O desconto não convence mais ninguém. Quem vende, hoje, é a confiança

O desconto não convence mais ninguém. Quem vende, hoje, é a confiança

Especialista em marketing estratégico analisa por que o impulso perdeu espaço para a comparação

Liquidações antecipadas, campanhas agressivas, contagem regressiva no banner. O varejo brasileiro nunca produziu tanto estímulo promocional. E, paradoxalmente, nunca converteu tão pouco por impulso. O consumidor de 2026 aprendeu a filtrar, comparar e proteger o próprio orçamento. O excesso de promoções não acelerou a decisão de compra, ele a tornou mais lenta, mais racional e mais exigente. Para Jovana Menezes, especialista em marketing estratégico, as marcas que ainda apostam em gatilhos emocionais vazios estão falando sozinhas.

“O excesso de campanhas emocionais criou um consumidor mais cético. Ele foi bombardeado tantas vezes com urgência forçada e ofertas vazias que aprendeu a não acreditar. Agora, antes de comprar, ele investiga”, afirma Jovana.

O que explica essa virada no comportamento

Segundo a especialista, a mudança não aconteceu de uma hora para outra — ela foi construída por uma combinação de fatores que pressionaram o consumidor a ser mais criterioso. A inflação dos últimos anos obrigou famílias a controlarem o orçamento com mais rigor, criando um hábito de cautela que permanece mesmo quando a situação financeira melhora. Ao mesmo tempo, a democratização dos comparadores de preço, os aplicativos de cashback e o acesso imediato a avaliações e reviews tornaram a pesquisa antes da compra não apenas possível, mas natural. O consumidor que antes comprava pela emoção do momento agora compra pela segurança da informação.

“O consumidor não quer ser convencido. Ele quer se sentir seguro. Existe uma diferença enorme entre esses dois estados e as marcas que ainda não perceberam isso continuam investindo em persuasão quando deveriam investir em confiança.”

O erro que as marcas continuam cometendo

Jovana observa que grande parte das campanhas promocionais ainda replica uma lógica ultrapassada: urgência forçada, contagem regressiva, desconto sem contexto e apelos emocionais desconectados da realidade do produto. Essa abordagem pode gerar cliques, mas raramente gera fidelização. Pior: quando o consumidor percebe que a urgência era fabricada ou que o desconto era inflado, a marca perde não apenas a venda, mas a credibilidade. E credibilidade, no ambiente digital, é o ativo mais difícil de recuperar.

“Hoje, quem compra rápido é exceção, não regra. E a marca que projeta sua campanha pensando na exceção vai frustrar a maioria”, destaca a especialista.

O que realmente funciona com o novo consumidor

Para Jovana, as marcas que performam melhor nesse novo cenário compartilham uma característica em comum: comunicam com clareza, não com pressão. Isso significa explicar o valor por trás do preço, mostrar os bastidores do produto, apresentar provas sociais reais e construir uma narrativa que faça sentido para o consumidor antes mesmo de ele chegar à página de compra. Transparência virou estratégia. E o pós-venda historicamente tratado como custo passou a ser uma das ferramentas mais poderosas de reputação e recompra.

“O marketing que funciona hoje não grita. Ele sustenta. Sustenta uma promessa, uma entrega, uma relação. Marca que grita demais geralmente tem pouco a dizer.”

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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