Nova regra do PIX impõe desafios de rastreabilidade para fintechs e bancos menores

Exigência que passa a valer em fevereiro pressiona instituições a rever processos de antifraude e compliance
Com a entrada em vigor do MED 2.0, a partir do dia 2 de fevereiro, mecanismo do Banco Central que amplia o processo de devolução de valores em transações via PIX, instituições financeiras passarão a operar sob um novo patamar de exigência técnica e regulatória. A atualização, formalizada pela Resolução BCB nº 493/2025, prevê rastreabilidade em cadeia, bloqueios em múltiplas contas receptoras e contestação automatizada, desafiando estruturas fragmentadas de prevenção a fraudes.
Para Rafaela Helbing, CEO e cofundadora da Data Rudder, empresa especializada em inteligência antifraude, a nova regra evidencia que a eficiência na recuperação de valores não pode depender de processos isolados ou de ações reativas. “Instituições que conseguem recuperar valores com mais agilidade e consistência não tratam o MED 2.0 como um evento, mas como consequência direta de uma operação bem monitorada”, afirma a executiva.
Mudanças
Entre as principais mudanças do MED 2.0 está a possibilidade de bloqueio e apuração de contas para além do primeiro recebedor, o que reforça o monitoramento de risco de uso de contas laranja, ou contas de passagem. Isso exige que as instituições envolvidas consigam preservar o contexto transacional de cada operação, configurando um desafio ainda maior para os participantes que tratam crimes financeiros de maneira dissociada. “Quando antifraude e PLD (Prevenção à Lavagem de Dinheiro) atuam de forma separada, perde-se histórico, consistência e velocidade de resposta. A integração entre essas frentes não é apenas desejável, mas passa a ser um requisito operacional diante da nova regra”, aponta Rafaela.
A Data Rudder sustenta essa abordagem a partir de uma arquitetura de monitoramento nativa no ecossistema PIX, com APIs que integram inteligência antifraude, compliance regulatório e detecção de padrões de contaminação entre contas.
Impacto direto
A obrigatoriedade de resposta ágil às notificações de suspeita de fraude, que podem agora ser iniciadas diretamente por clientes via aplicativo, coloca instituições financeiras sob pressão para revisar fluxos internos e atualizar camadas de rastreamento. Segundo dados do próprio BC, cerca de 9% dos valores fraudados via PIX eram recuperados no modelo anterior do MED. A versão 2.0 busca ampliar essa taxa com mais interoperabilidade e bloqueios em cadeia, mas vai depender da capacidade técnica dos participantes.







