Mercado de alimentos sem glúten cresce e impulsiona investimentos da Schär no Paraná

Indústria italiana prevê expansão da sua unidade em Campo Largo
O mercado de alimentos sem glúten vem ganhando espaço no Brasil e abrindo novas oportunidades para a indústria alimentícia. O movimento acompanha a maior atenção às restrições alimentares, a procura por produtos que aliam praticidade e sabor e a necessidade de atender consumidores que precisam excluir o glúten da dieta.
Estimativas do setor apontam crescimento anual de 10%. Já a consultoria internacional Imarc Group projeta que o mercado brasileiro de alimentos e bebidas sem glúten poderá ultrapassar US$ 555 milhões até 2034. As perspectivas positivas têm estimulado fabricantes a investir em capacidade produtiva, inovação e ampliação de portfólio.
É nesse contexto que a italiana Schär, referência internacional em alimentos sem glúten, fortalece sua presença no país e planeja expandir a operação brasileira nos próximos três anos. Pela primeira vez, o presidente da Schär, Ulrich Ladurner, veio ao Brasil para visitar a indústria localizada em Campo Largo. A visita aconteceu nesta segunda-feira (26).

A fábrica da companhia em Campo Largo, no Paraná, é responsável pela produção de pães, farinhas e bolos destinados aos mercados brasileiro e sul-americano. A unidade fabrica entre 500 mil e 700 mil unidades por mês. Outro dado que chama a atenção é a presença da indústria no mercado nacional: quatro dos dez pães sem glúten mais vendidos no Brasil são produzidos na fábrica paranaense.
Fundada na Itália, em 1922, a Schär está presente em mais de 100 países, reúne quase dois mil colaboradores e registrou faturamento global de 632 milhões de euros em 2025. No Brasil, mantém sua unidade industrial em Campo Largo e distribui seus produtos por aproximadamente 20 mil pontos de venda.
Variedade e inovação para conquistar consumidores

Globalmente, o portfólio da empresa reúne cerca de 200 produtos. No mercado brasileiro, a linha inclui pães fatiados, pré-assados e especiais, biscoitos doces, snacks salgados, torradas, bolos, farinhas e cereais.
A estratégia é combinar variedade, praticidade, sabor e segurança alimentar, características importantes para atender às necessidades de quem convive com restrições alimentares e ampliar a presença desses produtos nas gôndolas dos supermercados.
A expansão da operação brasileira também reforça o papel do Paraná na estratégia regional da companhia. O planejamento de novos investimentos indica confiança no potencial do mercado nacional e na capacidade de crescimento da categoria.
Mais do que acompanhar uma tendência de consumo, ampliar a produção significa preparar a estrutura industrial para atender à demanda, desenvolver novos produtos e fortalecer a distribuição. Para a economia brasileira, movimentos como esse podem representar oportunidades de investimento, geração de empregos e desenvolvimento da cadeia de alimentos.
Crescimento do setor também envolve saúde pública
O avanço do mercado sem glúten está relacionado, ainda, à necessidade de ampliar a informação sobre condições de saúde associadas à alimentação. A doença celíaca, uma condição autoimune desencadeada pelo consumo de glúten, ainda enfrenta desafios de diagnóstico, e parte dos casos pode permanecer sem identificação.
A sensibilidade ao glúten não celíaca também é objeto de atenção, embora sua prevalência seja difícil de estabelecer com precisão. Já a síndrome do intestino irritável, que pode afetar entre 12% e 15% da população brasileira, apresenta sintomas que podem ser influenciados por diferentes componentes da alimentação, mas não necessariamente pelo glúten.
É importante destacar que uma dieta sem glúten é indispensável para pessoas com doença celíaca, mas não é necessária para toda a população. A retirada dessa proteína deve considerar as necessidades individuais e, quando houver suspeita de doença celíaca, a investigação médica deve ocorrer antes de iniciar a dieta, pois a exclusão do glúten pode interferir nos resultados dos exames.
Nesse cenário, o crescimento do setor combina oportunidades de negócios com a necessidade de oferecer produtos seguros, acessíveis e de qualidade. Ao planejar a expansão de sua fábrica em Campo Largo, a Schär reforça a aposta no Brasil e evidencia como a evolução dos hábitos de consumo pode abrir novas frentes de investimento para a indústria alimentícia.








