Sarandi deixa de ser cidade satélite e vira vetor de expansão de Maringá

Sarandi deixa de ser cidade satélite e vira vetor de expansão de Maringá
Maringá foi eleita, por quatro vezes, a melhor cidade do Brasil para se viver pelo IDGM, da Macroplan Analytics. Foto: divulgação Prefeitura de Maringá

Crescimento populacional, novos investimentos e integração metropolitana reposicionam o município no mapa do desenvolvimento do Estado

Uma (r)evolução nem tão silenciosa está acontecendo entre Maringá e Sarandi, no Noroeste do Paraná. Por décadas, Sarandi ocupou um papel secundário na Região Metropolitana de Maringá (RMM), funcionando principalmente como cidade residencial para trabalhadores que se deslocavam diariamente para o município vizinho. Agora, uma combinação de crescimento populacional acelerado, valorização imobiliária regional e novos investimentos produtivos começa a alterar essa dinâmica.

O movimento é sustentado por indicadores demográficos que impressionam. Entre 2010 e 2022, a população de Sarandi cresceu 42%, passando de 82.842 para 118.455 habitantes, segundo o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E o futuro é promissor: as projeções do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) indicam que o município deverá alcançar 209.750 moradores até 2050, praticamente dobrando de tamanho e saltando da 20ª para a 11ª posição entre as maiores cidades do Paraná.

Esse avanço ocorre em paralelo ao fortalecimento de Maringá como referência nacional em desenvolvimento urbano. A cidade foi eleita, por quatro vezes, a melhor cidade do Brasil para se viver pelo Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM), da Macroplan Analytics. O ranking avalia os 100 maiores municípios do país com base em 15 indicadores de saúde, educação, segurança e saneamento.

No ano passado, Maringá também foi apontada como a terceira cidade com maior valorização imobiliária do Brasil, atrás apenas de Torres (RS) e Fortaleza (CE), segundo levantamento da consultoria DWV divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Mais qualidade de vida, mais investimentos

Para o presidente do Secovi-Maringá, Marco Tadeu Barbosa, Maringá reúne características que a diferenciam de outros polos médios brasileiros. “A cidade é reconhecida nacionalmente pelo planejamento urbano, pela arborização, mobilidade e qualidade da infraestrutura, fatores que elevam sua atratividade tanto para moradia quanto para investimentos imobiliários”, diz.

Para ele, em muitos municípios, o crescimento populacional ocorre sem o mesmo padrão de desenvolvimento urbano. “Em Maringá, a valorização imobiliária está diretamente ligada à percepção de qualidade de vida”, reforça Barbosa. Ele cita também a diversificação da economia local.

“A economia da cidade é apoiada por um agronegócio forte na região, um setor de comércio e serviços consolidado, educação de excelência, expansão da saúde privada e uma posição estratégica como polo logístico do Estado”, afirma Barbosa.

Uma cidade só

Parte desse dinamismo começa a transbordar para cidades vizinhas. Na avaliação do Secovi, o crescimento de Maringá já ultrapassa os limites do município e vem redesenhando a dinâmica econômica e imobiliária de toda a região metropolitana, com impactos especialmente visíveis em Sarandi, Paiçandu e Mandaguaçu.

Sarandi e Maringá funcionam atualmente como um único eixo urbano. O município integra a Região Metropolitana de Maringá, formada por 26 cidades e cerca de 851 mil habitantes, segundo dados do Censo de 2022.

Sob a ótica do mercado imobiliário, o cenário indica uma transformação relevante: o investidor já não observa apenas Maringá, mas todo o corredor metropolitano como uma área estratégica de expansão, conforme avalia o presidente do Secovi. “Loteamentos, condomínios horizontais, imóveis compactos e empreendimentos de uso misto tendem a ganhar cada vez mais espaço”, afirma.

Um exemplo recente desse movimento é a implantação do Alameda Mall, empreendimento comercial no modelo open mall na região do Jardim Centro Cívico, em Sarandi. O projeto reúne operações de comércio, serviços e lazer em uma área próxima a novos empreendimentos residenciais e com acesso direto a Maringá.

A iniciativa reflete o avanço de investimentos voltados ao atendimento da demanda gerada pela expansão urbana do eixo metropolitano. Também amplia ainda a oferta de comércio e serviços em uma das regiões que concentram o crescimento imobiliário do município, reforçando a integração econômica entre Sarandi e Maringá.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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