Empresas têm até o fim deste mês para entregar Declaração de Igualdade Salarial

Empresas têm até o fim deste mês para entregar Declaração de Igualdade Salarial

Obrigação atinge estabelecimentos com 100 ou mais empregados e é base legal para o Relatório de Transparência Salarial

Em fevereiro, volta ao radar das empresas uma obrigação que vai além do cumprimento formal da legislação trabalhista: a entrega da Declaração de Igualdade Salarial, exigida de estabelecimentos com 100 ou mais empregados. O envio deve ser feito pelo Portal Emprega Brasil – Empregador e integra o primeiro ciclo de 2026 do Relatório de Transparência Salarial, previsto na Lei nº 14.611/2023.

O prazo final para a transmissão da declaração é 28 de fevereiro. No entanto, como a data coincide com um sábado, especialistas recomendam atenção redobrada. “Embora o sistema aceite o envio até o dia 28, a orientação preventiva é que as empresas não deixem para o último momento e realizem a entrega até o dia 27, evitando riscos operacionais”, alerta Katiane dos Santos, especialista trabalhista da Econet Editora.

A obrigatoriedade alcança estabelecimentos que, em 31 de dezembro de 2025, possuíam 100 ou mais empregados. Apesar de a lei utilizar o termo “empresa”, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) considera, para fins de fiscalização, os dados do eSocial por estabelecimento. Essa interpretação tem surpreendido empregadores com filiais ou unidades descentralizadas.

Outro ponto de atenção é a chamada “trava sistêmica” do Emprega Brasil. O próprio sistema indicará automaticamente se o estabelecimento está obrigado ou não a preencher a declaração. “Se, ao acessar o portal, a empresa não conseguir avançar no preenchimento, isso significa que, na data-base, aquele estabelecimento não atingiu o número mínimo de empregados”, explica Katiane.

Empresas que deixaram de cumprir a obrigação em anos anteriores ainda devem entregar a declaração neste ciclo, caso estejam enquadradas na regra atual. No entanto, o sistema não permite o preenchimento ou a retificação de dados de exercícios passados. “A ausência de envio em anos anteriores não é corrigida agora, mas pode ser questionada em uma eventual fiscalização”, ressalta a especialista.

A Declaração de Igualdade Salarial reúne informações sobre critérios remuneratórios, políticas de promoção, ações voltadas à igualdade entre homens e mulheres, além de dados sobre compartilhamento de responsabilidades familiares. Essas informações subsidiam o Relatório de Transparência Salarial, que será disponibilizado pelo MTE a partir de 17 de março.

Após a divulgação oficial, as empresas obrigadas deverão publicar o relatório até 31 de março, em seus canais institucionais. O descumprimento tanto da entrega da declaração quanto da divulgação do relatório pode resultar em multas administrativas, além de exposição reputacional.

Para Katiane dos Santos, o tema exige mais do que atenção ao prazo. “Não se trata apenas de cumprir uma obrigação acessória. A declaração e o relatório de transparência refletem a política interna da empresa e podem gerar questionamentos trabalhistas, sindicais e até de imagem. Por isso, o preenchimento precisa ser técnico, coerente e alinhado à realidade do estabelecimento”, conclui.

Mais do que cumprir um calendário legal, a Declaração de Igualdade Salarial exige atuação coordenada entre gestores e equipes de RH, com leitura crítica dos dados e alinhamento às políticas internas de remuneração e diversidade. O material enviado ao governo se transforma em informação pública e pode influenciar fiscalizações, negociações trabalhistas e a própria percepção do mercado sobre a empresa. Em um cenário de crescente cobrança por transparência e equidade, especialistas alertam que tratar o processo como mera obrigação acessória é um risco, enquanto utilizá-lo como ferramenta de diagnóstico pode ser um diferencial de governança e credibilidade corporativa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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