Empresas investem mais em data centers, mas traduzir os dados em eficiência operacional é desafio para 2027

Empresas investem mais em data centers, mas traduzir  os dados em eficiência operacional é desafio para 2027
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Investimentos globais em data centers podem alcançar US$ 3 trilhões em 5 anos

O avanço da Inteligência Artificial tem estabelecido uma corrida global por infraestrutura digital. No Brasil, esse movimento ganhou força nos últimos meses, impulsionado pelo avanço de projetos de infraestrutura para data centers e pela crescente demanda por processamento de dados, aplicações de IA generativa, computação em nuvem e serviços digitais. Segundo estimativas da Moody’s, os investimentos globais em data centers podem alcançar cerca de US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos.

O cenário também se reflete no Brasil. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o país soma 38 GW em pedidos de acesso à rede elétrica para novos projetos de data centers. Desse total, 7,1 GW correspondem a empreendimentos já mapeados, com potencial de movimentar cerca de R$ 159 bilhões em investimentos nos próximos anos. O movimento reforça o posicionamento do Brasil como um dos principais mercados para a expansão da infraestrutura digital na América Latina e amplia as perspectivas para o avanço da Inteligência Artificial no ambiente corporativo.

O aumento da capacidade computacional cria as condições para acelerar a adoção da Inteligência Artificial, mas também evidencia um desafio enfrentado por muitas organizações: transformar essa infraestrutura em resultados concretos para o negócio. Sem uma base de dados estruturada, integração entre sistemas e governança da informação, o potencial da IA pode ser limitado, mesmo em ambientes com alta capacidade de processamento.

Fabricio Pellizon.

Para a Engineering Brasil, companhia global especializada em transformação digital, IA, APIs e dados, parte do Grupo Engineering, o fortalecimento da infraestrutura representa um passo importante para acelerar a adoção da tecnologia nas empresas. No entanto, a organização alerta que a capacidade computacional, por si só, não garante ganhos de produtividade, inovação ou retorno sobre os investimentos.

Segundo Fabricio Pellizon, gerente executivo de Arquitetura e Implementação de Nuvem da Engineering Brasil, existe o risco de o mercado concentrar seus esforços apenas na expansão da infraestrutura, deixando em segundo plano desafios fundamentais relacionados à qualidade dos dados, à integração dos sistemas e à maturidade das arquiteturas corporativas.

“Os investimentos em data centers são essenciais para sustentar o crescimento da Inteligência Artificial, mas representam apenas a camada visível dessa transformação. A capacidade de processamento precisa estar conectada a uma base sólida de dados, governança e integração. Sem isso, as empresas podem ampliar sua infraestrutura tecnológica sem conseguir converter esse investimento em eficiência operacional, inovação ou geração de valor para o negócio“, afirma.

O desafio está na base tecnológica das empresas

Embora a disponibilidade de infraestrutura seja um pré-requisito para o avanço da IA, muitas organizações ainda enfrentam obstáculos relacionados à integração de sistemas, governança de dados, interoperabilidade entre plataformas e modernização de ambientes legados.

Na prática, mesmo empresas com acesso às tecnologias mais avançadas podem encontrar dificuldades para escalar projetos de IA ou capturar benefícios consistentes. Segundo análise da McKinsey publicada em junho de 2026, mais de dois terços das empresas de alta performance apontam os dados como o principal obstáculo para viabilizar a IA. O levantamento mostra ainda que apenas 7% das organizações conseguiram escalar completamente a tecnologia em toda a empresa. Nesse cenário, dados dispersos, informações inconsistentes e ambientes fragmentados tornam-se barreiras para construir aplicações confiáveis e ampliar o uso da tecnologia.

Segundo Pellizon, a corrida pela Inteligência Artificial está criando uma prioridade para as organizações: preparar a base tecnológica que sustentará as aplicações dos próximos anos. “A discussão sobre IA costuma se concentrar nos modelos, na infraestrutura e no poder computacional. Mas o que realmente determina o sucesso dessas iniciativas é a capacidade de conectar dados, sistemas e processos de negócio. Quanto mais sofisticadas se tornam as aplicações, maior é a necessidade de uma arquitetura preparada para operar com escala, confiabilidade e governança”, explica.

A Engineering Brasil, que apoia empresas dos setores de telecomunicações, energia, indústria e serviços na construção de ambientes capazes de transformar dados em ativos estratégicos e criar as condições necessárias para o uso sustentável da Inteligência Artificial, vem ampliando sua atuação em projetos voltados à modernização de arquiteturas corporativas, integração de dados, plataformas digitais e governança da informação.

Para o executivo, o diferencial competitivo dos próximos anos não estará apenas no acesso à infraestrutura ou aos modelos mais avançados, mas na capacidade de transformar dados em decisões mais rápidas, processos mais eficientes e novas oportunidades de negócio.

“O verdadeiro retorno sobre os investimentos em IA não será definido pela quantidade de servidores instalados ou pela capacidade computacional disponível. O que vai diferenciar as empresas será a qualidade da arquitetura que conecta dados, aplicações e operações. A infraestrutura abre caminho, mas o valor real surge quando a tecnologia consegue transformar informação em inteligência e inteligência em resultado”, conclui.

Crédito da imagem- Magnific

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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