Faturamento das pequenas e médias mantém crescimento em abril
IODE-PMEs avançou 3,6% em abril de 2026 na comparação anual
O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) indica que a movimentação financeira média real das pequenas e médias empresas brasileiras avançou 3,6% em abril, na comparação com o mesmo mês de 2025. Fundamentos econômicos resilientes, como o mercado de trabalho aquecido e a flexibilização inicial da taxa de juros do país, dão contornos ao ambiente econômico mais favorável e são o pano de fundo da segunda alta consecutiva do faturamento médio das PMEs.
O IODE-PMEs funciona como um termômetro da atividade econômica das empresas com faturamento anual de até R$50 milhões, acompanhando cerca de 750 atividades econômicas distribuídas entre os setores de Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.
O Índice de Confiança do Consumidor, medido pela FGV (ICC) voltou a apresentar resultado positivo em abril, após as quedas registradas no primeiro bimestre, sinalizando um ambiente mais favorável ao consumo e com reflexos diretos sobre o desempenho das pequenas e médias empresas.
Além disso, os dados mais recentes de desemprego mostram que a taxa no país continua em baixa: 6,1% no trimestre encerrado em março/26, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o menor nível já registrado para esse período. Esse contexto dá contornos à permanência do faturamento das PMEs no campo positivo no mês.
Setores impactados
De acordo com Felipe Beraldi, economista da Omie, nesse contexto, o ambiente econômico impacta os setores de maneira heterogênea, refletindo diferenças setoriais no comportamento geral do IODE-PMEs.
“Em abril, as PMEs de Serviços passaram a ser o principal destaque, avançando 5,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, iniciando o segundo trimestre com o melhor resultado do setor em 6 meses. Esse desempenho foi impulsionado por resultados consistentes em áreas relevantes com destaque para ‘Transporte’ e o segmento de ‘Saúde humana’”, disse.
Também as PMEs industriais, setor com os melhores resultados recentes, registraram importante crescimento: 4,9% ante abril de 2025. Por outro lado, o avanço mostrou-se mais heterogêneo entre os segmentos monitorados pelo IODE-PMEs: dos 23 subsetores da indústria de transformação, 13 registraram crescimento do faturamento real, com destaque para “produtos químicos”, “metalurgia” e “máquinas e equipamentos”.
O setor de Comércio manteve a trajetória de recuperação em abril/26, registrando alta de 1,1% na comparação anual. O resultado foi sustentado predominantemente pelo desempenho do Atacado (+2,8% YoY), que compensou a retração de 1,1% observada no faturamento médio do Varejo no período. Dentro do segmento varejista, o desempenho foi impulsionado por nichos específicos que operaram na contramão da média setorial. Os destaques positivos ficaram com o ‘varejo de artigos de relojoaria’, seguido pelos setores de ‘produtos farmacêuticos’ e de ‘livros’, que lideraram o crescimento e ajudaram a sustentar o índice geral em terreno positivo pelo segundo mês consecutivo.
Infraestrutura
Após a breve recuperação em março, o setor de Infraestrutura voltou a registrar retração em abril, com queda de 13,8% na comparação anual. O desempenho negativo foi puxado pelo recuo em atividades estratégicas da construção civil ligadas às PMEs, com destaque para a queda nos segmentos de ‘obras de infraestrutura’ e ‘serviços especializados para construção’, que não conseguiram sustentar o ritmo de expansão do mês anterior.
Apesar do avanço registrado nos últimos dois meses, o cenário para as PMEs permanece cercado por incertezas, pressionado pela elevação das expectativas de inflação, sobretudo em combustíveis, decorrência direta do conflito geopolítico no Irã, e pelo elevado nível de endividamento das famílias. Contudo, a recuperação da confiança dos consumidores e o advento do ‘Desenrola Brasil 2.0’ para renegociação de dívidas podem atuar como contrapesos importantes, favorecendo a trajetória positiva do mercado nos próximos meses.








