Milhas não são “viagem grátis”: por que os brasileiros ainda desperdiçam bilhões em pontos

Milhas não são “viagem grátis”: por que os brasileiros ainda desperdiçam bilhões em pontos

39 bilhões de milhas expiram anualmente no Brasil por falta de gestão estratégica

O mercado de programas de fidelidade no Brasil vive um contraste evidente: enquanto movimenta volumes bilionários de pontos todos os anos, ainda lida com um cenário profundo de desinformação do consumidor. Estimativas do setor indicam que cerca de 60 bilhões de milhas expiram anualmente no país e que um em cada três resgates é direcionado para a troca por eletrodomésticos e utensílios de baixo valor no varejo. Ao aceitarem produtos de pouca relevância em troca de grandes saldos ou simplesmente deixarem os prazos de validade vencerem por falta de acompanhamento, milhões de brasileiros acabam transferindo um patrimônio valioso de volta para os bancos e para as companhias aéreas sem obter o devido retorno.

Essa perda constante ocorre principalmente porque a maioria das pessoas enxerga pontos e milhas como um “brinde” do cartão de crédito ou uma “viagem gratuita”, em vez de enxergá-los como um recurso financeiro tangível. Na prática, o acúmulo em programas de fidelidade funciona como uma moeda de troca negociável no mercado que possui cotação e valor real de compra. Deixar esse saldo parado sem uma estratégia clara expõe o cliente à desvalorização provocada pela inflação dos programas de fidelidade, que reajustam suas tabelas de resgate e exigem cada vez mais pontos para a emissão de bilhetes aéreos ao longo do tempo.

Combate à falta de informação

Atento a esse gargalo de educação do consumidor, o engenheiro de produção Aloysio Rebello, formado pela UFMG e com MBA pela USP, fundou a Go Miles Club com o propósito de transformar o conhecimento sobre o setor em liberdade financeira e geográfica. A empresa nasceu para combater a falta de informação e o amadorismo históricos do segmento, estruturando uma metodologia fundamentada em processos, inteligência de mercado e análise de dados. Em vez de focar em promessas irrealistas de ganhos fáceis, a edtech atua na profissionalização do mercado e no posicionamento das milhas aéreas como um ativo estratégico que deve integrar o planejamento de qualquer consumidor.

A busca pela profissionalização do setor alcançou um marco inédito quando a Go Miles Club lançou o primeiro MBA em Gestão Estratégica de Milhas Aéreas do Brasil reconhecido pelo MEC, desenvolvido em parceria com a Cogna, maior grupo educacional do Brasil, e as Faculdades Anhanguera. Essa iniciativa inseriu o tema definitivamente no ambiente da educação formal, qualificando profissionais e investidores para atuarem com rigor técnico em um mercado em expansão. Além da frente educacional, a empresa desenvolveu tecnologia própria e inteligência artificial para operacionalizar o serviço de Gestão de Milhas, assumindo todo o ecossistema de acúmulo e emissões para executivos e clientes de alta renda que buscam otimizar o uso de seus programas de fidelidade.

Resultados alcançados

Os números da Go Miles Club refletem a maturidade que o segmento vem ganhando nos últimos anos. Somados, os alunos do MBA e membros da comunidade de educação contínua da empresa já ultrapassaram R$20 milhões em faturamento nos últimos dois anos, enquanto clientes da Gestão de Milhas registram economia total de mais de R$12 milhões e média equivalente a 2,5 vezes o valor investido na consultoria. Esses resultados demonstram que, quando administrados de forma ativa e com ferramentas adequadas, os pontos acumulados nas rotinas de consumo deixam de ser um mero benefício esquecido para se tornarem um braço de eficiência financeira e redução de custos de viagem.

Para Aloysio Rebello, o futuro do mercado brasileiro aponta para uma exigência cada vez maior de transparência e sofisticação das ferramentas de gestão. O público passa a rejeitar discursos superficiais de acúmulo passivo para demandar soluções completas e seguras que garantam a preservação de seu poder de compra nos programas de fidelidade. “Milha é um ativo com valor de mercado e precisa ser tratada com a mesma seriedade que qualquer patrimônio. Nossa missão é ensinar e entregar soluções para que as pessoas viajem mais e melhor, sempre com responsabilidade e estratégia”, destaca o executivo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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