8 em cada 10 empresas de comércio exterior e logística têm dificuldade para contratar

Pesquisa do ManpowerGroup aponta escassez de talentos em 79% das empresas brasileiras do setor
Encontrar profissionais com as competências necessárias é uma dificuldade para 79% dos empregadores brasileiros do setor de Comércio & Logística, segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup. O índice coloca a gestão de pessoas entre os desafios de um segmento que depende de profissionais especializados para sustentar operações cada vez mais complexas. É por isso que empresas da área têm recorrido a estratégias que combinam flexibilidade, participação nos resultados, desenvolvimento profissional e políticas de bem-estar para atrair e, principalmente, reter trabalhadores.
E o desafio não termina na contratação. Levantamento da Robert Half com profissionais qualificados mostra que, entre os fatores que mais influenciam a permanência em uma empresa, 46% citam modelos de trabalho flexíveis, 33% apontam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, 31% mencionam ambiente e cultura organizacional e 25% destacam oportunidades de desenvolvimento. Os dados indicam que a remuneração segue relevante, mas divide espaço com aspectos relacionados à forma como o profissional trabalha, se desenvolve e se relaciona com a organização.
Na Cronos Logistics, um dos maiores agentes de cargas do país com cerca de 150 profissionais, cinco escritórios no Brasil e outros dois nos Estados Unidos, a adoção dessas medidas tem aperfeiçoado a política de gestão de pessoas. A empresa adota home office semanal, avaliações semestrais com acompanhamento especializado, Programa de Participação nos Resultados (PPR) vinculado a metas previamente definidas, e promove o incentivo à educação. Para profissionais que se tornam mães, a companhia também oferece um período adicional de três meses de trabalho em home office após a licença-maternidade.
Retenção de talentos
“Em um mercado especializado como o de comércio exterior, contratar é apenas uma parte do desafio. A retenção passa por entender o que faz sentido para o profissional em diferentes momentos da carreira e criar relações de trabalho em que exista clareza sobre expectativas, espaço para desenvolvimento e confiança. Quando a empresa incorpora políticas mais flexíveis e atentas à qualidade de vida dos profissionais, os efeitos também aparecem na permanência dos profissionais e no fortalecimento do vínculo com a equipe. Esse equilíbrio tem sido importante para construirmos relações mais duradouras”, afirma Gabrielle Rossato Poyer, coordenadora de RH da Cronos Logistics.
Para a executiva, esse acompanhamento também exige que as políticas de RH sejam revistas à medida que a empresa e as equipes mudam. “Uma política pode funcionar muito bem em determinado momento e deixar de responder às necessidades das pessoas alguns anos depois, inclusive quando observamos as diferenças geracionais. Por isso, avaliações periódicas e canais de diálogo são importantes para entender onde estão os pontos de atenção. A retenção não depende de uma ação isolada ou de um benefício específico, mas da experiência que o profissional encontra no dia a dia da empresa”, completa Gabrielle.








