Empresas começam a rever operações enxutas após aumento de afastamentos e entrada da NR-1

Empresas começam a rever operações enxutas após aumento de afastamentos e entrada da NR-1

Alta de casos ligados à saúde mental e novas exigências sobre gestão de risco levam empresas a revisar acúmulo de funções, pressão por produtividade e estruturas reduzidas

Nos últimos anos, empresas brasileiras reduziram equipes, aceleraram a automação e aumentaram a pressão por produtividade para preservar margem em um cenário de juros altos, desaceleração econômica e necessidade constante de ganho de eficiência. O modelo trouxe resultado, mas começou a mostrar desgaste.

Com o aumento dos afastamentos ligados à saúde mental e a entrada em vigor das novas exigências da NR-1 no último dia 26, empresas passaram a revisar operações sustentadas por equipes reduzidas, acúmulo de funções e pouca margem para falha.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2024, maior número da última década. O crescimento acendeu alerta em empresas que já vinham enfrentando aumento de turnover, queda de produtividade e dificuldade de retenção.

Ao mesmo tempo, levantamento da Deloitte aponta que 73% das lideranças empresariais relataram aumento da pressão por performance nos últimos anos, cenário que intensificou discussões sobre sobrecarga e sustentabilidade operacional.

A entrada em vigor da nova fase da NR-1 ampliou a necessidade de monitoramento contínuo dos riscos ocupacionais e passou a incorporar de forma mais clara fatores psicossociais ligados à dinâmica de trabalho, como pressão excessiva, ausência de suporte, desgaste emocional e falhas organizacionais.

Na prática, as empresas passaram a perceber que o desafio vai muito além da atualização de documentos internos.

“Muitas organizações trataram a NR-1 inicialmente como uma adequação burocrática. Mas a discussão começou a mudar quando perceberam que a norma exige revisão efetiva da forma como a operação funciona”, afirma Bruna Ribeiro, advogada trabalhista especializada em relações de trabalho e gestão de risco ocupacional.

Segundo ela, parte das empresas acabou normalizando estruturas sustentadas por excesso de demanda e equipes reduzidas nos últimos anos.

“O problema é que muitas operações passaram a depender constantemente de improviso, pressão elevada e acúmulo de funções. Enquanto o resultado continuava vindo, isso era interpretado apenas como eficiência.”

O tema ganhou relevância principalmente após a pandemia, período em que empresas aceleraram digitalização, automação e redução de estruturas para reduzir custos operacionais.

Segundo levantamento da Fundação Dom Cabral, 58% das empresas brasileiras ampliaram a automação de processos entre 2021 e 2024. Embora o movimento tenha aumentado produtividade, também elevou a pressão sobre equipes menores.

Agora, empresas começam a revisar jornadas, distribuição de tarefas, lideranças e modelos operacionais para reduzir exposição futura.

Aumento de ações trabalhistas

A preocupação também envolve aumento de ações trabalhistas ligadas à saúde mental e desgaste ocupacional. Dados do Tribunal Superior do Trabalho mostram crescimento das discussões relacionadas a burnout, assédio organizacional e adoecimento emocional nos últimos anos.

“A NR-1 acelera uma discussão que já vinha acontecendo dentro das empresas. A diferença é que agora existe uma exigência maior de acompanhamento contínuo, documentação e demonstração prática de gestão desses riscos”, afirma Bruna.

Outro ponto que passou a mobilizar áreas de RH e jurídico é a necessidade de integrar lideranças no processo de prevenção.

“A empresa não consegue tratar esse tema apenas no papel. A forma como metas são cobradas, equipes são estruturadas e demandas são distribuídas passa a fazer parte da análise de risco da própria operação.”

Na avaliação da advogada, a tendência é que empresas passem a rever modelos criados nos últimos anos para equilibrar produtividade, retenção e sustentabilidade operacional.

“Muitas empresas perceberam que eficiência sem estrutura pode gerar um custo muito maior no médio prazo, seja em afastamentos, perda de produtividade, rotatividade ou aumento de passivos trabalhistas”, conclui.

Crédito da foto: iStock

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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