Alta dos preços dos imóveis residenciais perde força, com variação de 0,36% em setembro e de 12,58% em 12 meses

Recife lidera valorização entre as capitais, enquanto Fortaleza tem a maior alta mensal
Em setembro, o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) subiu 0,36%, após variar 0,87% em agosto. A taxa acumulada em 12 meses passou de 14,73% para 12,58%.
O índice desacelerou na comparação mensal e manteve a desaceleração no acumulado em 12 meses. Nos últimos seis meses, tem ocorrido esse movimento de redução, o que pode sinalizar uma tendência de crescimento menos acentuado no preço dos imóveis residenciais. Depois de alcançar 19,76% em março, registrou 12,58% em setembro.

Quatro das dez capitais pesquisadas registraram aceleração da taxa mensal em setembro; as outras seis desaceleraram. As variações dos preços dos imóveis ficaram entre queda de 0,10%, em Curitiba, e alta 1,10%, em Fortaleza. No acumulado em 12 meses, as taxas variaram entre 8,11%, em Fortaleza e 20,69% em Recife. Nove das dez capitais desaceleraram nessa comparação, a exceção foi Goiânia, única capital da amostra a apresentar aceleração no índice.
No Sudeste, as três capitais desaceleraram na comparação mensal. São Paulo passou de 0,81% para 0,30%; o Rio de Janeiro, de 1,09% para 0,09%; e Belo Horizonte, de 1,65% para 0,23%. Em 12 meses, as taxas ficaram em 11,40%, 8,58% e 9,17%, respectivamente.
No Nordeste, Fortaleza variou 1,10%, Recife 0,03% e Salvador 1,02%. Ambas capitais aceleraram em relação a agosto, enquanto Recife, após uma sequência de altas, desacelerou pelo segundo mês consecutivo. No entanto, no acumulado de 12 meses, Recife permaneceu com a maior taxa de crescimento dos preços dos imóveis residenciais com 20,69%. Salvador acumulou 16,22% e Fortaleza, 8,11%.
No Sul, em Curitiba o índice recuou 0,10% em setembro, após queda de 0,23% em agosto, enquanto Porto Alegre subiu 0,23%. No acumulado de 12 meses, estas capitais apresentam alta de 16,27% e 15,23%, respectivamente. Variação bastante alinhada com o resultado do índice nacional para o mesmo período.
No Centro-Oeste, Goiânia apresentou alta de 0,79% e Brasília variou -0,03%. Em 12 meses, a variação dos preços registrados em Goiânia de 11,76% está mais alinhada com o resultado nacional, enquanto Brasília descola um pouco mais, com 16,26%.

O IGMI-R revela uma desaceleração na valorização imobiliária no acumulado entre janeiro e setembro de 2026, com alta de 6,94%. No mesmo período de 2025, a variação havia sido de 12,69% e em 2024, foi de 10,10%. Embora o resultado ainda represente uma valorização, a redução de 5,75 pontos percentuais em relação a 2025 indica uma mudança importante no ritmo de crescimento dos preços.
O movimento parece representar, até aqui, uma normalização ou acomodação do mercado após dois anos de maior valorização, e não necessariamente uma reversão da tendência de alta. A variação apresenta até setembro de 2026 demonstra uma desaceleração dentro de um ciclo que ainda permanece positivo.
O fato do índice apresentar pelo sexto mês consecutivo uma desaceleração da alta dos preços, não caracteriza um mercado imobiliário em queda, mas uma demonstração de que a valorização dos imóveis está ocorrendo de forma mais moderada.
No acumulado do terceiro trimestre (jan-set), os preços dos imóveis residenciais variaram de 3,72%, em Fortaleza, a 12,07%, em Recife. Nesse mesmo período também registraram alta acima do resultado nacional as cidades de Porto Alegre com 10,64%, Goiânia registrou 8,83%, Curitiba com 8,71% e Salvador, 7,63%.
As três capitais do Sudeste ficaram abaixo da taxa nacional no acumulado do ano: São Paulo, 5,89%; Rio de Janeiro, 5,55%; e Belo Horizonte, 5,61%. Brasília acumulou 6,82%, próximo ao resultado nacional.
Em setembro de 2026, o IGMI-R acumulou alta de 12,58% em 12 meses, enquanto que no mesmo período, o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) acumulou 6,61%. A diferença entre as taxas passou de 8,17 pontos percentuais em agosto para 5,97 pontos percentuais em setembro.
A taxa do IGMI-R recuou de 14,73% para 12,58%, enquanto a do INCC-M subiu de 6,56% para 6,61%. Com isso, a distância entre os indicadores diminuiu.
A redução da diferença entre os indicadores pode sinalizar uma menor capacidade de repasse dos custos de construção aos preços finais dos imóveis. Caso essa tendência persista, em um cenário no qual os custos de construção continuam avançando, enquanto o ritmo de valorização dos imóveis apresenta desaceleração, poderá resultar em pressão sobre as margens praticadas nos preços dos imóveis novos.
A comparação reúne preços de imóveis residenciais e custos da construção e demonstra que os movimentos se relacionam ao longo do tempo, mas a correlação irregular na amostra não permite atribuir a variação do preço dos imóveis apenas aos custos de construção.

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) acumulou 5,08%. A diferença entre esta taxa e o IGMIR do mesmo período passou de 9,64 pontos percentuais em agosto para 7,50 pontos percentuais em setembro.
Enquanto o IGMI-R desacelerou de 14,73% para 12,58%, o IVAR ficou praticamente estável, passando de 5,09% para 5,08% em 12 meses.
A valorização dos imóveis residenciais permanece superior ao crescimento dos aluguéis. Esse comportamento indica que os preços de venda continuam avançando em ritmo mais elevado do que a renda proveniente da locação. Essa dinâmica tende a pressionar a taxa de capitalização (Cap Rate), indicador que relaciona a receita obtida pelo valor do aluguel ao valor de mercado do imóvel, ou ainda, à tomada de decisão quanto à aquisição de imóvel ou contrato de aluguel para moradia.
A redução da diferença entre os indicadores, contudo, sinaliza uma aproximação entre os ritmos de crescimento dos preços de venda e dos aluguéis.
Cabe observar que a comparação entre IGMI-R e IVAR permite avaliar tendências relativas de preços e aluguéis, mas não constitui uma medida direta suficiente para concluir sobre valor do Cap Rate. A comparação permite acompanhar, em conjunto, a evolução dos preços de venda dos imóveis e dos aluguéis. Ela não representa, isoladamente, a rentabilidade de um investimento imobiliário.
O IGMI-R encerra setembro de 2026 ainda em trajetória de valorização, mas com uma desaceleração clara no ritmo de crescimento dos preços dos imóveis residenciais. No acumulado de janeiro a setembro, o índice registrou alta de 6,94%, ante 12,69% no mesmo período de 2025 e 10,10% em 2024.
Os dados, contudo, não caracterizam uma reversão do ciclo de valorização. O IGMI-R permanece em crescimento real. O resultado reforça que apesar da redução do ritmo de alta, os preços dos imóveis continuam avançando acima da inflação.
O comportamento do IGMI-R até setembro de 2026 aponta menos para uma queda dos preços e mais para uma acomodação do ritmo de valorização imobiliária. O índice permanece positivo, com ganho real, mas a sequência de desacelerações sugere um mercado que entra em uma fase de crescimento mais moderado. A evolução dos próximos meses será particularmente importante para avaliar se essa acomodação representa uma normalização após o ciclo de valorização observado em 2024 e 2025.

Em setembro de 2026, o IGMI-R acumulou 12,58% em 12 meses. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,58%. A diferença entre as taxas passou de 10,51 pontos percentuais em agosto para 8,00 pontos percentuais em setembro.
O IGMI-R desacelerou de 14,73% para 12,58%, enquanto o IPCA acelerou, passando de 4,22% para 4,58%.
Descontada a variação do IPCA por composição das taxas, o IGMI-R apresentou aumento real aproximado de 7,65% em 12 meses. Essa comparação indica a variação do preço dos imóveis em relação ao nível geral de preços ao consumidor. Essa relação demonstra que, apesar da desaceleração da valorização dos preços dos imóveis residenciais, o mercado imobiliário manteve ganho real no período, com os preços dos imóveis avançando em ritmo superior ao nível geral de preços da economia.

Em setembro de 2026, o INCC-M acumulou alta de 6,61% em 12 meses e o IVAR registrou 5,08%. A diferença entre os indicadores passou de 1,47 ponto percentual em agosto para 1,53 ponto percentual em setembro.
A taxa do INCC-M subiu de 6,56% para 6,61%, enquanto a do IVAR passou de 5,09% para 5,08%.
Os dois indicadores medem dimensões diferentes do mercado imobiliário. A variação dos aluguéis também depende da renda das famílias, da demanda, da oferta de imóveis e das condições de cada mercado local.








