Com alta dos preços do chocolate e jóias, Dia dos Namorados deve movimentar R$ 2,84 bilhões no varejo em 2026

Com alta dos preços do chocolate e jóias, Dia dos Namorados deve movimentar R$ 2,84 bilhões no varejo em 2026

Projeção é que a data proporcione faturamento 2,5% maior do que a edição de 2025

Presentear a pessoa amada vai exigir um pouco mais de planejamento financeiro no Dia dos Namorados de 2026. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que a cesta típica de bens e serviços mais consumidos na data registrou alta média de 5,8% em 2026. O índice, baseado nas variações do IPCA-15 e divulgado nesta segunda-feira (8) pela CNC, mostra grande diferença no comportamento dos preços dos presentes, levando namorados e namoradas a buscar oportunidades que protejam a compra do efeito da inflação.

Mesmo com a oscilação dos preços, o comércio deve movimentar R$ 2,84 bilhões — um crescimento real de 2,5% em relação ao ano passado, já descontada a inflação. O resultado consolida o Dia dos Namorados como a sexta data mais importante do calendário comercial do País.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, destaca a importância da data para o varejo, mas dá uma orientação alinhada ao atual cenário. “Ao consumidor, que mesmo empregado ainda vive o aperto monetário por conta da alta taxa de juros, o indicado é pesquisar bem e inovar na hora de escolher o presente para esta celebração.”

Quem optar pelos presentes mais doces ou os mais brilhantes da data vai sentir um impacto considerável no bolso. Os líderes de alta na pesquisa da CNC são os chocolates (+22,7%) e as joias e bijuterias (+20%). Dessa vez, a explicação para esses saltos vai além da sazonalidade e reflete crises estruturais no mercado internacional de commodities:

Chocolate mais amargo

O bolso dos chocólatras vai arcar com a conta do desequilíbrio climático global. Choques na oferta de insumos necessários à elaboração deste produto afetaram as safras de cacau na África Ocidental e no sul da Bahia. Embora o mercado ensaie recomposição de estoques em 2026, as grandes indústrias operam com contratos futuros de longo prazo e estão repassando esses custos agora para recompor suas margens, encarecendo o produto final.

Jóias valorizadas

O encarecimento das alianças e adereços acompanha a escalada histórica do metal precioso. As cotações do mercado internacional mostram que o ouro teve valorização de 46,9% em 2025 e subiu mais 15% nos primeiros meses de 2026.

Movidos por tensões geopolíticas internacionais, incertezas fiscais e uma forte onda de compras por parte de bancos centrais do mundo inteiro, investidores migraram em massa para o ouro como ativo de refúgio, inflacionando a matéria-prima do setor joalheiro.

“Com os juros ao consumidor no maior patamar em nove anos e o endividamento registrando recordes históricos, a tendência aponta o consumo moderado e com maior aversão ao crédito, fazendo com que o consumidor priorize itens que demandam menos empréstimos e financiamentos – motivo pelo qual itens de vestuário devem se destacar nessa data que figura entre as seis mais importantes do varejo brasileiro”, avalia o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

O motor que sustenta as vendas: o emprego

No primeiro trimestre, a taxa de desocupação atingiu o piso histórico de 6,1%. Combinado a isso, o rendimento real do trabalhador avançou 5,2%, gerando um incremento real de 6,9% na massa de rendimentos (PNADc). É esse dinheiro novo na mão da população que está causando a alta do consumo em um cenário de aperto monetário.

Essa força dos salários é fundamental para compensar o cenário severo do crédito. Por causa do ciclo prolongado de juros altos do Banco Central, a concessão de crédito para pessoas físicas desacelerou (crescendo +10,3% em 12 meses, contra os +13,3% do período anterior). A taxa média de juros na ponta bateu 63,0% ao ano — maior nível desde julho de 2017 —, o que empurrou o endividamento das famílias ao quarto recorde consecutivo em maio, atingindo 81,6%.

Mudança no carrinho: perfumaria e eletrônicos ganham espaço

A combinação de preços esticados e restrição no crédito também alterou a preferência dos presentes. Tradicional campeão de vendas, o segmento de vestuário, calçados e acessórios ainda lidera o volume total de faturamento, projetando R$ 1,116 bilhão (quase 40% do total da data). Ainda assim, o setor deve registrar retração de 1,4% nas vendas, em comparação a 2025.

A expansão do Dia dos Namorados será carregada pelas lojas de farmácias, perfumarias e cosméticos (+8,2%) — com movimentação de R$ 875 milhões — e pelas lojas de artigos de uso pessoal e doméstico, impulsionadas por eletroeletrônicos (+4,3%), que devem faturar R$ 346 milhões. Juntos, esses dois ramos em crescimento vão responder por 43% de todo o movimento financeiro da data comercial.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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