Preço não fideliza: experiência decide a próxima compra

Preço não fideliza: experiência decide a próxima compra

Atendimento, conveniência e cultura organizacional ganham peso na fidelização enquanto descontos continuam decisivos para conquistar a primeira venda

Mais da metade dos consumidores, 52%, já deixou uma marca após uma experiência ruim com produtos ou serviços, enquanto 29% fizeram o mesmo por problemas no atendimento, segundo levantamento da PwC. Em 2026, os números reforçam uma disputa que ganhou espaço na estratégia de empresas do varejo e de serviços: transformar a primeira venda em recorrência. Se o preço ajuda a conquistar o consumidor, atendimento consistente, conveniência, facilidade para resolver problemas e uma cultura organizacional preparada para sustentar essa experiência são fatores que passam a determinar se ele voltará a comprar ou buscará um concorrente.

Alexandre Slivnik, com especialização pela Harvard Graduate School of Education e vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento, a ABTD, é diretor executivo do IBEX, instituto sediado em Orlando voltado ao desenvolvimento de líderes e à excelência empresarial. Para ele, o desafio das empresas está em transformar a primeira compra em recorrência, já que o preço pode acelerar uma decisão, mas conveniência, atendimento e capacidade de resolver problemas pesam na permanência do consumidor.

A questão ganha força agora no segundo semestre, quando Black Friday e Natal ampliam o volume de campanhas promocionais e a disputa pela atenção do público. As ofertas ajudam na conversão, mas fatores menos facilmente replicáveis, como facilidade na jornada de compra, solução de reclamações e consistência na entrega, passam a influenciar a decisão seguinte.

Experiência começa dentro da empresa

Parte do que o consumidor percebe é definida antes mesmo do contato com a marca. Treinamento, autonomia para solucionar demandas, processos claros e comportamento das lideranças interferem no serviço que chega à ponta.

Na avaliação do especialista, é nesse ponto que cultura organizacional e experiência do cliente se encontram. “O encantamento do cliente externo é sempre consequência direta do encantamento do cliente interno. Se a equipe não se sente respeitada, ouvida e valorizada, ela até pode cumprir processos, mas dificilmente vai gerar experiências memoráveis”, destaca.

A tecnologia adiciona outra camada a essa discussão. Chatbots, inteligência artificial e automação podem reduzir espera, organizar demandas e simplificar etapas, mas há situações em que contexto, empatia e capacidade de interpretação ainda interferem na percepção do consumidor. “Tecnologia é meio, não fim. Ela pode facilitar processos, ganhar escala e apoiar decisões. A empresa precisa usá-la para potencializar o humano, e não simplesmente para eliminá-lo”, aponta Alexandre Slivnik.

Recompra virou a verdadeira disputa do varejo

O momento posterior à venda passou a concentrar parte relevante dessa disputa. Trocas, suporte, reclamações e facilidade para encontrar uma solução podem definir se a relação continua ou termina depois da primeira transação.

Para o especialista, a lógica coloca a experiência do cliente mais próxima da estratégia de crescimento do que de uma função isolada de atendimento. “Uma promoção pode colocar o consumidor dentro da empresa pela primeira vez. A maneira como ele é recebido e, principalmente, como a empresa reage quando surge um problema é que vai influenciar a decisão de voltar. Fidelização é consequência dessa consistência”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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