Do sonho da casa própria ao ativo financeiro

Do sonho da casa própria ao ativo financeiro

Millennials e Geração Z mudam a forma de morar, comprar e investir em imóveis

O mercado imobiliário vive uma transformação impulsionada pelas diferenças de comportamento entre as gerações. Se no passado a compra de um imóvel representava o ápice da estabilidade familiar e uma conquista para a vida inteira, hoje a Geração Z e os Millennials redefiniram prioridades, dando mais valor para flexibilidade, eficiência e rentabilidade.

Essa mudança de postura se reflete diretamente nos produtos buscados. Segundo Elza Rocha Loures, presidente da Una Imóveis Conectados, há uma demanda crescente por estúdios e apartamentos compactos, com plantas integradas e funcionais. “O jovem busca praticidade, boa localização e aproveitamento dos espaços, tudo isso sem pagar por um metro quadrado que não utiliza”, explica.

Essa racionalização do espaço privativo abriu caminho para o fortalecimento das áreas comuns. Estruturas como coworking, lavanderia compartilhada, academia, espaço pet e áreas de lazer se tornaram extensões do próprio apartamento. Para Elza, essas facilidades compensam uma metragem menor, desde que garantam conveniência e custo-benefício.

Além da infraestrutura do condomínio, a localização ganhou novos critérios. A proximidade de eixos de transporte, aliada ao fácil acesso a parques, comércios e opções de lazer, superou a antiga preferência por bairros estritamente residenciais.

“O jovem quer economizar tempo, reduzir deslocamentos e ter mais praticidade no dia a dia”, destaca Elza.

O imóvel como ativo e o novo perfil do comprador

Do ponto de vista financeiro, a perspectiva sobre a propriedade também mudou. O imóvel deixou de ser visto exclusivamente como um bem definitivo e passou a ocupar o lugar de ativo financeiro temporário, pensado para moradia de médio prazo com foco em futura valorização e rentabilização via locação.

Essa mudança no comportamento de compra é impulsionada, em grande parte, pelo acesso facilitado a dados e ferramentas tecnológicas. Leonardo Baggio, diretor da Baggio Imóveis, explica que o jovem de hoje chega à imobiliária muito mais informado do que anos atrás para avaliar o potencial financeiro do negócio. “Antes a pessoa tinha aquele sonho da conquista da casa própria para ficar a vida inteira. Hoje em dia, a perspectiva de futuro, de rentabilidade e de valorização do imóvel acaba pesando muito na tomada de decisão. A maioria adota esse viés de investimento, além da conveniência, comodidade e tamanho”, afirma.

Essa diversidade de perfis também exigiu adaptações na concessão de crédito e nas análises de garantias locatícias. A consolidação da economia sob demanda (gig economy) e a multiplicidade de fontes de renda (profissionais com empregos fixos que realizam atividades complementares) demandam um olhar mais dinâmico do setor.

“As imobiliárias precisaram tornar a análise de crédito mais inteligente e efetiva para acolher essa nova realidade financeira, que afeta o mercado de forma geral”, acrescenta Leonardo Baggio.

Exigência por agilidade e jornadas 100% digitais

A transformação no perfil do consumidor impactou diretamente os processos operacionais do setor. Para Baggio, o marco divisor foi a pandemia, que acelerou a digitalização das jornadas de atendimento, incluindo visitas virtuais, vistorias e assinaturas digitais de contratos, permitindo que negociações de locação sejam concluídas sem que o cliente precise ir presencialmente à imobiliária.

Junto com a tecnologia, veio um novo patamar de exigência no relacionamento.

“Criou-se um senso de urgência e o consumidor está buscando cada vez mais agilidade, sendo menos tolerante à demora”, observa Baggio.

Segundo ele, o foco das empresas precisa estar continuamente voltado para a otimização da experiência do cliente. “Em um cenário onde as fronteiras entre morar, trabalhar e investir se misturam, o mercado imobiliário precisa entregar não apenas metros quadrados, mas agilidade, localização estratégica e inteligência financeira”, complementa.

Crédito da foto: Baggio Imóveis

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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