fixa, o investidor agora exige método, governança e lastro real”.

A IOX é um exemplo desta tendência. Nos últimos três anos cresceu 90%, levando seu portfólio para R$ 2,3 bilhões, com retorno médio expressivo. A empresa estruturou uma vertical dedicada a fundos exclusivos, estratégia que vem impulsionando rentabilidade, diversificação de risco e escalabilidade do modelo.

O movimento faz parte de um contexto maior. Com o novo ciclo de juros, nem alto o suficiente para acomodação passiva, nem baixo o bastante para apostar apenas em equity, o mercado abre espaço para produtos híbridos: risco calculado, retorno acima da renda fixa e exposição indireta à economia real. Além disso, a evolução regulatória da CVM e o avanço dos instrumentos digitais, aumentaram a previsibilidade jurídica, considerada elemento crucial para que o investidor institucional amplie participação na classe.

“Democratizar ativos alternativos não é popularizar risco, é padronizar transparência. O foco não é volume, é qualidade: governança, garantia real e disciplina técnica”, explica o CEO da IOX.

Do lado das empresas, especialmente médias, o impacto é imediato: mais acesso, menos fricção, estruturas sob medida e capacidade de financiar expansão sem depender exclusivamente dos grandes bancos. A IOX atua na ponta operacional da cadeia, com foco em empresas que antecipam recebíveis como forma de acesso a crédito.

“Estamos na ponta, ao lado das empresas, trabalhando com soluções personalizadas de antecipação de recebíveis que garantem liquidez imediata e previsibilidade financeira em um ambiente cada vez mais instável”, explica Ionescu.

Entre as apostas da casa está o recém-lançado FIDC IOX Real, estruturado para se tornar um dos maiores da casa nos próximos dois anos, com potencial de atingir R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões em poucos anos. A tese envolve garantias imobiliárias, modelo considerado benchmark no mercado de crédito privado.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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