Indústria brasileira busca alternativas para sobreviver à escassez global de petróleo

Indústria brasileira busca alternativas para sobreviver à escassez global de petróleo

Alta de insumos, crise energética e falta de embalagens devido a conflito EUA x Irã colocam o setor em alerta máximo

O mundo observa com apreensão o conflito entre Estados Unidos e Irã. O que começou como uma disputa regional se transformou em um choque inflacionário global, com impactos imediatos e severos na cadeia produtiva industrial. No Brasil, a volatilidade extrema no mercado de energia e insumos já resulta em reajustes significativos em matéria-prima.

O epicentro do problema reside no Estreito de Ormuz, canal vital por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Historicamente, os conflitos nesta região provocam oscilações no preço do barril, com reflexos diretos em combustíveis, logística e inflação. Para o setor industrial brasileiro, o desafio é duplo: além do aumento do frete, a instabilidade geopolítica gera uma incerteza que trava o planejamento operacional.

Resiliência logística

Um dos impactos mais imediatos já sentidos no setor industrial é a escassez de insumos para embalagens — reflexo direto da alta nos polímeros derivados do petróleo. No Paraná, os insumos plásticos já acumulam aumentos de até 100%, pressionando toda a cadeia produtiva e provocando atrasos na fabricação e na entrega de produtos. A dificuldade de acesso a materiais básicos, como galões, frascos e tambores, tem levado empresas a operar com estoques reduzidos e prazos mais longos, ampliando o risco de desabastecimento em diversos segmentos.

Esse efeito cascata atinge desde a indústria química até os setores de alimentos, bebidas e lubrificantes, evidenciando a dependência estrutural dos polímeros. A combinação entre oferta restrita e demanda aquecida obriga empresas a rever contratos, buscar novos fornecedores e até redesenhar processos logísticos para manter a operação ativa.

Sem previsão de normalização, distribuidoras como a Acipar Lubrificantes, que já mantêm programas alternativos, saem na frente. O Troca Inteligente oferece os óleos a granel. “Uma vantagem neste momento, pois consome menos plástico e elimina a necessidade de embalagem”, afirma Luiz Alberto Gomes Jr., diretor-executivo da Acipar.

O executivo reforça que o planejamento é o diferencial frente à crise.

“Estamos vivendo uma instabilidade sem precedentes. Quando o óleo básico sobe de forma tão abrupta, toda a indústria de base é atingida. Sabemos da possibilidade de falta de produto e estamos manejando nossos estoques com todo cuidado, dentro deste cenário de incertezas. Não é sobre superioridade, mas sobre a nossa responsabilidade em garantir, dentro do possível, um estoque mais longo para que nossos parceiros não parem suas operações”, enfatiza Gomes Jr.

Previsibilidade energética

O cenário de crise não afeta apenas os insumos físicos, mas também a previsibilidade energética. Embora o Brasil tenha uma matriz majoritariamente renovável, a dependência de termelétricas em momentos de escassez hídrica eleva significativamente os custos operacionais.

Nesse contexto, a energia deixou de ser apenas um custo para se tornar uma variável estratégica, especialmente diante de um ambiente global cada vez mais instável.

Enquanto o conflito perdura, a volatilidade continuará a ser a única constante. A indústria nacional, agora sob pressão redobrada, prepara-se para enfrentar meses de margens estreitas. A capacidade de antecipar riscos — seja por meio da logística inteligente de embalagens ou da gestão energética eficiente — será o diferencial determinante entre a paralisação das atividades e a manutenção da competitividade em um mercado global cada vez mais imprevisível.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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