Compactos dominam lançamentos, mas imóveis maiores lideram valorização

Curitiba vive vários mercados imobiliários ao mesmo tempo
O mercado imobiliário de Curitiba começou 2026 apresentando movimentos que, à primeira vista, parecem contraditórios. Enquanto apartamentos
compactos concentram a maior parte dos novos lançamentos da cidade, imóveis de grandes metragens aparecem entre os que mais avançaram em preço no período.
Levantamento da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (ADEMI-PR), realizado pela BRAIN Inteligência Estratégica, mostra que Curitiba recebeu 1.863 apartamentos verticais no primeiro trimestre de 2026 e que cerca de 70% desse volume foi composto por estúdios e imóveis compactos. Esse perfil já representa aproximadamente 38% do estoque disponível na capital.
Em outra frente, estudo da Loft, elaborado a partir de cerca de 33 mil anúncios residenciais publicados nas principais plataformas digitais da cidade, mostrou que imóveis com mais de 125 m2 registraram alta média de 16,6% nos preços anunciados nos cinco primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O tíquete médio dessa categoria chegou a R$ 1,82 milhão.
Os dois levantamentos utilizam bases e metodologias diferentes e, portanto, seus índices não devem ser comparados diretamente. Juntos, porém, ajudam a ilustrar uma característica cada vez mais visível do mercado curitibano: diferentes segmentos respondem a dinâmicas de demanda distintas.
Para André Soczek, CEO da Soczek Imóveis e corretor com mais de uma década de atuação no mercado imobiliário curitibano, falar em uma única tendência para toda a cidade pode simplificar excessivamente a decisão de compra.
“Curitiba deixou de ter um único perfil predominante de comprador. Um studio adquirido para gerar renda, um apartamento de três dormitórios para uma família e um imóvel amplo destinado à preservação patrimonial respondem a necessidades e ciclos completamente diferentes. A decisão precisa começar pelo objetivo do cliente e não pelo produto que está em evidência naquele momento”, afirma Soczek.
As mudanças demográficas ajudam a explicar parte dessa diversificação. Dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, indicam que aproximadamente um em cada quatro domicílios de Curitiba é ocupado por apenas uma pessoa, realidade que contribui para a demanda por
unidades menores e bem localizadas.
Ao mesmo tempo, famílias consolidadas e compradores de maior renda continuam sustentando a procura por imóveis com mais espaço, boa infraestrutura urbana e localizações tradicionais. Segundo Soczek, essa fragmentação aumenta a importância da análise de cada micromercado.
“A média de valorização de uma cidade ou até de um bairro é uma referência, mas não conta a história inteira. Liquidez, tipologia, perfil de demanda, preço de entrada, condomínio, capacidade de locação e características específicas da rua ou do edifício podem produzir resultados muito diferentes dentro de uma mesma região”, explica.
Para quem compra com objetivo de investimento, o especialista recomenda que a análise considere também o horizonte de tempo e a finalidade do ativo. “Antes de perguntar qual tipo de imóvel está valorizando mais, vale perguntar para que aquele patrimônio precisa servir. Gerar renda? Preservar capital? Ter liquidez? Atender uma necessidade de moradia por dez ou quinze anos? A resposta muda completamente o tipo de imóvel que faz sentido”, acrescenta.
Na avaliação de Soczek, o cenário atual não indica necessariamente que uma tipologia seja superior às demais. Pelo contrário, reforça a existência de vários mercados imobiliários funcionando simultaneamente dentro de Curitiba.
“Quanto mais segmentado fica o mercado, maior é a importância de compreender o comportamento específico daquele ativo. O bom imóvel não é simplesmente o que está na tendência. É aquele que faz sentido para o objetivo de quem está comprando”, esclarece.








