Criada no triathlon com investimento de R$ 36 mil, Woom vê corrida responder por 30% do negócio

Sócios-fundadores da Woom: Fred Fagundes (à esquerda), Jonathan Pereira (ao centro) e Eduardo Gumiero (à direita).
Empresa paranaense de vestuário técnico cresceu 92% entre 2023 e 2025, período em que a categoria de corrida praticamente triplicou dentro da operação
Em 2009, Fred Fagundes, Eduardo Gumiero e Jonathan Pereira investiram R$ 36 mil para criar a Woom. Os três vinham da área de auditoria, praticavam esportes de endurance e começaram o negócio no apartamento de Fred, em Curitiba. Dezessete anos depois, a empresa cresceu cerca de 92% entre 2023 e 2025. No mesmo período, a categoria de corrida praticamente triplicou dentro da operação e hoje responde por aproximadamente 30% do negócio.
O avanço da Woom na corrida acompanha o aquecimento da modalidade no país. Segundo dados da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo), o Brasil realizou 5.241 provas oficiais em 2025, um salto de 85% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 2.827 corridas. No Paraná, estado onde ficam a sede e a estrutura fabril da marca, o crescimento chegou a 93%, com 645 eventos no ano, o segundo maior volume do país. Para a Woom, o crescimento da corrida não representa uma mudança de posicionamento. A estratégia é permanecer concentrada nos esportes de endurance e levar para o corredor a especialização técnica desenvolvida a partir do triathlon.
“A decisão não foi crescer entrando em vários esportes, mas ampliar o negócio dentro de um mercado que conhecemos. O triathlon nos levou desde o início a entender diferentes condições de treino, distâncias e necessidades do atleta. Quando passamos a olhar a corrida de forma mais estruturada, já existia uma base de conhecimento que podia ser aplicada a esse público. A Woom quer crescer dentro do endurance mantendo esse nível de especialização”, explica Fred Fagundes, sócio-fundador da Woom.
Hoje, a operação reúne cerca de 100 colaboradores e ocupa uma estrutura de 3.200 m² em Curitiba, dos quais 1.800 m² são destinados à fábrica. A empresa também mantém e-commerce, loja própria e uma rede com cerca de 100 revendedores.
Negócio nasce de dificuldade enfrentada pelos próprios atletas
A Woom nasceu de uma dificuldade enfrentada pelos próprios fundadores, que praticavam esportes de endurance. Na época, encontrar vestuário técnico adequado para triathlon no Brasil era difícil. Os produtos importados chegavam ao mercado com preços elevados, enquanto as opções nacionais disponíveis apresentavam limitações técnicas.
Sem formação prévia em moda, design ou indústria têxtil, os sócios aprenderam a desenhar os primeiros projetos em softwares gráficos para conseguir orientar fornecedores terceirizados de corte e costura. Fred foi o primeiro a deixar a carreira corporativa para se dedicar integralmente à empresa, enquanto Eduardo e Jonathan mantiveram seus empregos nos primeiros meses e trabalhavam no projeto à noite e nos fins de semana. Pouco tempo depois, a operação deixou o apartamento e ganhou seu primeiro endereço comercial em Curitiba.
Personalizados abrem primeiro caminho de crescimento
O plano original da Woom era comercializar uma coleção própria por meio de lojas esportivas. No entanto, o projeto encontrou resistência do varejo, que ainda via a Woom como uma marca desconhecida e o triathlon como um segmento restrito.
A virada no modelo comercial veio por meio das assessorias esportivas frequentadas pelos próprios fundadores. Esses grupos de treino buscavam uniformes próprios para criar identidade entre os alunos. Ao vestir os atletas nas provas, os produtos personalizados ganharam visibilidade e passaram a chamar a atenção de equipes de outras cidades e estados.
A frente de personalizados chegou a responder por cerca de 90% do faturamento da Woom nos primeiros anos de operação e ajudou a financiar o
crescimento inicial, ampliar o reconhecimento da marca e abrir espaço para o avanço das coleções regulares e do e-commerce.
Avanço estruturado no segmento de corrida
A corrida já fazia parte da Woom desde os primeiros anos, principalmente por integrar a rotina de treinamento do triatleta. A mudança a partir de 2022 foi passar a olhar também para quem tem a modalidade como esporte principal, treina com frequência e avança para objetivos como provas de 10 quilômetros, meias maratonas e maratonas.
Essa definição passou a orientar também o portfólio. A oferta para corrida está organizada em três linhas, Light Run, Running Series e Carbon, voltadas a diferentes necessidades do corredor. A Running Series é a principal linha da marca para quem treina regularmente e aumenta volume, intensidade e distância.
Em 2026, a Running Series recebeu uma nova geração, com menos costuras, tecido Power Balance, bonding, corte a laser, novos bolsos e elementos refletivos. As bermudas de compressão estão entre os produtos mais vendidos da categoria. A atualização faz parte de uma estrutura de desenvolvimento que conta com uma equipe dedicada e mantém sócios-fundadores e outros atletas envolvidos na definição e nos testes dos produtos.
A presença da Woom em provas de corrida também avançou gradualmente. Em 2024, quando completou 15 anos, a empresa patrocinou sua primeira corrida de rua, a 15K de Santa Felicidade, em Curitiba. Em 2026, a estratégia passou a incluir a Maratona Internacional da Ponte de Guaratuba e a Maratona de Curitiba, com o objetivo de aumentar o contato da marca com corredores que não necessariamente vêm do triathlon.
“Crescer muda a estrutura da empresa, mas não pode afastar a Woom de quem usa o produto. Hoje temos uma equipe dedicada ao desenvolvimento e uma operação muito maior, mas continuamos testando as peças e acompanhando de perto a rotina dos atletas. Para nós, essa proximidade é o que permite transformar uma oportunidade de mercado em um produto que faça sentido para quem pratica o esporte”, afirma Fagundes.








