Fusões e aquisições movimentam R$ 166 bi no 1º semestre, apesar de queda de 35% nos negócios

Mercado brasileiro teve menos transações no semestre, mas operações de maior valor elevaram o capital mobilizado
As fusões e aquisições de janeiro a junho de 2026 estão em ritmo mais seletivo, com menos negócios anunciados, mas maior volume financeiro.
O Brasil registrou 593 transações, movimentando R$ 166,85 bilhões no primeiro semestre deste ano – o que representa queda de 35,3% no número de operações em relação a igual período de 2025, mas alta de 3,4% no capital mobilizado.
Os dados constam de estudo da TTR Data, plataforma de tecnologia financeira que rastreia, em tempo real, operações de Fusões e Aquisições, Private Equity, Venture Capital, Mercado de Capitais e informação corporativa na América Latina e mercado Ibérico.
A combinação de menor volume de deals e maior valor agregado reforça uma mudança no perfil do mercado. Em vez de retração generalizada, as informações indicam maior concentração de capital em ativos de maior porte, com investidores mais criteriosos na seleção de seus alvos. Essa tendência é especialmente relevante em setores e empresas com maior capacidade de geração de caixa, escala operacional e potencial de consolidação.
Por setor, o recorte mostra que o segmento de Tecnologia e Serviços Digitais (Internet, Software & IT Services) continua no centro da atividade transacional, mas o avanço da área de Real Estate (Imobiliário), com 98 operações realizadas e crescimento de 17% no período, sugere uma recuperação relativa do apetite por ativos imobiliários e plataformas ligadas ao setor. Já o de Banking & Investment, embora ainda figure entre os quatro subsetores mais movimentados, registrou queda de 52% no número de transações.
| Setor | Transações | Desempenho em relação a igual semestre de 2025 |
| Internet, Software & IT Services | 104 | -39% |
| Real Estate | 98 | +17% |
| Business & Professional Support | 37 | -10% |
| Banking & Investment | 31 | -52% |
Fonte: TTR Data
As aquisições de empresas brasileiras por compradores estrangeiros seguiram relevantes no primeiro semestre. Essas operações somaram 155 transações, movimentando R$ 58,74 bilhões, segundo as informações da TTR Data.
Os Estados Unidos lideraram esse movimento, com 64 aquisições e R$ 20,416 bilhões em valor total agregado.
Na avaliação de José Diaz, managing partner do Demarest Advogados, os números mostram que o mercado está menos orientado a volume e mais concentrado em determinadas características dos ativos.
“Os investidores seguem interessados nas oportunidades no Brasil, mas com maior racionalidade econômica na alocação de capital. Mesmo em um ambiente de cautela, há capital disponível para operações com escala, governança estruturada e potencial claro de geração de valor, especialmente em setores ligados à tecnologia, à infraestrutura, à mineração e a serviços essenciais”, afirma Diaz.
O Demarest se mantém entre os líderes da área de M&A no Brasil e entre os que mais reportaram operações no primeiro semestre.
Uma das transações que se destacou no semestre, de acordo com informações da plataforma TTR, foi a aquisição da mineradora Serra Verde pela americana USA Rare Earth, especializada em terras raras. Pelo acordo assinado em abril, o valor da transação foi de US$ 2,8 bilhões. O Demarest assessorou a compradora (USA Rare Earth), em parceria com o escritório Latham & Watkins.
Modalidades de investimentos
Por segmento, o destaque foi para Private Equity, que registrou 41 transações e movimentou R$ 33,181 bilhões, representando uma alta de 105,47% em valor.
Venture Capital somou 106 rodadas, com R$ 6,473 bilhões movimentados, o que equivale a um crescimento de 3,45%.
Já o segmento de Asset Acquisitions registrou 151 operações e R$ 22,943 bilhões, com queda de 11,7% em volume de deals e recuo de 45,79% no valor agregado dos negócios.
Na América Latina
A desaceleração verificada no mercado brasileiro de fusões e aquisições acompanha o movimento observado na América Latina no primeiro semestre. Segundo dados do relatório da TTR para a região, o mercado transacional latino-americano registrou 1.062 operações de janeiro a junho de 2026, totalizando US$ 49,107 bilhões, com queda de 30% no volume de transações e recuo de 6% em valor em relação ao mesmo período de 2025.








