Regiões com maior cultura de planejamento financeiro são exemplo de crédito consciente

Menor inadimplência, maior organização das finanças e busca por juros menores ajudam a explicar o avanço de modalidades como o empréstimo com garantia de imóvel
Em um cenário em que a educação financeira se mostra um fator cada vez mais relevante nas decisões das famílias brasileiras, diferenças regionais mostram que planejamento e acesso ao crédito caminham lado a lado. Estados das regiões Sul e Sudeste, tradicionalmente associados a menores índices de inadimplência, também reúnem um ambiente mais favorável para modalidades de crédito de menor custo e longo prazo, como o empréstimo com garantia de imóvel.
O comportamento acompanha uma transformação no mercado de crédito brasileiro. O Mapa de Crédito 2026, elaborado pela Serasa em parceria com a Opinion Box, revela que 68% dos brasileiros adultos possuem ao menos uma modalidade de crédito ativa, o equivalente a 119 milhões de pessoas. Entre elas, o empréstimo pessoal é a segunda modalidade mais utilizada, presente na vida de 39% dos consumidores com crédito ativo
Mais do que ampliar o acesso ao crédito, o levantamento mostra uma mudança na forma como os brasileiros utilizam esses recursos. Entre os consumidores que contrataram empréstimo pessoal nos últimos 12 meses, 34% afirmam que o objetivo foi quitar dívidas, enquanto 22% recorreram ao crédito para reorganizar a vida financeira e 15% para aliviar o orçamento, evidenciando que o crédito passou a ser utilizado como instrumento de reorganização financeira, e não apenas para consumo imediato.
Esse movimento também encontra respaldo nos indicadores de inadimplência. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que estados das regiões Sul e parte do Sudeste costumam apresentar percentuais menores de famílias inadimplentes, reflexo de uma combinação entre maior previsibilidade de renda, planejamento financeiro e capacidade de organização do orçamento doméstico. Nesse contexto, consumidores tendem a comparar diferentes modalidades antes de contratar crédito, avaliando juros, prazo, custo total e impacto das parcelas na renda familiar.
Amadurecimento financeiro
Para Gustavo Caciatori, Chief Operations Officer do Bari (COO), essa diferença regional mostra que o amadurecimento financeiro influencia diretamente a qualidade das decisões de crédito. “Existe uma mudança importante acontecendo no comportamento do consumidor brasileiro. Cada vez mais pessoas entendem que crédito não deve ser contratado apenas em momentos de emergência, mas como uma ferramenta de planejamento financeiro. Nas regiões onde há maior cultura de organização das finanças, percebemos uma preocupação maior em comparar custos, buscar juros menores e escolher modalidades que preservem a saúde financeira no longo prazo”, afirma.
Segundo o Banco Central, linhas com garantia real, como o empréstimo com garantia de imóvel, apresentam taxas significativamente inferiores às modalidades tradicionais de crédito pessoal justamente por oferecerem menor risco às instituições financeiras. Apesar disso, o produto ainda representa uma parcela pequena do mercado brasileiro quando comparado a economias mais maduras, onde esse tipo de operação faz parte do planejamento patrimonial das famílias.
Segundo o executivo, esse perfil é comum entre clientes que contratam empréstimo com garantia de imóvel. “Na maior parte dos casos, o recurso é utilizado para substituir dívidas caras, investir no próprio negócio, realizar reformas ou reorganizar a vida financeira. São decisões planejadas, que priorizam economia de juros e equilíbrio do orçamento, e não apenas acesso rápido ao crédito”, destaca.
Embora modalidades como cartão de crédito e empréstimo pessoal ainda concentrem a maior parte das operações no país, Caciatori ressalta que o consumidor brasileiro vem amadurecendo sua relação com o crédito e que ampliar o acesso à informação é tão importante quanto ampliar o acesso ao crédito.
“O crédito consciente começa muito antes da contratação. Ele nasce quando o consumidor entende o custo total da operação, compara alternativas e escolhe a modalidade que faz sentido para seus objetivos financeiros. Educação financeira e crédito responsável caminham juntos”, conclui.








