Com reforma, Simples Nacional deixa de ser escolha automática para empresas B2B

Novo sistema de créditos tributários deve levar pequenos negócios a reavaliarem seu enquadramento fiscal para preservar competitividade e conquistar clientes
Por décadas, o Simples Nacional foi considerado a opção mais vantajosa para milhões de pequenas e médias empresas brasileiras. Com a chegada da reforma tributária, porém, essa lógica poderá mudar, especialmente para negócios que atuam no mercado B2B (business-to-business).
A razão está na nova sistemática de créditos do IBS e da CBS, que tende a transformar a tributação em um fator cada vez mais relevante na escolha de fornecedores. Além de preço, qualidade e prazo de entrega, as empresas contratantes passarão a avaliar o potencial de aproveitamento de créditos tributários gerado por cada operação.
Segundo Luís Wulff, CEO do Tax Group, o novo cenário exige que empresários abandonem decisões baseadas apenas na carga tributária própria e passem a considerar também como seus clientes enxergam sua estrutura fiscal.
“Historicamente, o Simples Nacional foi a escolha mais eficiente para pequenos negócios. Com a reforma, essa decisão deixa de ser automática. A tributação passa a influenciar diretamente a competitividade comercial das empresas”, afirma Wulff.
Na prática, fornecedores enquadrados em regimes como o Lucro Presumido ou o Lucro Real poderão gerar créditos mais amplos para seus clientes, tornando suas propostas mais atrativas do ponto de vista financeiro, mesmo quando os preços apresentados forem semelhantes aos de empresas optantes pelo Simples Nacional.
“O comprador passa a analisar o custo efetivo da contratação. Em muitos casos, o fornecedor que oferece maior recuperação de créditos pode se tornar mais competitivo do que aquele que simplesmente apresenta o menor preço”, explica Wulff.
Impacto
O impacto tende a ser mais significativo em segmentos com forte atuação entre empresas, como tecnologia, consultorias, serviços especializados, logística, fornecedores industriais e prestadores de serviços corporativos.
Diante desse cenário, especialistas recomendam que os empresários iniciem ainda em 2026 estudos de reenquadramento tributário e simulações financeiras para avaliar qual modelo será mais vantajoso sob a nova legislação. Mais do que calcular impostos, será necessário entender como a estrutura tributária influencia a capacidade de gerar negócios.
“A pergunta deixa de ser apenas ‘quanto imposto eu pago?’ e passa a ser ‘qual modelo tributário me torna mais competitivo para vender aos meus clientes?’. Em muitos casos, a resposta poderá ser diferente daquela que orientou a empresa até aqui”, conclui.








