Com juros altos ainda vale a pena investir em renda variável?

Com juros altos ainda vale a pena investir em renda variável?

Opção de investimento mantém seu espaço, proporcionando oportunidades de compra a preços atrativos no longo prazo

Em um cenário de juros elevados quando a Taxa Selic está em patamares altos, muitos investidores voltam suas atenções para a renda fixa, por causa da previsibilidade e pelos retornos mais imediatos. Com isso, surge a dúvida: ainda vale a pena investir em renda variável?. A resposta passa por uma análise que vai além do curto prazo e precisa levar em conta os objetivos, o horizonte de investimento e o perfil de risco.

A renda variável são investimentos onde a rentabilidade não é previsível no momento da aplicação, com retornos oscilando para cima ou para baixo conforme o mercado. Envolve maior risco e volatilidade, mas potencial de ganhos superiores à renda fixa, incluindo ações, fundos imobiliários (FIIs), ETFs e câmbio.

No Brasil, devido à Selic elevada e à busca por segurança, o volume aplicado em títulos como CDBs e Tesouro Direto supera R$ 2,8 trilhões, sendo a preferência, enquanto a renda variável, ações e Flls, cresce, mas em um ritmo menor, com cerca de 5,5 milhões de investidores, de acordo com dados da B3. “Juros altos costumam pressionar o mercado acionário, gerando quedas que podem criar boas oportunidades de compra; para investidores de longo prazo, isso permite adquirir ativos de qualidade a preços mais baixos e aumentar o potencial de retorno futuro”, explica Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos.

Bolsa supera juros Selic e small caps ganham destaque 

Nos últimos anos, a Bolsa brasileira rendeu mais do que a taxa de juros, com o Ibovespa e outros ativos superando consistentemente o desempenho das aplicações em renda fixa. Essa valorização costuma começar pelos índices, como ocorreu recentemente. Um exemplo é o ETF BOVA11 (iShares Ibovespa Fundo de Índice), que acompanha o desempenho do principal índice da Bolsa e é bastante utilizado como referência.

Com a expectativa de queda dos juros, as ações de menor capitalização, conhecidas como small caps, podem se beneficiar. Esses papéis subiram nos últimos anos, mas foram impactados recentemente por tensões geopolíticas, como a guerra no Oriente Médio. Por serem mais sensíveis à redução da taxa Selic, tendem a apresentar maior reação positiva a cortes nos juros.

Mesmo com a Selic em 15%, a rentabilidade da Bolsa alcançou 40%, mostrando que o desempenho das ações já se mostra vantajoso frente à renda fixa, como, por exemplo, o Ibovespa, que teve alta superior a 40% em relação ao ano anterior, especialmente considerando máximas históricas alcançadas em fevereiro de 2026.

Mesmo com a Selic elevada tornando a renda fixa mais atrativa no curto prazo, a renda variável continua relevante como estratégia de longo prazo. Juros altos podem pressionar o mercado acionário, gerando ajustes que criam oportunidades de compra a preços mais interessantes. Para investidores com visão de longo prazo, esses momentos permitem adquirir ativos de qualidade com desconto, potencializando ganhos futuros. Além disso, ações e fundos imobiliários oferecem potencial de valorização e proteção contra a inflação, contando com a capacidade de adaptação de empresas sólidas ao longo dos ciclos econômicos.

Por fim, optar entre renda fixa e renda variável não precisa ser uma escolha exclusiva. A diversificação permanece como uma estratégia essencial para equilibrar risco e retorno. “Mesmo em um cenário de juros elevados, a renda variável continua relevante, desde que inserida a um planejamento consistente e com as expectativas alinhadas à realidade e às circunstâncias”, finaliza Paulo Cunha.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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