Copa do Mundo reforça desafios logísticos que empresas brasileiras ainda subestimam

Copa do Mundo reforça desafios logísticos que empresas brasileiras ainda subestimam

Maior edição da história do torneio evidencia como integração entre suprimentos, distribuição, monitoramento e capacidade de resposta se tornaram fatores críticos para operações complexas

A Copa do Mundo de Futebol de 2026 ainda nem começou, mas a dimensão logística necessária para viabilizar a maior edição da história do torneio já chama atenção para um desafio que ultrapassa o universo esportivo. Pela primeira vez, a competição reunirá 48 seleções e 104 partidas distribuídas entre 16 cidades de Estados Unidos, Canadá e México, segundo a Fifa, exigindo uma operação multinacional que envolve mobilidade, abastecimento, tecnologia, hospitalidade, segurança e coordenação entre múltiplas frentes simultaneamente.

A escala da estrutura ajuda a evidenciar um tema cada vez mais estratégico também para o ambiente corporativo: a capacidade de organizar fluxos logísticos complexos com previsibilidade, integração e capacidade de resposta.

Para Magnus Bruno Oyama Machado, engenheiro civil, empresário, cofundador da Mafrei Construtora e Incorporadora e profissional com experiência em gestão operacional e modernização logística no varejo de materiais de construção, operações dessa magnitude tornam mais visíveis falhas que muitas empresas enfrentam diariamente, ainda que em escalas diferentes.

“Quando a complexidade aumenta, a margem para improviso praticamente desaparece. Operações logísticas robustas dependem de integração entre áreas, rastreabilidade e previsibilidade. Essa lógica vale para grandes estruturas globais, mas também para empresas que precisam sustentar crescimento sem comprometer eficiência”, afirma o engenheiro.

Importância da logística

Magnus Machado.

Na avaliação de Machado, muitas empresas ainda tratam a logística como uma função periférica, quando, na prática, ela influencia diretamente custo, prazo, produtividade e experiência do cliente. O erro mais comum, segundo ele, está em acelerar crescimento comercial e expansão operacional sem desenvolver a mesma maturidade na gestão de fluxo, abastecimento e coordenação entre áreas críticas.

“Muitas empresas ampliam vendas, aumentam operação e expandem estrutura física, mas mantêm processos fragmentados, comunicação desalinhada e pouca visibilidade sobre o próprio fluxo logístico. Quando a demanda aumenta ou a operação sofre pressão, os gargalos aparecem rapidamente. O problema não está no crescimento em si, mas na falta de estrutura para sustentar esse crescimento”, diz.

Segundo o executivo, uma das principais lições observadas em operações de grande porte está na necessidade de sincronização entre áreas que dependem umas das outras para manter o fluxo funcionando. Em qualquer estrutura logística, falhas entre suprimentos, estoque, distribuição, atendimento e execução geram efeitos em cadeia que comprometem eficiência operacional e elevam custos silenciosamente.

“Existe uma visão limitada de que logística se resume ao transporte, quando ela envolve toda a coordenação do fluxo operacional. Se o abastecimento falha, se o estoque não tem rastreabilidade ou se a distribuição perde previsibilidade, o impacto atinge toda a operação. Pequenos desvios acumulados se transformam em atraso, retrabalho, desperdício e perda de margem”, explica Magnus Machado.

Outro ponto crítico, segundo o engenheiro, está na capacidade de monitoramento e resposta. Em estruturas mais complexas, operar sem indicadores confiáveis ou sem visibilidade sobre o fluxo compromete decisões e amplia riscos. Em vez de antecipar falhas, muitas empresas acabam reagindo quando o problema já gerou impacto financeiro ou desgaste operacional.

“Sem rastreabilidade e monitoramento, a gestão passa a operar por percepção. E percepção não sustenta estruturas logísticas complexas. Quanto maior a operação, maior a necessidade de acompanhar dados em tempo real para corrigir desvios rapidamente e manter o fluxo funcionando com consistência.”

Na prática, o especialista afirma que essa lógica vale para diferentes segmentos, especialmente aqueles que dependem de abastecimento contínuo, múltiplos fornecedores, distribuição coordenada e baixa margem para erro operacional. Para Machado, megaoperações ajudam a tornar evidente uma realidade que o ambiente empresarial já enfrenta há anos: eficiência logística deixou de ser apenas suporte e passou a representar uma alavanca estratégica de competitividade.

“Grandes estruturas mostram que eficiência não se constrói quando a pressão aparece. Ela é construída antes, com processo, integração e governança operacional. Empresas não enfrentam dificuldade porque cresceram demais. Elas enfrentam dificuldade porque cresceram sem coordenação logística compatível”, conclui.

Crédito da foto: imagem gerada por IA via ChatGPT/OpenAI

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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