Resíduos industriais de processo produtivo do setor florestal transformam-se em casas sustentáveis

Resíduos industriais de processo produtivo do setor florestal transformam-se em casas sustentáveis

Técnicos do Sul do Brasil visitam fábrica, área de plantio e Tiny House da Águia Florestal no Paraná

A aproximação entre indústria, sociedade, academia e mercado ganhou espaço na programação da Lignum Latin America 2026. Como parte da programação do evento, realizado de 15 a 17 de setembro, em Curitiba, as visitas técnicas permitiram que os visitantes da feira conhecessem de perto diferentes etapas da cadeia produtiva da madeira.

Um dos roteiros levou cerca de 40 participantes à Águia Florestal, onde foi possível acompanhar desde o processo industrial até a área de plantio das florestas plantadas próprias, bem como as novas possibilidades de uso da madeira engenheirada na construção civil.

Recebido pelo CEO da empresa, Álvaro Scheffer, o grupo iniciou a visita pela fábrica da Águia Florestal, em Ponta Grossa (PR). O roteiro passou pela linha de montagem, permitindo observar as etapas de produção das casas sustentáveis, baseado em painéis de CLT (Cross-Laminated Timber), ou Madeira Laminada Cruzada.

Para Scheffer, a visita representou uma oportunidade de apresentar não apenas um produto, mas a transformação promovida pela empresa no uso da madeira. “Foi um momento importante em que trouxemos profissionais de diferentes áreas e estudantes de várias regiões do país para conhecer nosso sistema construtivo exclusivo, a troca de experiências e as transformações que estamos fazendo no uso da madeira engenheirada no país”, assinala.

Processo industrial reforça conceito de economia circular

O CLT é uma das principais tecnologias da madeira engenheirada utilizada estruturalmente na construção. Desenvolvido na Europa, especialmente na Áustria e na Alemanha a partir dos anos 1990, o sistema utiliza camadas de madeira posicionadas de forma cruzada e coladas para formar painéis estruturais.

Na Águia Florestal, a tecnologia ganhou uma configuração própria. Em vez de depender exclusivamente de peças longas, regulares e padronizadas, o processo desenvolvido pela empresa utiliza pedaços curtos e de medidas irregulares de madeira, que chegaram no fim do processo industrial. O material, que tradicionalmente poderia ter menor aproveitamento ou ser destinado à geração de energia em caldeiras, passa a integrar painéis estruturais de maior valor agregado.

A solução permite aproveitar diferentes dimensões da matéria-prima e está diretamente relacionada ao conceito de economia circular aplicado à indústria florestal. A madeira utilizada é rastreável e proveniente exclusivamente de florestas plantadas e manejadas pela própria Águia Florestal.

“Eu me interessei em conhecer a empresa e entender um pouco melhor do produto que é gerado a partir do Pinus e o que a floresta gera para o nosso dia a dia. Foi ótima a visita. Vi que a empresa está gerando muitos produtos sustentáveis e que os resíduos estão sendo utilizados para fazer essas casas”, relatou Elisiane Castro, bióloga da Embrapa.

Tiny House: construção pronta e mobilidade

Na ocasião, os visitantes conheceram a Tiny House de 24 m² desenvolvida pela Águia Florestal, que será apresentada oficialmente durante o Congresso Nacional Moveleiro, nos dias 4 e 5 de novembro, em Curitiba.

O projeto parte do conceito das Tiny Houses, surgido nos Estados Unidos, associado ao uso racional dos espaços, ao minimalismo e à mobilidade. Na proposta da Águia Florestal, a solução em madeira também amplia as possibilidades de aplicação, podendo atender diferentes modelos de moradia, projetos turísticos, hospedagens junto à natureza e situações emergenciais decorrentes de eventos meteorológicos.

Um dos diferenciais está no modelo de produção: a unidade deixa a fábrica completamente pronta. No destino, é necessário apenas realizar o içamento e posicionar a casa no local definido pelo cliente.

A estrutura pode ser transportada em caminhão para outro endereço, conta com infraestrutura elétrica preparada para conexão à rede e utiliza madeira de origem controlada. O modelo atual possui um pavimento e pode receber itens adicionais, como sacada.
Outro aspecto é a possibilidade de personalização. O custo final varia conforme os opcionais escolhidos, em uma lógica semelhante à configuração de um automóvel.

Mais do que apresentar uma nova tipologia de moradia, a Tiny House demonstrou aos visitantes como diferentes etapas da cadeia da madeira podem convergir em um produto industrializado, sendo que, a floresta plantada fornece a matéria-prima, a indústria transforma o material e a construção recebe uma solução pronta para instalação.

Da fábrica à floresta

Depois de conhecer o processo industrial, o roteiro levou os participantes para outras etapas da operação. Um dos grupos seguiu para Itaiacoca, onde foram apresentadas as áreas de plantio florestal, o viveiro e a obra da nova serraria.

A experiência permitiu observar uma característica importante do modelo de produção da empresa: a integração entre floresta plantada, processamento industrial e desenvolvimento de produtos. Em vez de apresentar a madeira apenas como matéria-prima, a visita mostrou diferentes etapas pelas quais o material passa até chegar à construção.

Para profissionais ligados à sustentabilidade, o contato direto com a operação também possibilitou observar como as práticas ambientais estão relacionadas ao processo produtivo.

“Foi muito importante vir aqui hoje, conhecer um pouco do processo da Águia Florestal, ver a inovação que vocês estão fazendo a cada dia, melhorando os produtos. Também conhecer a questão da sustentabilidade, tanto dentro da indústria quanto para fora, a sustentabilidade nas construções, que é um setor que cada vez mais tem evoluído nas questões ambientais”, afirmou Leticia Chiari, analista de Desenvolvimento de Negócios da FSC® Brasil.

Conservação ambiental como parte do roteiro

Paralelamente à visita à serraria, outro grupo conheceu o Buraco do Padre, atração turística localizada em Itaiacoca e mantida pela Águia Florestal em aspectos relacionados à preservação ambiental, controle de acesso e gestão da área.

A inclusão do local no roteiro ampliou a percepção sobre as diferentes frentes de atuação relacionadas à gestão florestal e ambiental. A visita também permitiu conhecer a estrutura de atendimento ao público e iniciativas desenvolvidas em parceria com outras empresas.

Para Leticia Chiari, essa etapa ajudou a conectar a discussão sobre sustentabilidade na indústria com a gestão de espaços naturais e o desenvolvimento de construções de menor impacto.

Arquitetura, madeira engenheirada e formação profissional

A presença de pesquisadores e professores também reforçou o papel das visitas técnicas como espaço de aproximação entre universidade e setor produtivo. Entre os participantes, estava a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Maria Regina Sarro. “Meu interesse de vir para uma visita dessas foi conhecer o que está sendo feito em madeira no nosso Paraná. Conhecer o investimento e divulgar isso para os alunos. Afinal, os nossos futuros arquitetos são aqueles que vão projetar com a madeira que está sendo produzida aqui”, afirmou.

O contato direto com sistemas construtivos em madeira permite que estudantes e profissionais conheçam materiais e processos que podem fazer parte de projetos arquitetônicos e de engenharia. No caso do CLT, a industrialização também modifica a relação tradicional entre projeto, fabricação e montagem, aproximando a construção civil de processos utilizados pela indústria.

Crédito da foto: Divulgação

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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