Compras públicas movimentam bilhões e se tornam oportunidade de crescimento para pequenas empresas

Compras públicas movimentam bilhões e se tornam oportunidade de crescimento para pequenas empresas

Digitalização dos processos e incentivos legais ampliam a participação de empresas nas licitações, mercado que oferece contratos de longo prazo e novas fontes de receita

Embora muitos empresários concentrem seus esforços exclusivamente no mercado privado, um universo de oportunidades permanece subaproveitado por grande parte das empresas brasileiras: as compras governamentais.

Responsável por movimentar centenas de bilhões de reais todos os anos, o setor público é um dos maiores contratantes do país, demandando desde serviços especializados e tecnologia até alimentação, transporte, construção civil e fornecimento de produtos diversos. Ainda assim, muitas empresas deixam de disputar esses contratos por desconhecimento ou pela percepção de que o processo é excessivamente burocrático.

A modernização promovida pela Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) e o avanço da digitalização dos processos vêm ampliando o acesso de empresas ao mercado público, tornando as concorrências mais transparentes e acessíveis.

Segundo Márcio Carneiro, diretor da Líder Afiançadora, existe uma mudança gradual na percepção dos empresários sobre o potencial desse segmento.

“O mercado público deixou de ser uma realidade restrita às grandes corporações. Hoje, empresas de diversos portes conseguem participar de licitações de forma mais simples e competitiva, principalmente com o avanço das plataformas eletrônicas e da digitalização dos processos”, afirma Carneiro.

Além da possibilidade de ampliar a carteira de clientes, especialistas apontam que os contratos públicos oferecem previsibilidade de receita e podem contribuir para a estabilidade financeira das empresas em momentos de desaceleração econômica.

Tratamento diferenciado

Outro fator que impulsiona a participação empresarial é o tratamento diferenciado concedido às micro e pequenas empresas. A Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, prevê mecanismos que estimulam a competitividade desses negócios, incluindo licitações exclusivas para determinados valores e critérios de desempate favoráveis.

O artigo 4°, da Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), flexibiliza as regras de participação da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, in verbis:

“Art. 4º Aplicam-se às licitações e contratos disciplinados por esta Lei as disposições constantes dos arts. 42 a 49 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006.”

Para Carneiro, esses instrumentos ajudam a democratizar o acesso ao mercado governamental.

“Existe uma percepção equivocada de que apenas grandes empresas conseguem vender para o setor público. Hoje há mecanismos legais que incentivam a participação dos pequenos negócios e criam condições mais equilibradas de concorrência”, destaca.

O interesse pelas compras governamentais tem crescido nos últimos anos, impulsionado pela maior disponibilidade de editais em plataformas digitais e pela busca das empresas por novas fontes de receita em um cenário econômico cada vez mais competitivo.

Nesse contexto, especialistas recomendam que empresários invistam em capacitação e planejamento para compreender as regras do setor e identificar oportunidades compatíveis com suas atividades.

“Para muitas empresas, o mercado público pode representar uma importante estratégia de expansão. Além de gerar novas receitas, os contratos governamentais contribuem para fortalecer a operação e ampliar a presença da empresa em diferentes segmentos da economia”, conclui Carneiro.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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