Mercado reduz o risco e entra em modo cautela às vésperas do segundo turno

Mercado reduz o risco e entra em modo cautela às vésperas do segundo turno

Ibovespa recua, dólar volta a subir e investidores ajustam posições diante da combinação entre realização de lucros

O mercado financeiro brasileiro encerrou esta quarta-feira (21) em tom mais defensivo. Depois de uma sequência de valorização da Bolsa, os investidores aproveitaram o pregão para realizar parte dos ganhos, enquanto o ambiente eleitoral voltou a ocupar o centro das atenções.

O Ibovespa recuou 0,86%, aos 206.495 pontos, enquanto o dólar comercial avançou 0,17%, a R$ 5,027. O movimento refletiu menos uma mudança estrutural na percepção sobre os ativos brasileiros e mais uma combinação de ajuste técnico, cautela política e busca por proteção.

Realização de lucros dá o tom

A queda da Bolsa ocorre um dia depois de o Ibovespa ter avançado 1,57%. Em um mercado que vinha acumulando ganhos, a realização de lucros era um movimento esperado.

Investidores aproveitaram a valorização recente para reduzir posições, especialmente em ações que apresentaram forte desempenho nas últimas sessões. O movimento ganhou força com a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

Em momentos de elevada incerteza política, o comportamento dos grandes investidores costuma ser mais seletivo. A preferência passa a ser por ativos e setores com maior previsibilidade de resultados, enquanto empresas mais expostas ao ciclo doméstico podem sofrer maior volatilidade.

Eleições voltam ao radar dos investidores

O componente político ganhou peso no pregão desta quarta-feira. Uma nova pesquisa eleitoral apontou uma disputa acirrada no segundo turno, ampliando a percepção de risco entre os agentes financeiros.

Mais do que o resultado eleitoral em si, o mercado começa a precificar aquilo que poderá vir depois das urnas: a composição do governo, a política fiscal, a relação com o Congresso e, principalmente, a capacidade de execução de uma agenda econômica considerada sustentável.

É justamente nesse ponto que a volatilidade tende a aumentar. Para o investidor, a pergunta deixa de ser apenas quem vencerá a eleição e passa a ser qual será o programa econômico e como ele será implementado.

WEG é destaque negativo

Entre as empresas que pressionaram o índice esteve a WEG, cujas ações recuaram cerca de 7% após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre.

O desempenho dos papéis mostra como, mesmo em períodos dominados pelo ambiente macroeconômico, os fundamentos corporativos continuam determinantes. Resultados, margens e perspectivas de crescimento permanecem no radar e podem provocar movimentos expressivos nas ações individualmente.

Na outra ponta, papéis de empresas como Totvs, TIM e Telefônica Brasil apresentaram desempenho positivo. A Embraer também ganhou espaço, beneficiada pelo comportamento do câmbio.

Dólar interrompe sequência de queda

O câmbio também refletiu o movimento de cautela.

O dólar fechou a R$ 5,027, com alta de 0,17%, interrompendo três sessões consecutivas de baixa. A valorização da moeda americana ocorreu em meio ao ajuste das posições dos investidores e à recuperação do dólar no mercado internacional.

O comportamento do câmbio continua sendo particularmente importante para a economia brasileira. Além de influenciar empresas exportadoras e importadoras, a cotação da moeda americana afeta expectativas de inflação, preços de commodities e decisões de investimento.

Juros continuam no centro da estratégia

No mercado de juros, as oscilações foram mais moderadas. A trajetória da Selic permanece como uma das principais referências para os investidores.

Depois da redução da taxa básica para 13,75% ao ano em setembro, o mercado acompanha atentamente os sinais do Banco Central sobre os próximos passos da política monetária.

A desaceleração da atividade econômica e a melhora gradual da inflação criam espaço para cortes adicionais, mas as expectativas de inflação e os riscos fiscais continuam limitando uma visão mais otimista.

Exterior ajuda, mas não elimina o risco doméstico

No exterior, o cenário foi relativamente mais positivo. As bolsas americanas fecharam em alta, apoiadas principalmente pelo desempenho das empresas de tecnologia e pelas perspectivas de investimentos relacionados à inteligência artificial.

O movimento internacional, entretanto, não foi suficiente para impedir a realização de lucros no mercado brasileiro. Isso revela uma característica importante do momento atual: o cenário externo segue relevante, mas o risco doméstico ganhou peso adicional.

O que o mercado espera agora

A sessão desta quarta-feira deixa uma mensagem clara: às vésperas do segundo turno, o mercado entra em uma fase de maior sensibilidade ao noticiário político.

Nos próximos dias, pesquisas eleitorais, declarações dos candidatos e sinais sobre a futura política econômica poderão provocar movimentos rápidos nos preços dos ativos.

Mais do que buscar uma direção definitiva para Bolsa, dólar e juros, os investidores parecem estar adotando uma estratégia de espera. Em um ambiente no qual a incerteza política se soma às decisões de política monetária e às condições internacionais, preservar capital passa a ser tão importante quanto buscar retorno.

O pregão desta quarta-feira, portanto, não representa necessariamente uma mudança de tendência. É, sobretudo, um retrato de um mercado que prefere reduzir o risco antes de conhecer o resultado das urnas — e, principalmente, antes de saber como o vencedor pretende conduzir a economia brasileira.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *