Fim da escala 6×1 deve pressionar varejo a contratar mais e mais rápido

Fim da escala 6×1 deve pressionar varejo a contratar mais e mais rápido

Setor deverá recorrer à tecnologia e automação para lidar com aumento da demanda por mão de obra

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 avançou nas últimas semanas no Congresso Nacional e já entrou em uma nova fase de tramitação na Câmara dos Deputados. Em abril, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a admissibilidade da PEC que trata da redução da jornada de trabalho, permitindo que o texto siga para uma comissão especial, onde serão discutidos os impactos econômicos, regras de transição e o formato final da proposta.

Caso as mudanças avancem, o impacto sobre o varejo brasileiro tende a ser direto. O setor concentra grande parte dos trabalhadores que atuam nesse modelo de jornada e, para manter o mesmo nível de operação, as empresas terão que reorganizar turnos e aumentar o volume de contratações.

“O varejo já tem dificuldade de contratar no volume que precisa. Rotatividade alta, poucos candidatos interessados em cargos operacionais e prazos sempre curtos. Agora soma-se a isso uma mudança de jornada que vai exigir mais gente para manter a mesma operação de pé. A conta não fecha se o processo de contratação continuar funcionando do mesmo jeito”, afirma Augusto Frazão, CEO da InHire, plataforma de tecnologia para recrutamento e seleção.

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), cerca de 33,5 milhões de trabalhadores formais tinham contratos entre 41 e 44 horas semanais em 2023 (perfil compatível com regimes como a escala 6×1). Trata-se justamente da faixa de jornada mais comum em setores que operam seis ou sete dias por semana, como comércio e serviços.

Desafios na contratação em grande escala

Além do aumento esperado na demanda por contratações, o setor terá de lidar com um segundo problema: a capacidade de contratar com rapidez em grandes redes. Isso significa uma ordem de grandeza de milhares de contratações.

Em operações de varejo, os processos seletivos são tradicionalmente descentralizados, muitas vezes conduzidos diretamente na ponta, com uso de planilhas, e-mails ou controles informais. Muitas vezes apelando para uma faixa de “contrata-se” na porta da loja. Esse modelo dificulta a padronização, reduz a visibilidade sobre indicadores e se mostra pouco eficiente quando o volume de vagas cresce.

“Quando você precisa preencher milhares de vagas ao mesmo tempo, o problema muda de natureza. Atrair candidato é uma parte. A outra, que quase ninguém resolve bem, é conseguir conduzir o processo rápido o suficiente para que o candidato não desista no meio do caminho”, diz Frazão.

A experiência do candidato durante o processo seletivo é outro fator crítico. Processos longos, formulários extensos e falta de retorno aumentam a taxa de abandono, especialmente em cargos operacionais, nos quais os profissionais costumam participar de vários processos simultaneamente. Nesse contexto, a velocidade passa a ser um diferencial competitivo.

Tecnologia, IA e dados agilizam o processo e a experiência do candidato

Para lidar com esse novo cenário, empresas do varejo vêm acelerando a adoção de tecnologia como forma de ganhar eficiência, não apenas para os times internos, mas também para reduzir atritos na jornada do candidato. Automação, inteligência artificial e canais conversacionais, como o WhatsApp, têm sido utilizados para eliminar etapas manuais, agilizar triagens e permitir que processos seletivos avancem fora do horário comercial.

Um dos principais desafios está no acesso. Em cargos operacionais, muitos candidatos não possuem currículo em formato PDF ou computador para realizar cadastros extensos. Em muitos casos, o único recurso disponível é uma foto do currículo tirada pelo celular — ou nem isso. Tecnologias baseadas em IA já conseguem interpretar essas imagens, extrair informações relevantes e transformá-las em dados estruturados, reduzindo drasticamente a barreira de entrada no processo seletivo.

“Quando o mercado está aquecido, a experiência do candidato define quem contrata e quem fica com a vaga aberta. Se o processo é longo, complicado ou exige um PDF que a pessoa não tem, ela desiste. Quando a tecnologia consegue entender uma foto de currículo tirada pelo celular e transformar isso em candidatura, a barreira cai. E é aí que a contratação acontece”, afirma Frazão

Além da simplificação da inscrição, a velocidade de resposta também pesa. Processos mais curtos e conversacionais ajudam a manter o candidato engajado, especialmente em um cenário em que ele costuma participar de vários processos ao mesmo tempo. Nesse contexto, responder primeiro — e de forma simples — pode ser decisivo para fechar uma contratação.

“Tecnologia aqui não é diferencial. É infraestrutura. É o que permite contratar mais sem multiplicar o tamanho do time de recrutamento e sem perder o controle do processo quando o volume dispara”, conclui Frazão.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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