Consumo online atinge recorde e aumenta pressão por presença digital no varejo

Consumo online atinge recorde e aumenta pressão por presença digital no varejo

Pesquisa aponta que 85% dos consumidores digitais nas capitais compraram pela internet, enquanto preço, frete e conveniência ampliam a recorrência das compras online

Comprar pela internet deixou de ser uma alternativa eventual para ocupar um espaço recorrente na rotina do consumidor brasileiro. Em 2026, 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais realizaram pelo menos uma compra online nos 12 meses anteriores à pesquisa Consumo Online no Brasil, conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.

O resultado representa avanço de 11 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior e corresponde a uma estimativa de 139 milhões de compradores online no país.O levantamento, realizado entre 25 de maio e 4 de junho de 2026, também aponta crescimento da frequência.

A parcela que havia comprado pela internet no mês anterior à pesquisa passou de 54% para 66%, enquanto a média mensal avançou de 4,6 para 5,1 pedidos.  Os números indicam que a digitalização do consumo não está relacionada apenas à entrada de novos compradores, mas também à incorporação do comércio eletrônico aos hábitos cotidianos.

Preço e frete continuam no centro da decisão

A consolidação das compras digitais ocorre em um cenário no qual o consumidor compara condições antes de fechar o pedido. Na pesquisa de 2026, o frete grátis aparece como principal critério para a escolha de uma loja virtual, citado por 60% dos participantes. Preço baixo vem em seguida, com 49%, enquanto promoções foram mencionadas por 44%.

Os resultados ajudam a explicar por que o ambiente digital ganhou recorrência. A possibilidade de pesquisar valores, avaliar condições de entrega e concluir uma compra sem deslocamento reúne diferentes etapas da decisão em uma mesma jornada.

Entre as vantagens atribuídas às compras online, 40% dos entrevistados destacaram os preços mais baixos, 30% citaram a comodidade, 28% mencionaram a economia de tempo e 24% apontaram a variedade de produtos. O comportamento demonstra que conveniência e custo passaram a funcionar de maneira combinada na decisão de compra.

Presença digital deixa de funcionar apenas como vitrine

Esse cenário também altera a função dos canais próprios de pequenos e médios negócios. Estar na internet já não significa apenas apresentar endereço, telefone e catálogo. Para empresas que dependem da descoberta de novos clientes, a presença digital pode participar das etapas de pesquisa, comparação, contato e decisão.

Recursos como domínio próprio, loja virtual ou um criador de sites podem reduzir barreiras técnicas para negócios que ainda concentram sua operação em canais presenciais ou dependem exclusivamente de plataformas de terceiros. Ter um canal próprio também permite organizar informações sobre produtos, preços, formas de pagamento, disponibilidade, atendimento e políticas comerciais em um ambiente controlado pelo próprio negócio.

A relevância dessa estrutura cresce à medida que o consumidor passa a pesquisar e validar informações antes de comprar. A própria pesquisa de 2026 mostra que 95% dos compradores já voltaram a adquirir produtos no mesmo site ou aplicativo.

Preço, frete grátis e qualidade aparecem entre os principais fatores relacionados à recompra, indicando que atrair o consumidor representa apenas uma parte do desafio.

Crescimento aumenta cobrança por experiência

A expansão do comércio eletrônico não elimina obstáculos. Pelo contrário, quanto mais frequente é o uso do canal, maior tende a ser a cobrança por uma experiência consistente. Em 2026, 27% dos consumidores relataram algum problema na última compra online, ante 20% na edição anterior da pesquisa. Atrasos na entrega, recebimento de produtos diferentes do anunciado e itens danificados aparecem entre as ocorrências mais citadas.

O dado mostra que colocar uma operação no ambiente digital, por si só, não garante competitividade. Informações claras, funcionamento adequado das páginas, transparência sobre pagamento e entrega e facilidade de contato passam a fazer parte da experiência esperada.

O avanço das compras digitais, portanto, não significa o desaparecimento imediato das lojas físicas. O que os números de 2026 demonstram é uma mudança de peso na jornada: para uma parcela cada vez maior dos consumidores, pesquisar, comparar e comprar pela internet já faz parte da rotina. Para negócios que ainda operam exclusivamente no ambiente presencial, acompanhar essa transformação passa a ser uma questão de acesso ao consumidor, e não apenas de comunicação.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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