Após recordes de investimentos e audiência, marcas enfrentam o desafio de manter relevância no pós Copa

Após recordes de investimentos e audiência, marcas enfrentam o desafio de manter relevância no pós Copa

Com projeção de US$10,5 bilhões em investimentos em mídia global, torneio consolida o consumo multiplataforma e abre espaço para um novo ciclo de investimentos com a Copa Feminina de 2027

A Copa do Mundo de 2026 terminou, mas deixou uma questão em aberto para o mercado publicitário. Como manter a atenção conquistada durante o maior evento esportivo do planeta? Ao longo de 39 dias, o torneio concentrou bilhões de torcedores e movimentou cerca de US$10,5 bilhões (R$58 bilhões) em investimentos globais em mídia no trimestre da competição, segundo projeção da WARC Media.

Parte da resposta passa por compreender como essa atenção foi distribuída ao longo do torneio. O consumo de conteúdo esportivo se espalhou entre TV aberta, streaming, redes sociais e aplicativos, em vez de permanecer concentrado em um único canal. A Globo informou ter alcançado 133 milhões de brasileiros durante a competição, enquanto a CazéTV registrou mais de 100 milhões de dispositivos alcançados e um pico de 21 milhões de acessos simultâneos na vitória do Brasil sobre o Japão. Nos aplicativos especializados, o movimento também se confirmou. Na OneFootball, as partidas da Seleção Brasileira registraram entre 14 milhões e 16 milhões de visualizações nas páginas dos jogos, segundo dados da plataforma.

Essa mudança no comportamento do consumidor também já se reflete na forma como o mercado investe em publicidade. Segundo levantamento do Cenp-Meios, a mídia digital liderou pela primeira vez os investimentos publicitários no país em 2026, superando a TV aberta. Globalmente, a PwC estima que o mercado de publicidade alcance US$1,4 trilhão até 2030, impulsionado principalmente pelas plataformas digitais e pelo avanço da inteligência artificial.

“A Copa reforçou o que viemos falando. Hoje a atenção do consumidor está distribuída. O torcedor assiste ao jogo, acompanha estatísticas no celular, comenta nas redes sociais e consome conteúdos paralelos ao mesmo tempo. Isso exige que as marcas deixem de pensar apenas em grandes campanhas e passem a construir presença em diferentes pontos da jornada digital”, afirma Bruno Almeida, CEO da US Media.

Copa Feminina pode reduzir a “ressaca” do mercado

Apesar do fim da competição masculina, o calendário esportivo já oferece uma nova oportunidade para manter esse nível de atenção. Se tradicionalmente o período pós-Copa representa uma desaceleração das ativações ligadas ao futebol, em menos de um ano o Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina de 2027, primeira edição realizada na América do Sul. O torneio reunirá 32 seleções, 64 partidas e será disputado em oito cidades brasileiras, ampliando o potencial de exposição para patrocinadores e anunciantes.

Os números reforçam esse potencial. A final da Supercopa Feminina de 2026 alcançou 21,8 milhões de brasileiros, registrou crescimento de 54% da audiência feminina em relação ao ano anterior e reforçou uma tendência já observada globalmente. A Copa do Mundo Feminina de 2023 ultrapassou 2 bilhões de espectadores, enquanto o Relatório do Futebol Feminino Brasileiro apontou aumento superior a 40% nas receitas de bilheteria dos clubes analisados.

“A Copa Feminina de 2027 não será apenas o próximo grande evento esportivo. Ela representa a continuidade de uma transformação que o mercado já começou a viver. As marcas que iniciarem esse planejamento agora terão mais tempo para construir relevância e conversar com um público que cresce ano após ano”, destaca Almeida.

Para o executivo, a principal herança da Copa do Mundo de 2026 vai além dos recordes de audiência. “O torneio consolidou um consumidor definitivamente multiplataforma e menos fiel a um único canal de mídia. A atenção não desaparece quando a competição termina, ela apenas se redistribui. As marcas que entenderem essa dinâmica estarão mais preparadas para construir presença contínua e aproveitar as próximas grandes oportunidades do calendário esportivo”, conclui.

Crédito da foto: Alex Pantling – Fifa- via Getty Images

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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