Trabalhar por apps oferece estabilidade e ganhos maiores

Contribuição dos aplicativos pode reduzir em até um ponto percentual a taxa de desemprego
Enquanto o mercado de trabalho formal brasileiro segue marcado por alta rotatividade e longos períodos de desemprego, os aplicativos de intermediação de serviços surgem como um ponto de equilíbrio para milhões de trabalhadores. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) revela que, mesmo com a renda flutuante típica dessas plataformas, motoristas, entregadores e prestadores de serviços encontram maior estabilidade financeira e acesso imediato a oportunidades, em comparação com grande parte dos trabalhadores do mercado tradicional.
A análise mostra que o diferencial não está na constância do ganho mensal, mas na mitigação do risco de períodos sem remuneração. Para quem não atua em plataformas digitais, a perda de um emprego ou o insucesso de um negócio geralmente resulta em ausência total de renda. Já o trabalhador por aplicativo, mesmo diante de oscilações na demanda, mantém uma fonte ativa de ganhos, funcionando como um “colchão” contra o desemprego estrutural, que afeta principalmente pessoas com menor escolaridade.
O estudo destaca que essa dinâmica dialoga com a rotatividade histórica do mercado formal. Uma parcela significativa da população com ensino médio ou menos transita rapidamente entre empregos formais e informais, intercalando períodos prolongados de desocupação. Nesse contexto, a atuação em plataformas digitais reduz de forma relevante essas lacunas. Segundo o Ibre/FGV, a contribuição dos aplicativos pode reduzir em até um ponto percentual a taxa de desemprego. O índice de 5,2% registrado em novembro de 2025, por exemplo, poderia alcançar 6,2% sem esses serviços.
Levantamento do GigU mostra que a renda líquida dos motoristas varia conforme a cidade e a carga horária semanal. Em São Paulo, um profissional que trabalha 60 horas por semana registra lucro médio de R$ 4.252,24 após a dedução de custos como combustível e IPVA. No Rio de Janeiro, o valor médio é de R$ 3.304,93 para uma jornada de 54 horas semanais, enquanto em Belo Horizonte o lucro gira em torno de R$ 3.554,58 na mesma carga horária. “É uma jornada de trabalho exigente, mas a autonomia e a rentabilidade, que superam algumas ocupações tradicionais, acabam sendo grandes atrativos”, afirma Luiz Gustavo Neves, co-fundador e CEO da plataforma.
A economia dos aplicativos, portanto, consolida um novo modelo de trabalho, menos binário e mais flexível, no qual o profissional pode escolher quando e como gerar renda. Para a população de menor escolaridade, historicamente mais exposta à instabilidade, essas plataformas oferecem simultaneamente acesso a dinheiro imediato, estabilidade relativa e potencial de ganhos superiores aos de parte do mercado formal.







