Cassinos em 2026: o que está no Senado e os sinais do mercado global

Cassinos em 2026: o que está no Senado e os sinais do mercado global

 Projeto prevê que os cassinos deverão funcionar em complexos integrados de lazer e em embarcações

Atualmente, está em discussão no Senado Federal um projeto de lei que prevê a autorização do funcionamento de cassinos e bingos físicos no Brasil, tema que vem gerando debate político e econômico no país.

A proposta em análise é o Projeto de Lei nº 2.234/2022, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, inclusive na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), e agora aguarda deliberação final no Senado.

Projeto de Lei nº 2234/2022

Diferente dos cassinos online, a proposta em tramitação prevê a regulamentação da instalação de cassinos e bingos físicos no Brasil, com o objetivo de legalizar a atividade e impor regras específicas de funcionamento, fiscalização e arrecadação, conforme estabelecido em lei. Jogue com responsabilidade.

O projeto inclui a autorização de cassinos e bingos no Brasil, a legalização do jogo do bicho e apostas em corridas de cavalo.

Cassinos

Caso a proposta seja aprovada e implementada, ficará autorizada a instalação de cassinos em regiões turísticas ou em complexos integrados a resorts e hotéis de alto padrão, com mais de 100 quartos.

No texto, foi incluída uma emenda com algumas regras. Veja a seguir:

  • Os cassinos deverão funcionar em complexos integrados de lazer — hotéis e resorts de luxo — e em embarcações destinadas a essa finalidade;
  • Limite de um cassino em cada estado e no Distrito Federal, exceto em São Paulo, que poderá ter três cassinos, e em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazonas e Pará, que poderão ter dois cada um, devido ao tamanho da população ou do território;
  • Até 10 embarcações marítimas em todo o país e navios fluviais com pelo menos 50 quartos, seguindo exigências de limitação de extensão.
  • Para operar no Brasil, cada cassino precisará comprovar capital social mínimo de R$ 100 milhões. A autorização para atuar legalmente valerá por 30 anos, renováveis por igual período.

Bingos

O texto prevê a legalização do jogo de bingo em locais fixos, tanto na modalidade de cartela física quanto nas modalidades eletrônicas.

A proposta autoriza a abertura de uma casa de bingo por município, com a possibilidade de um novo estabelecimento a cada 150 mil habitantes em cidades de maior porte.

A autorização de funcionamento será de 25 anos, renovável por igual período. Para operar, as empresas deverão comprovar capital social mínimo de R$ 10 milhões.

Jogo do bicho e corridas de cavalo

O jogo do bicho também está contemplado no texto em tramitação no Senado Federal. A proposta estabelece o credenciamento de uma pessoa jurídica a cada 700 mil habitantes em cada estado para explorar a atividade. 

As empresas interessadas deverão comprovar capital social mínimo de R$ 10 milhões e terão autorização para atuar por 25 anos, com possibilidade de renovação por igual período.

Tributação e fiscalização

O Projeto de Lei nº 2.234/2022 tem como objetivo fiscalizar e prevenir o jogo ilegal e impedir que entidades clandestinas lucrem ou gerem riscos financeiros e sociais para a população.

Além disso, estima-se a criação de dois novos tributos: Taxa de Fiscalização de Jogos e Apostas (Tafija) e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a comercialização de jogos e apostas (Cide-Jogos).

De forma objetiva, a Tafija terá cobrança trimestral, com valores diferentes: R$ 600 mil para cassinos, R$ 300 mil para plataformas de jogos online e R$ 20 mil para casas de bingo, operadores do jogo do bicho e entidades de apostas em corridas de cavalo. 

Já a Cide-Jogos poderá ter alíquota de até 17%, incidindo sobre a atividade econômica do setor. Com isso, espera-se que o país tenha uma arrecadação potencial de R$ 22 bilhões por ano.

Perspectiva de Mercado

Falando sobre as perspectivas de mercado, caso a proposta seja aprovada pelo Senado Federal, por ser um cenário inédito no país, é interessante observar a experiência de mercados já consolidados e seus indicadores.

Em Las Vegas, houve queda na receita e na visitação, influenciada pelo aumento de custos como estacionamento e alimentação. Já Macau registrou, em 2025, crescimento de 12,2% na receita bruta do setor, superando US$ 2 bilhões e impulsionando o turismo local.

O futuro do cassino no Brasil

O futuro da proposta ainda é incerto, e o texto segue em tramitação no Senado Federal. Diante disso, é fundamental acompanhar o cronograma das sessões plenárias, as atualizações sobre o tema e as publicações nos canais oficiais do governo.

O caminho para cassinos sustentáveis no Brasil exigirá regras bem definidas, resultados públicos transparentes e a aplicação prática das lições aprendidas em experiências internacionais, com adaptação à realidade do país.

Foto: Zoshua Colah na Unsplash

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *